04 março, 2009

Negócio da China

No dia 28/10/08, a prefeitura de Sorocaba anunciou a instalação de um "escritório de negócios" na China. Segundo divulgado, a partir de então, "os empresários sorocabanos contarão com o suporte de um espaço brasileiro, atendido por um brasileiro que fala o mandarim e conhece todas as leis comerciais chinesas."

O evento contou com a participação do então vice-prefeito Geraldo Caiuby e do secretário de Desenvolvimento Econômico, Daniel de Jesus Leite. Ou seja, tratou-se de ato oficial da governo do município, que teve gastos, no mínimo, com a viagem de seus representantes.

Posteriormente, como o referido "escritório de negócios" não havia sido autorizado pela Câmara de Vereadores, em resposta a requerimento dos vereadores, o prefeito afirmou que tudo não passa de um “processo para a instalação de um futuro escritório”.

Em outros termos: mentiu descaradamente para a população e para os vereadores.

Alegou, ainda, que o responsável pelo escritório é um brasileiro, que mora na China, não é funcionário da prefeitura e estaria agindo como "colaborador", sem receber nada, embora com autorização para tratar de assuntos de nossa cidade.

Até mesmo o jornal Cruzeiro do Sul, defensor dos tucanos em Bacaroço, em editorial criticou de forma duríssima a medida.

Como uma pessoa, que não é funcionário da prefeitura, exerce o posto de "embaixador" da cidade em outro país, sem autorização do legislativo local?

Diante disso, a bancada do Partido dos Trabalhadores pediu que o ministério público investigue o caso.

E hoje, o prefeito Vitor Lippi, em entrevista ao jornal da rádio Cruzeiro FM, cometeu a infâmia derradeira. Inquirido por jornalista sobre a remuneração do "embaixador informal" de Sorocaba na China, disse que se trata de uma pessoa de negócios e que seria remunerado pelos empresários que o procuram.

Em outras palavras, uma das maiores picaretagens da história da cidade.

Um cidadão, sem vínculo com o poder público, sem contrato ou convênio, passa a tratar de assuntos de interesse do governo municipal em outro país, sem autorização do poder legislativo e, segundo o próprio prefeito, provavelmente receberá um "pedágio" dos empresários que atender!

Eu já vi muita coisa nos governos tucanos, mas o Lippi superou todas as minhas espectativas.

03 março, 2009

A nova direita

O texto abaixo trata da forma como vamos perdendo o debate ideológico, sobre uma série de coisas. Trata-se de um tema sobre o qual conversei em diversas oportunidades com o Paulo Henrique, presidente do PT-Sorocaba, com enfoque nos conceitos de hegemonia e contra hegemonia.

Talvez funcione como uma instigação para a esquerda sorocabana, face suas últimas derrotas históricas.

A nova direita

NÃO FAZ MUITO tempo, a esquerda tinha conseguido estabelecer alguns sólidos pontos de partida do debate político. Aplicar pena de prisão não diminui a criminalidade, porque o crime não é apenas ação de um indivíduo, mas falha de toda uma sociedade. O desemprego não é culpa do desempregado, mas de um sistema econômico que produz injustiça. O progresso material só significa progresso social e político se houver uma justa e solidária distribuição da riqueza. E por aí vai.

Essas posições foram desafiadas e derrotadas. Nos últimos 30 anos, enquanto movimentos e grupos sociais reivindicavam mais liberdade, uma esquerda tradicional respondeu de maneira tradicional: liberdade só com igualdade primeiro. Recusou-se a ver que havia ali um problema real, que a promoção da igualdade não produz automaticamente pessoas autônomas. Ao invés de aceitar o desafio de pensar uma nova relação entre liberdade e igualdade, boa parte da esquerda perdeu-se em discussões bizantinas como a das causas da queda do decrépito bloco soviético.

Enquanto isso, a direita se apresentou em nova roupagem, como paladino da liberdade e mãe da democracia -quando se sabe que a democracia de massas foi em larga medida uma conquista do movimento operário contra a direita, que entrava em pânico só de pensar no voto universal secreto. A nova direita ocupou um a um os espaços disponíveis nos meios de comunicação de massa e na esfera pública, em um combate cotidiano contra as teses de esquerda então dominantes. Venceu e transformou a sua vitória em poder institucional.

O resultado foi uma guinada nos pontos de partida do debate político. O que se pede hoje de todos os lados é mais prisão, mais responsabilização dos indivíduos, mais progresso material puro e simples. E por aí vai. É nisso que consiste a atual hegemonia da direita.

A nova direita vê a forma atual da democracia como imutável, como o “fim da história”. Avalia toda tentativa da esquerda de transformar a democracia como um ataque à liberdade. Mas, ao mesmo tempo, não vê problema em aceitar -como fez a Folha a propósito da ditadura militar brasileira- o revisionismo histórico e gradações no autoritarismo.

A atual crise econômica pode alterar esse quadro. Esse é o maior temor da nova direita hegemônica. Mas isso só tem chance de acontecer se a esquerda for capaz de fazer o combate de ideias no espaço público sem continuar a pressupor que seus pontos de partida seguem inquestionáveis. Convencer pessoas que já estão convencidas é puro conformismo.


fonte: MARCOS NOBRE no blog do Nassif

01 março, 2009

Mensalão da Polícia. Só para os amigos do Serra.


Arrecadação de dinheiro da máfia dos bingos e caça-níqueis, pagamentos de propina para anular a expulsão de policiais corruptos e a existência de um mercado de venda de cargos importantes da Polícia Civil. Essas são algumas das acusações da longa lista de denúncias feitas pelo investigador Augusto Pena em seu depoimento ao Ministério Público Estadual (MPE), ao qual o jornal "O Estado de S.Paulo" teve acesso.

Ela incluía ainda a venda de carteiras de motoristas, achaques a criminosos e empresários, o uso de viaturas em segurança privada e até a apropriação de dinheiro da gasolina da polícia.

Segundo Pena, havia 200 inquéritos na delegacia sobre bingos e caça-níqueis. Dependendo do tamanho da casa de jogo, a propina era de R$ 20 mil a R$ 200 mil mensais, sempre em dinheiro.

O suposto mensalão da polícia era cobrado para que os inquéritos não fossem adiante. Uma parte ficava com seus chefes. Outra seria levada por Pena a Malheiros Neto. Pelo serviço, Pena recebia R$ 4 mil por mês.

Pivô do maior escândalo de corrupção policial da atual gestão da Segurança Pública, Pena fez um acordo de delação premiada. O homem que se diz amigo do ex-secretário adjunto da pasta Lauro Malheiros Neto, a quem ele acusa de montar um esquema de corrupção, afirma que os policiais corruptos continuam recebendo propina mesmo depois de presos.

Por causa das acusações, o diretor da Corregedoria da Polícia Civil, Alberto Angerami, pediu a transferência de Pena do presídio da Polícia Civil para o Presídio do Tremembé - o que ocorreu na sexta-feira. Se continuasse entre seus pares, Pena podia ser morto.

Ameaças

O depoimento de Pena começa com a descrição das supostas ameaças que o policial teria recebido. Pena disse que estava no presídio quando foi procurado por um delegado da região de Mogi das Cruzes com quem esteve preso.

O delegado teria dito que era melhor o investigador não fazer a delação e teria afirmado que era “uma pessoa muito influente e tinha acesso às entradas e saídas do declarante do presídio”. O delegado ainda perguntou quanto Pena “queria ganhar para não delatar”.

Chefe do investigador Augusto Pena no Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), o delegado Fábio Pinheiro Lopes nega que tenha montado um esquema de arrecadação de propina, conforme acusações feitas pelo ex-subordinado ao Ministério Público Estadual (MPE).

fonte: IG - Último Segundo

25 fevereiro, 2009

Médico agredido em Brigadeiro Tobias

O Dr. Miguel Estaregui, que trabalha há mais de vinte anos no Pronto Atendimento do bairro de Brigadeiro Tobias, foi brutalmente agredido na noite do dia 21 de Fevereiro (Domingo). Ele recebeu socos e chutes do acompanhante de uma paciente.

O médico estava realizando a sutura no ferimento de um paciente, quando três homens (alterados) entraram na unidade trazendo uma mulher que diziam haver tentado suicídio cortando os pulsos. Os acompanhantes exigiram que o Dr. Miguel parasse o atendimento que estava realizando para atender a moça, porém, como foi constatado que a moça não fora feliz em seu intento suicida - tendo apenas riscado o braço com algum objeto cortante - o médico continuou o atendimento do primeiro paciente. Os dois rapazes partiram para cima do médico dando-lhe socos e chutes, depois de apartados pelo motorista da ambulância e duas auxiliares de enfermagem, os agressores partiram dizendo que voltariam para matá-lo.

A moça que permaneceu todo o tempo "desfalecida", quando percebeu a confusão, saiu correndo; os agressores, de aproximadamente 22 anos, saíram em seguida e entraram num veículo Astra. Segundo testemunhas que estavam no Pronto Atendimento e os vizinhos, a moça estava de biquine, um indício de que provavelmente estivessem passando o final de semana em alguma das chácara da região de Brigadeiro Tobias.

A polícia demorou cerca 30 minutos para chegar ao local, o que deixou o restante dos funcionários com grande sensação de insegurança. Sempre houve um Guarda Municipal de plantão na unidade e outro no Casarão de Brigadeiro Tobias, no passado várias brigas e agressões puderam ser impedidas, entretanto, no final do ano passado, a Prefeitura resolveu retirar os GMs do PA. O fato mostrou que toda a população do bairro esta vulnerável, Brigadeiro Tobias é um bairro bastante afastado e mesmo assim não fica nenhuma viatura da PM ou da Guarda Municipal.

O Dr. Miguel Estaregui é muito querido no bairro e a população fez circular uma lista de assinatura, pedindo para que a Prefeitura tome providências.

A "ditabranda"

Prezado senhor,

dentre suas muitas atividades, é ao membro do Conselho Editorial da Folha de S. Paulo que me dirijo.

E o faço na condição de cidadão brasileiro indignado com o falseamento da verdade histórica no editorial Limites a Chávez, de 17/02/2009, quando o regime despótico de 1964/85 recebeu a designação mistificadora de "ditabranda", um escárnio para todos que padecemos sob o pior totalitarismo que este país já conheceu, responsável pela tortura de dezenas de milhares de cidadãos, pelo assassinato de centenas de resistentes (desde os que não suportaram as sevícias até os capturados com vida e friamente executados), por estupros e por ocultação de cadáveres, além de um sem-número de violações dos direitos constitucionais dos brasileiros.

Falo também como vítima direta dessa ditadura, já que fui sequestrado, torturado, lesionado para sempre e coagido a participar de uma farsa televisiva altamente lesiva à minha imagem.

E, ainda, como leitor da Folha a quem é sistematicamente escamoteado o direito de resposta e de apresentação do "outro lado", seja com a concessão de espaços ínfimos no Painel do Leitor para repor a verdade dos fatos em episódios nos quais as versões deformadas ou falaciosas tiveram grande destaque editorial, seja com a total desconsideração por minhas mensagens.

É o que acaba de acontecer, pois a Folha ignorou olimpicamente minha mensagem de crítica ao lançamento do neologismo "ditabranda", meu protesto ao ombudsman (que nada respondeu) e minha mensagem de crítica ao ataque descabido da redação a dois ilustres defensores dos direitos humanos.

Venho reiterar que a Folha deve aos brasileiros um editorial esclarecendo exatamente qual é a sua posição sobre a ditadura dos generais, pois um assunto de tamanha gravidade não pode ser tratado de forma tão apressada e superficial como o foi no editorial de 17/02 e nas notas da redação de 19/02 e 20/02.

E também que deve desculpas aos professores Fábio Konder Comparato e Maria Vitória Benevides, pois é simplesmente ridícula a presunção de que, antes de se pronunciarem sobre a ditadura que vitimou seu país, eles seriam obrigados a um posicionamento público sobre os regimes políticos de outras nações.

A Folha não incidiu apenas no erro da falta de cordialidade, como pretende o ombudsman, mas fez acusações insustentáveis contra dois cidadãos respeitados e ofendeu a inteligência dos seus leitores, ao misturar tão grosseiramente alhos com bugalhos, na linha do besteirol característico de sites fascistas como o Ternuma.

Se a Folha agora quer ter rabo preso com a extrema-direita, que, pelo menos, o assuma francamente. Caso contrário, que reconheça, também francamente, ter incidido em excessos que não definem sua verdadeira posição.

O que não pode é, simplesmente, encerrar de forma unilateral um debate que desnecessariamente provocou e agora se voltou contra si, deixando de dar satisfações e esclarecimentos aos leitores que sentiram-se atingidos por seus textos.

Sem mais,

CELSO LUNGARETTI

Autor do livro "Náufrago da Utopia", participou da resistência à ditadura militar, como ativista do movimento secundarista (1967/68) e militante da Vanguarda Popular Revolucionária (1969/70).

fonte: blog Náufrago da Utopia

23 fevereiro, 2009

Ainda sobre os novos cargos na câmara de vereadores

Os leitores José e Márcia Regina questionam a posição do blog sobre a criação de 26 novos cargos na câmara de vereadores em Sorocaba.

O blog já havia se manifestado no post "Farra do boi na câmara de vereadores".

Acredito que o título da postagem fale por si.

Os leitores também questionam a posição do vereadores do PT, Izídio e França, que votaram a favor do projeto.

Para responder, li o capítulo I do Capital, fiz algumas pesquisas em Gramsci e descobri o seguinte: foi por safadeza mesmo. Oportunismo puro.

Posso garantir que a maioria dos petistas é contra tal situação.

Entidades estudantis representaram junto ao Ministéorio Público pela abertura de inquérito civil público para investigar possível ato de improbidade administrativa. No documento, os líderes estudantis Gilson Amaro de Freitas, do diretório central da Universidade de Sorocaba (Uniso), e Marcos Roberto Coelho, do centro acadêmico de Direito da Universidade Paulista (Unip), alegam que o ato da Câmara feriu os princípios da moralidade, impessoalidade, legalidade e eficiência da administração pública, previstos na Constituição Federal. (fonte: G1)

Gilson é do PSOL. Marcos Roberto, o Latino, é do PT.

Ou seja, nem tudo está perdido.

De qualquer forma, mandei um e-mail para o Izídio, para o França e para o Paulo Henrique (presidente do PT), nos seguintes termos:

Companheiro:

Por que você foi favorável a criação de 26 novos cargos na câmara de vereadores?

Por acaso fumou maconha estragada?

Aguardo sua resposta

Carinhosamente

Reinaldo

Se algum deles responder, publico aqui.

19 fevereiro, 2009

No carnaval, esperança
Que gente longe viva na lembrança
Que gente triste possa entrar na dança
Que gente grande saiba ser criança...

18 fevereiro, 2009

Izídio quer suspensão do IPTU e das taxas de água e esgoto para desempregados

O vereador Izídio Correia (PT) protocolou dois requerimentos solicitando ao Prefeito Vitor Lippi a suspensão, por seis meses, do pagamento do IPTU e das taxas de água e esgoto para aqueles trabalhadores "que perderam seus empregos por conta da crise econômica". Estas foram as primeiras medidas tomadas pela bancada do Partido dos Trabalhadores após a audiência pública, convocada pelo vereador Hélio Godoy, realizada na Câmara dos Vereadores de Sorocaba, no último dia 16, que debateu a crise econômica internacional.

Naquela oportunidade, os professores doutores em Economia da Universidade de Sorocaba, Ludwig Plata e Flaviano Lima expuseram em detalhes – para uma platéia composta por menos da metade dos vereadores que compõem a Câmara Municipal – as raízes e desdobramentos da crise que teve sua origem nos empréstimos imobiliários de baixa segurança (subprime) nos Estados Unidos. Plata apresentou dados e expectativas de crescimento para este ano: a economia mundial deve crescer em torno de 3%; o Brasil deve acompanhar este índice, mas os EUA não devem passar de 1,7%.

O professor Flaviano Lima trouxe números de Sorocaba. O PIB da cidade está em torno de R$ 12 bilhões, alavancado principalmente pelos setores de serviços e indústria. E propôs a criação de um grupo local, reunindo sindicatos de trabalhadores, empresários, universidades e poder público, para monitorar os desdobramentos da crise econômica. Lima elogiou a forma como o governo federal vem enfrentando a crise.

17 fevereiro, 2009

El Pais: " Lula es un geneo"

ANÁLISISY
Lula se ‘comió′ a la oposición
[Lula comeu a oposição]
JUAN ARIAS 16/02/2009
En la política brasileña se ha producido un fenómeno único en América Latina y quizás en el mundo: el carismático presidente de la República, Luiz Inácio Lula da Silva, y su Ejecutivo, que gozan de un 84% de popularidad tras seis años de Gobierno, se han comido a la oposición. Y no lo han hecho con métodos antidemocráticos, sino apropiándose de sus banderas.
Ya se sabía que Lula es un genio político, que ha sabido vencer las reticencias en el seno de su propio partido, el Partido de los Trabajadores (PT); de hecho, se dispone a elegir a una mujer, la ministra Dilma Rousseff, como su sucesora en la candidatura a la presidencia en 2010, a pesar de que nunca ha disputado unas elecciones y no es un personaje excesivamente grato para el PT.
Pero lo que nadie imaginó jamás es que sería capaz de eliminar democráticamente a la oposición. Tanto a la de derechas como a la de izquierdas.
¿Cómo lo ha conseguido? Con una política que, poco a poco, ha ido segando la hierba bajo los pies de sus opositores. A la derecha le ha cortado las alas mediante una política macroeconómica neoliberal que le está proporcionando buenos resultados en estos momentos de crisis financiera mundial gracias a las reservas acumuladas.
Al mismo tiempo, ha puesto coto a las ínfulas de algunos de los movimientos sociales más radicales, como el de los Sin Tierra (MST), cuyas acciones ha criticado tachándolas de ilegales y a quienes ha conminado a respetar la ley vigente. Y también ha mantenido una política medioambiental más bien conservadora, algo que agrada a los terratenientes y grandes exportadores, que forman el núcleo más derechista del Parlamento.
También ha frenado a las izquierdas. Ha conseguido acallar a la izquierda minoritaria con una política volcada en las capas más pobres del país, que ha hecho que seis millones de familias hayan pasado a las filas de la clase media baja y abandonado su estado de miseria atávica. Ha abierto el crédito a los pobres, que ahora, con sólo cuatro euros, pueden abrir una cuenta en el banco y tener una tarjeta de crédito, lo que les convierte en partícipes de la rueda de la economía nacional.
[...]
Pero todo ello choca con el muro de la dialéctica política de Lula: su carisma acaba neutralizando incluso a quienes antaño fueron sus mayores antagonistas.
Leia no El Pais

16 fevereiro, 2009

Um ilustre "refugiado" político

Não visitava Brasília havia mais de trinta anos. Voltei para o Distrito Federal em 2002, convidado pelo Correio Braziliense para escrever um texto sobre o biênio 68/69, quando morei na Capital e fui estudante de um colégio de aplicação, o extinto CIEM.

Estava ansioso para rever os lugares que havia frequentado; a cidade, que na década de 60 suscitava medo e angústia, agora era um espaço de liberdade, sem os ameaçadores tanques do exército e viaturas policiais que circulavam nos Eixos, na estação rodoviária, na entrada do campus da Universidade de Brasília.

Antes de irmos para o hotel, meu amigo do Correio deu uma volta pelo Plano Piloto. Me lembrei do poema Brasília enigmática, de Nicolas Behr:

Brasília, faltam exatos 3.232 dias
para o nosso acerto de contas

me deves um poema
te devo um olhar terno

na beira do paranoá pego um pedaço de pau
entre um pneu velho e um peixe morto
(uma garça por testemunha)

não me reconheces
não te reconheço.

Não me reconheces, não te reconheço. E então paramos diante do Lago Norte, de onde avistei a cidade que escondia sua periferia pobre: as outras cidades habitadas pelos filhos e netos de imigrantes que construíram a NOVACAP. Quase não reconheço a Brasília da década de 60, mas minha memória girava e dava cambalhotas e eu podia rever cenas de brutalidade e terror.

De longe, eu contemplava a Asa Norte quando notei, perto da beira do lago, uma figura sentada entre dois homens altos e fortes. Me aproximei da beira e olhei o ombro caído e a cabeçorra de um homem muito idoso. Um velho magro, sentado numa cadeira de rodas, contemplando um lago. Era um quadro quase sublime, um desses quadros que inspiram um poema sobre a decadência, o fim, a fugacidade de tudo. Perguntei ao meu amigo quem era aquele pobre ancião.

Você quer saber?

Claro, respondi.

É Alfredo Stroessner, nosso mais ilustre refugiado político, respondeu meu amigo.

Senti um calafrio. Pensava que era apenas um lance de humor do meu amigo. Mas não. Ali estava ele, o personagem em carne e osso, um dos ditadores mais sanguinários desta América.

Ele contemplava a água calma do lago, como se a superfície escura refletisse o passado glorioso do homem agora sentado, um passado encharcado de sangue e sofrimento. Sangue e sofrimento do povo paraguaio.

Antes de escrever esta crônica, li alguns artigos sobre a investigação dos crimes de Alfredo Stroessner, que governou seu país no período de 1954 a 1989. O relatório da Comissão de Verdade e Justiça, presidida pelo bispo católico Mario Medina é um inventário de atrocidades: 128 mil vítimas de perseguições, quase 20 mil registros de tortura e detenções arbitrárias, mais de 3 mil exílios forçados, além de centenas, talvez milhares de mortos e desaparecidos.

Lembrei da leitura de Yo el Supremo, de Augusto Roa Bastos, um dos mais importantes romances históricos da América Latina. A loucura feroz e homicida do ditador Gaspar Rodrígues de Francia só encontra paralelo no poder tirânico, absoluto e não menos homicida de Alfredo Stroessner. Yo el Supremo é ambientado na primeira metade do século 19, mas pode ser lido como se estivesse situado no longo e terrível governo de Stroessner, reeleito várias vezes presidente em eleições fraudadas pelo partido Colorado, que era um grotesco arremedo de uma agremiação política democrática. Por isso o livro de Roa Bastos foi proibido no Paraguai e na Argentina, quando esses dois países foram governados por ditadores.

O velho sentado numa cadeira de rodas pensava nos milhares de paraguaios assassinados, torturados, exilados? Nos índios e fazendeiros cujas terras foram usurpadas e doadas aos amigos do ditador? Ou pensava com nostalgia no tempo em que Ele, o Supremo, era o próprio Estado e seu aparelho repressivo? O Estado que, este sim, é o supremo terrorista da era moderna, capaz de assassinar deliberadamente crianças, mulheres e civis indefesos. Não por acaso os arquivos descobertos depois que Stroessner deixou o poder são conhecidos como "Os arquivos do terror".

Alfredo Stroessner contemplava todas as manhãs o Lago Norte. Ele morou quase 17 anos em Brasília, onde morreu no dia 16 de agosto de 2006. Não sei se dormia com sonhos nostálgicos do poder tirânico, ou se despertava com os gritos de homens e mulheres torturados pelos subordinados do ditador.

Aos leitores que desconheciam a longa e tranquila temporada desse ilustre senhor em Brasília, convém lembrar que, em 1989, o governo brasileiro concedeu abrigo político a Alfredo Stroessner. Não sei se isso aconteceu no governo Sarney ou Collor, mas isso tem alguma importância? Isso muda o nosso pendor à bondade e à política de boa vizinhança?

Milton Hatoum é escritor, autor dos romances Órfãos do Eldorado, Dois Irmãos, Relato de um Certo Oriente e Cinzas do Norte.

Publicado em Terra Magazine

11 fevereiro, 2009

Algo de podre no reino da dinamarca serrista

Policial civil denuncia "cupula" da Policia
AE - Agencia Estado

O investigador Augusto Pena acusou 20 policiais civis de corrupção em seu depoimento aos promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em Guarulhos (SP). Preso desde maio de 2008 sob a acusação de achacar lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), o policial resolveu depor em troca de possível delação premiada, o que reduziria sua pena.

O policial contou que era o responsável por distribuir o dinheiro arrecadado pelo esquema criminoso e disse que foi ameaçado por um delegado, que teria tentado comprar seu silêncio. Ontem, Pena acusou o ex-secretário adjunto da Segurança Pública Lauro Malheiros Neto de receber propina dentro de seu gabinete. O dinheiro serviu para que fosse anulado o processo administrativo que levou à expulsão de três policiais civis do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic).

MP estuda ação contra secretários

O procurador-geral de Justiça, Fernando Grella Vieira, admite que pode investigar os gastos com operações policiais reservadas realizadas no primeiro semestre do ano passado pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Bretas Marzagão. O antecessor de Marzagão na pasta, Saulo Abreu, também pode ser investigado. Grella Vieira disse que está tomando providências sobre o assunto. “Preciso de mais detalhes para decidir se vamos ou não instaurar um procedimento. Tanto Saulo quanto Marzagão podem ser investigados”, afirmou

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) convocou Marzagão para explicar as despesas. Assinado pelo conselheiro Eduardo Bittencourt Carvalho, o despacho foi publicado ontem no Diário Oficial do Estado e dá 15 dias para Marzagão se apresentar. A convocação, inédita na história recente, foi motivada por reportagens publicadas em dezembro pelo Estado.

O gabinete de Marzagão gastou em dinheiro vivo mais do que foi destinado a operações policiais reservadas do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Corregedoria da Polícia Civil. Tudo isso sem efetuar prisão, infiltração no crime organizado ou instaurar inquérito. Ontem, o secretário disse que prestará os esclarecimentos ao TCE. Na convocação, ressalta-se que a chefia de gabinete da secretaria é um órgão político e não de execução, o que impediria despesas sem identificação.

Entre as compras efetuadas pelo departamento constam aparelhos de ginástica.

Nessa rubrica, a gestão de Abreu gastou R$ 2,2 milhões e a de Marzagão, R$ 479 mil.

10 fevereiro, 2009

Sugestão de Leitura

Imprescindível, para todos os interessados no futuro da humanidade, a leitura de dois artigos publicados pela Agencia Carta Maior.

Em "Solução neokeynesiana e novo Bretton Woods são fantasias", István Mészàros, um dos principais pensadores marxistas da atualidade, analisa a crise econômica mundial e critica aqueles que apostam que ela será resolvida trazendo de volta as idéias keynesianas e a regulação. "É uma fantasia que uma solução neo-keynesiana e um novo Bretton Woods resolveriam qualquer dos problemas dos dias atuais", defende Mészàros. Para ele, estamos vivendo a maior crise na história humana, em todos os sentidos.

Já em "Dentro da noite veloz: um balanço do FSM de Belém", Raphael Fernandes Alvarenga, doutor em Filosofia pela Université Catholique de Louvain, aponta que não compreendermos a superação da sociedade atual como um imperativo histórico, envelheceremos mais uma geração e aí talvez já será tarde demais. Esperemos que o FSM se firme como um espaço no qual mulheres e homens possam dar uma expressão política a seus interesses, aspirações existenciais e potenciais rebeldes.

08 fevereiro, 2009

Battisti e El Negro

Após a imprensa paulista ter criticado duramente o governo brasileiro por conceder status de perseguido político ao militante comunista Cesare Battisti, a polícia de São Paulo é quem tem que dar explicações, falo sobre o asilo que deu ao traficante mais procurado pela Interpol, o mexicano Carlos Ruiz Santamaría.

A imprensa europeia esta cobrindo com bastante alarde o caso. Gostaria de saber o que dirá, agora, a Imprensa da Chuiça (São Paulo).

Quem é que envergonha o Brasil lá fora, Tarso Genro ou José Serra?

Traficante internacional obtém asilo em São Paulo

A polícia de São Paulo, pelo que tudo indica, protegeu da Interpol o traficante mexicano Carlos Ruiz Santamaría, conhecido na Espanha como El Negro. Santamaría era furagido da justiça espanhola, desde sua condenação pelo envolvimento na maior rota de transporte de drogas para a Europa.

Em Abril de 2008 El Negro foi "preso" pelo Denarc (Dep. de Investigações sobre Narcóticos)portando 60 comprimidos de ecstasy e foi apresentado à justiça como Manoel Oliveira Ortiz, um mineiro de Borda da Mata.

El Negro teria dado uma de mané, ou melhor, de mané-mineiro, e na melhor das hipoteses enganou a polícia paulista.

Após nove meses de residência no CDP de Pinheiros, um policial do Deic (Del. de Investigações Criminais), que investigava lavagem de dinheiro, chegou até Manoel Ortiz e desconfiou da nacionalidade do prisioneiro, principalmente deóis de ao ouvir El Negro contar histórias sobre seu "niño".

O Deic fez o que o Denarc deveria ter feito, ou seja, investigou o caso e descobriu que Santamaría portava documentos falsos no momento de sua prisão e, em seus vários interrogatórios, o advogado teria declarado que ele só falaria na presença de um juiz.

Mesmo com a descoberta tendo sido feita pela própria polícia paulista, é muito difícil acreditar que os policiais que efetuaram a prisão foram apenas incompetentes. É difícil acreditar que o escrivão de polícia, o delegado e os carcereiros, não tenham desconfiado que sotaque não era de Minas, por outro lado, se é verdade que Santamaría permaneceu todo esse tempo completamente mudo, é ainda mais difícil acreditar que nenhum policial tenha desconfiado desse fato.

Conforme apurou o Jornal da Tarde (do último dia sete), Santamaria era sócio do traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía.

Sua ligação com o traficante colombiano gera ainda mais desconfiança, pois, policiais de São Paulo foram acusados de colaborar com Abadia e fazer vista grossa para a sua quadrilha, que atuou livremente em São Paulo por mais dois anos. O próprio Abadía, depois de preso pela Policia Federal, afirmou que a melhor forma de acabar com o crime em São Paulo seria fechando o Denarc. Agora, a polícia de São Paulo mantém em seu poder o traficante mais procurado pela Interpol durante nove meses, seria muito otimismo acreditar que foi apenas incompetência.

El Negro, ou El minerito, como prefere a competente polícia paulista, mantinha na Espanha, uma base para distribuição de cocaína em toda a Europa, sendo ainda o responsável pela cotação do preço da droga no continente.

06 fevereiro, 2009

Máfia da merenda ataca em SP

JORNAL DE BRASILIA - Além de oferecer comida de má qualidade, esquema direcionava licitações

O Ministério Público (MP) de São Paulo vai encaminhar até a próxima terça-feira uma recomendação à Prefeitura da capital paulista para que suspenda os contratos de fornecimento de merenda escolar firmados em 2006. Segundo o MP, há suspeita de irregularidades. O esquema, apelidado de "máfia da merenda", teria fraudado diversas licitações.
O promotor Silvio Antonio Marques, da Promotoria do Patrimônio Público e Social, afirmou ontem que quer que o Poder Municipal deixe de lado a terceirização e reassuma o serviço. "Vamos dar à Prefeitura a oportunidade de acabar com essa sangria do dinheiro público", disse Marques, ao se referir às suspeitas de conluio e pagamento de propina envolvendo fornecedores e funcionários públicos.
O promotor ponderou que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) pode não aceitar a recomendação. Nesse caso, a promotoria tomaria outras medidas para suspender a terceirização da merenda. Marques não detalhou, no entanto, quais medidas pretende tomar em caso de negativa da Prefeitura. O prazo para que o município reassuma o serviço deve ser de 45 dias.
Ontem, Kassab defendeu a terceirização em uma entrevista coletiva. "As informações de pais, professores e alunos apontam que a qualidade da merenda é satisfatória", disse.
Esquema replicado
O MP na capital encaminhou informações sobre o suposto esquema para pelo menos vinte outras promotorias do Estado e suspeita de irregularidades semelhantes no fornecimento de merenda escolar no Rio Grande do Sul.
Até agora, foram ouvidas pelo MP e pela polícia oito pessoas. Marques disse que pretende convocar no mínimo mais cinco para prestar depoimento. Entre elas, estão o atual secretário municipal da Saúde e ex-secretário de Gestão, Januário Montone, e secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider.
Indícios de conluio
A Secretaria de Direito Econômico (SDE), braço do Ministério da Justiça especializado na defesa da concorrência, também emitiu parecer em que apontava "fortes indícios de conluio entre os licitantes do setor de merenda escolar" em São Paulo.
Já a investigação da Promotoria de Justiça da Cidadania e do Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (Gedec) do MPE tem como alvo o pregão n° 73/2006. Ao todo, dez empresas apresentaram propostas.
Elas passaram a receber R$ 200 milhões por ano da Prefeitura pelo serviço. A suspeita dos promotores e da SDE, com base em depoimentos de ex-funcionários das fornecedoras e em um estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) contratado pela Secretaria de Gestão, é de que tenha sido montado um cartel (esquema para prejudicar concorrentes) para vencer a licitação.
Também se apura o não cumprimento do contrato, uma vez que a merenda era de baixa qualidade e, às vezes, estava estragada, além do pagamento de propina e benesses a funcionários públicos.

05 fevereiro, 2009

Abaixo-assinado exige redução de IPVA em São Paulo.

O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) está liderando um movimento por redução na cobrança do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) em São Paulo, por meio de um abaixo-assinado pela Internet. A iniciativa tem como objetivo envolver a sociedade na discussão das alíquotas cobradas dos proprietários de veículos pelo governo paulista, que estão entre as mais altas do Brasil.Neste momento, em que a crise econômica mundial começa a afetar a produção e os empregos no país, a proposta de reduzir o peso do imposto tem como argumento não só o benefício aos contribuintes proprietários de carros, mas também a manutenção de postos de trabalho de milhares de brasileiros.
Clique no link abaixo para participar:

Farra do boi na câmara de vereadores

Os 20 vereadores sorocabanos votam, amanhã, um pacotão de projetos que cria 26 novos cargos no Legislativo, com salários que chegam a R$ 10.728,69 (maior que o salário dos próprios vereadores) e aumentam a folha de pagamento da Câmara em R$ 1 milhão por ano.

Votam, também, o reajuste salarial do prefeito Vitor Lippi (PSDB), em 4,37% (de R$ 17.132, 47 para R$ 17.881,16) e o reajuste salarial dos 22 secretários, em 4,37% (de R$ 10.279,48 para R$ 10.728,69). Aliás, é muito mais vantajoso ser prefeito de Sorocaba do que Presidente da República, já que o nosso alcaide recebe um salário maior do que o Presidente Lula.

Os vereadores votam, ainda, a redução da jornada semanal de trabalho, de 35 horas para 30 horas, dos servidores efetivos com nível superior da Casa de Leis.

De fato, esse pessoal trabalha demais.

O projeto é tão generoso que fez o indeciso Crespo abandonar sua vaga de deputado estadual para permanecer vereador.

O jornal Cruzeiro do Sul, a voz da maçonaria, aconselhou Crespo a permanecer vereador, já que como deputado estadual ele estaria condenado ao "ostracismo" político, distante de Sorocaba.

Sim, ser deputado estadual é ser condenado ao ostracismo. E ser vereador em Sorocaba e debater o nome de logradouros públicos com figuras do quilate de Rubi, Cláudio do Sorocaba I, dentre outros, é o ó do borogodó da política sorocabana.


04 fevereiro, 2009


Massacre de Gaza
Pontos de referência essenciais

O martírio da população da Faixa de Gaza tem sido enquadrado por uma orquestração mediática que manipula e desinforma, submerge informação verídica e opinião construtiva, esconde as questões de fundo, banaliza e absolve os piores crimes. Importa por isso não perder de vista pontos de referência fundamentais.
A raiz do conflito. É necessário não esquecer, como pretende a propaganda sionista, que ela reside na expulsão violenta de milhões de palestinianos das suas terras e das suas casas e na transformação da vida das populações dos territórios ocupados num autentico inferno. Enquanto os direitos nacionais do povo palestiniano não forem reconhecidos e respeitados, enquanto não for criado e garantido um Estado palestiniano independente e soberano com capital em Jerusalém, enquanto não forem implementadas as resoluções da ONU sobre a questão palestiniana, não haverá uma paz justa e duradoura na região. As incontáveis «tréguas», «acordos» e «processos de paz» que se têm sucedido, ignorando ou subalternizando sempre esta questão central, só têm servido para consolidar no terreno as posições do ocupante.
Um Estado fora da lei. A coberto de uma fachada interna «democrática» e da manipulação das terríveis perseguições de que os judeus foram vítimas pela Alemanha de Hitler, Israel tornou-se num Estado que viola sistematicamente a legalidade internacional e que, à semelhança do nazismo, recorre a práticas caracterizadas pelo desprezo pela vida humana, a crueldade, a retaliação e perseguição em massa. É necessário chamar as coisas pelos nomes e não fechar os olhos a uma realidade que os massacres de Gaza tão dramaticamente denunciam.
A responsabilidade dos EUA. Fortemente militarizado, com um Exército e serviços secretos sofisticados, dispondo de armas nucleares e químicas nunca declaradas, Israel é entretanto um Estado cujo poder depende dos EUA e a sua criminosa política de terrorismo de Estado é afinal expressão da política terrorista do imperialismo norte-americano. Israel não é mais que uma fortaleza avançada dos EUA para a sua estratégia de domínio do Médio Oriente. A comprová-lo está o acordo entre Israel e os EUA, assinado em plena ofensiva assassina, visando a extensão das operações navais norte-americanas na região, numa escalada agressiva já denunciada pela FDLP e por outras forças progressistas palestinianas.
A cumplicidade da União Europeia. Em ano de eleições para o Parlamento Europeu ganha ainda maior relevância a cumplicidade da UE com os crimes das tropas israelitas. Em plena ofensiva contra Gaza, em lugar da condenação e sanções ao agressor, a UE oferece a Israel o reforço do seu estatuto de associação. E o PE adopta por esmagadora maioria uma resolução que os deputados do PCP não puderam acompanhar por colocar no mesmo plano agressor e agredido, iludir as questões de fundo e pôr a UE uma vez mais a reboque dos EUA.Realidades de sinal contrário
A ONU. Salta à vista a impotência da ONU e a instrumentalização do seu Conselho de Segurança e do seu Secretário-Geral, Ban Ki-moon, um ridículo homem de palha do imperialismo. Situação perigosa recordando o lamentável desempenho da Sociedade das Nações que precedeu a II Guerra Mundial. Simultaneamente, verifica-se também uma realidade de sinal contrário, positiva, que a generalidade da comunicação social silenciou: coragem e dignidade do Presidente da Assembleia-Geral da ONU, Miguel D’Escoto, que, coerente com os valores da revolução sandinista de que foi protagonista destacado, não hesitou em denunciar os crimes dos agressores e em afirmar que «Israel não é mais do que um tentáculo dos EUA nessa parte do mundo». Coragem e dignidade também na Comissão de Direitos Humanos da ONU com uma excelente Resolução exigindo a imediata retirada de Israel da Faixa de Gaza aprovada por 33 votos contra 1 (do Canadá) e 13 abstenções, significativamente de países da UE e outros aliados dos EUA.
Portugal. O seguidismo do Governo do PS em relação aos EUA, à UE e à NATO é uma vergonha. Noticia-se que o Governo não autorizaria a passagem por Portugal de armas para Israel. Mas as Lages lá estão para o que os EUA entenderem necessário às suas «operações encobertas» de subversão e agressão, nomeadamente no Médio Oriente e é cada vez mais frequente, como agora no Afeganistão, a participação das Forças Armadas portuguesas em operações de guerra imperialista.
A luta. Só a luta anti-imperialista, a solidariedade internacionalista, a acção comum ou convergente dos comunistas e de todas as forças do progresso social, pode atar as mãos criminosas dos agressores sionistas e dos seus patrões norte-americanos e europeus. Daí a importância de uma ampla acção de esclarecimento do Partido com a larga difusão dos documentos de denúncia do massacre de Gaza. Daí a necessidade de dar ainda mais força às acções de solidariedade para com a luta do heróico povo palestiniano, nomeadamente à manifestação convocada para sábado em Lisboa.
AlbanoNunes - menbro do PCP

03 fevereiro, 2009

Contribuição para a história do jogo de azar

Do tempo em que a polícia prendia e o juiz soltava...

A policia, iniciando salutar campanha contra o jogo, fez apprehensão de muitas machinas das chamadas (e já celebres) "papa-nickeis"arapuca temível armada aos incautos.

Algumas pessoas, em cuja posse se achavam os perigosos apparelhos, pediram que estes lhes fossem restituídos, allegando não serem de sua propriedade e apenas alugados.

Não attendidos pela policia, requereram e obtiveram do juiz competente mandato de manutenção de posse.

A policia resolveu, porém, desrespeitar a determinação judiciária [...]

Transcrito do Jornal "O Commercio de São Paulo", 23 de Janeiro de 1914

30 janeiro, 2009

Por outro lado...

Chico de Oliveira torce por aggiornamento do projeto petista para a sociedade brasileira.

O sociólogo, companheiro de Celso Furtado no início da Sudene, fundador do PT e do PSOL, hoje um analista mordaz de ambos com reflexões que incomodam mas não são ignoradas, resume as esperanças –“talvez fosse melhor dizer a torcida”, retifica— em relação ao papel que a esquerda brasileira, especificamente o PT, poderá jogar diante do que classifica como a “primeira grande crise da globalização capitalista”.

“Aproveitai as riquezas da iniqüidade, aproveitai”, acentua o sociólogo, doutor honoris causa pela USP e pela UFRJ. Chico adiciona à evocação de São Paulo um sentido de engajamento que resume a brecha diante da qual, à moda gramsciana - cético na razão, otimista na ação, torce por um aggiornamento do projeto petista para a sociedade brasileira.

“Naturalmente, todas as outras crises foram globais devido ao peso da centralidade capitalista no processo, mas essa”, observa com entusiasmo intelectual na voz, “é a primeira crise da globalização do capital; uma crise de realização do valor que tem na derrocada financeira sua epiderme mais visível, mas não a essencial”.

O cerne do colapso sistêmico decorreria, no seu entender, da fantástica ampliação da fronteira da mais-valia nos últimos 20 anos. “Oitocentos milhões de pares de braços foram incorporados ao mercado de trabalho mundial com o avanço econômico da China e da Índia”, dimensiona. A riqueza produzida por esse perímetro dilatado da exploração capitalista –“que alia salários miseráveis à tecnologia de ponta”-- agregaria ao sistema “uma usina de extração de mais-valia relativa de proporções inauditas”. Um fluxo incapaz de se realizar nos mercados de origem, “onde é muito baixo o custo de reprodução da mão-de-obra”.

O sociólogo extrai daí a convicção de que se trata de uma crise do modo de produção no apogeu da globalização capitalista. Não apenas uma derrapada na gestão financeira do sistema, como acreditariam analistas da própria esquerda. Se a potencialização da mais-valia gerou sobras de capital na periferia para sustentar o déficit norte-americano –a China tem US$ 1,1 trilhão investido em títulos do Tesouro - e barateou o consumo no coração do império, numa endogamia até certo ponto vitoriosa, por outro lado não elevou os salários de ricos, nem de pobres. Ao contrário, depauperou o mundo do trabalho urbi e orbe. “A quebradeira imobiliária é um sintoma dessa contradição clássica, amplificada, entre a globalização do valor e a impossibilidade de realizá-lo na mesma escala porque não há poder aquisitivo equivalente, nem na periferia nem no núcleo do sistema”, reafirma.

Chico pede calma ao entusiasmo afoito; não, ele não antevê um horizonte de derrocada final do capitalismo –“não se destrói o capitalismo, o capitalismo se supera”, reporta a Marx. Mas os dias que correm sinalizariam no seu entender uma inegável e brutal reacomodação de forças em escala planetária; aquilo que, insiste, será periodizado no futuro como a primeira grande crise da globalização capitalista. É aí que enxerga um hiato no hegemon norte-americano. A trinca descortina também uma fresta de esperança política —“torcida”, como ele prefere-- em seu ceticismo intelectual. É através dela que Chico contempla a oportunidade crucial para o país, para a esquerda e para o PT –“aproveitai as riquezas da iniqüidade, aproveitai ...”

O hiato de reacomodação capitalista que se abre agora, ao contrário, reservaria à esquerda, no seu entendimento, uma paradoxal possibilidade de repetir a história modernizante , mas não como farsa –“o que seria uma tragédia”-- e sim como ousadia e criatividade condensadas em um projeto democrático popular. “Trata-se de recriar um 1930 do século XXI”. A alegoria serve apenas para resumir o torque que se cobra das forças dispostas a superar a crise como requisito obrigatório para derrotar a coalização conservadora liderada pelo PSDB em 2010. “Na grande crise capitalista de 1930 tivemos uma reordenação do desenvolvimento brasileiro enfiada goela abaixo da plutocracia paulista”, lembra Chico de Oliveira para dar o crédito à visão de estadista de Getúlio Vargas. “Aquele foi um projeto arquiteto por cima; desta vez trata-se de fazer uma reordenação tão profunda,ou maior; mas induzida por baixo, pelas forças sociais da base da sociedade brasileira em nosso tempo”.

O PT, no seu entender, seria o operador desse aggiornamento histórico do desenvolvimento. “É quem dispõe de massa e de liderança, enquanto os demais agrupamentos socialistas constituiriam a ponta de lança instigadora do processo”. Em defesa provocativa dessa tese, o sociólogo exemplifica cobrando a metamorfose daquilo que já caracterizou, no calor do debate político, como “uma nova classe”: “O PT tem a força sindical; a estrutura sindical tem todos os fundos de pensão sob seu controle”, cutuca. A chance de emancipação do país na atual crise seria uma inusitada demonstração de competência e ousadia política da esquerda na canalização de fundos públicos para deflagrar um ciclo inédito de investimento pesado na economia. “Falo em se criar algo como cinco EMBRAERs por ano; acelerar o crescimento e dar um novo rumo à economia e à sociedade”, entusiasma-se no seu raciocínio. “Se um estancieiro gaúcho fez isso na crise de 1930 porque uma Dilma, que honestamente só conheço através da má vontade explícita da mídia; ou, quem sabe, um Gabrielli (presidente da Petrobrás), não poderiam ser instrumentalizados para fazê-lo na crise atual?”. A pergunta recebe da mesma voz uma ponderação pausada: “Devemos tratar essa possibilidade com uma discussão ampla e aberta; não oficialista, tampouco sectária, menos ainda cravejada de acusações entre petistas e não petistas. O que está em jogo é uma reacomodação brutal de forças; se ela devolver o poder aos tucanos aí sim estaremos fritos: eles ficarão aí mais dez anos”.

leia a íntegra da entrevista do sociólogo Chico de Oliveira

Inverteram a última tese de Marx sobre Feuerbach

O ministro Tarso Genro diagnosticou outro dia na Folha de S.Paulo (Fala D'Alema) a anemia orgânica e intelectual da esquerda diante da crise econômica planetária. O diagnóstico foi certeiro. Os críticos do liberalismo e do imperialismo ("globalização") não poderiam sonhar com um cenário mais favorável: a desregulamentação do capitalismo e a atrofia do Estado não conduziram a humanidade ao paraíso prometido nos anos todos em que a liberdade do capital foi entronizada como dogma número zero da civilização.

Entretanto, apesar das excepcionais condições objetivas, faltam as subjetivas. A esquerda parece contentar-se com o prazer de ver o adversário intelectualmente na lona. Satisfaz-se com o "eu bem que avisei". Propostas? Alternativas? Só nos limites do keynesianismo. O sujeito se levanta, incha a veia do pescoço, proclama a crise do "neoliberalismo" e da "globalização" e apresenta sua plataforma revolucionária: aumentar o investimento público. Parece pouco? É pouco. E isso quando a fórmula não vem acompanhada da liberalíssima "necessidade imperiosa de reduzir impostos". Daí que pessoas com ambições políticas e intelectuais além da média -como é o caso do ministro Tarso Genro- possam estar frustradas. Aliás, a crítica dele fez-me lembrar da décima-primeira e última tese de Karl Marx sobre Ludwig Feuerbach (o da foto). A tese é de Marx, mas quem a incluiu nas obras do filósofo alemão foi seu parceiro, Friedrich Engels:

"Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo [o mundo]."

O que mais se vê hoje em dia é gente usando o brochinho do teutônico mas tocando a vida como se a tese tivesse sido escrita ao contrário. Antes, tratava-se de transformar o mundo. Agora, diante da suposta impossibilidade de mudar o mundo, o prazer está em interpretá-lo. Daí a satisfação em poder dizer o "eu não disse?". Por que eu falo sobre a "impossibilidade" de mudar o mundo? O PT travou ao longo de anos uma feroz luta política em torno da reforma agrária. Sempre ressaltou que a concentração da propriedade fundiária no Brasil era um dos pilares da nossa cruel (falta de) distribuição de renda. Quando o PT estava na oposição, atacava sistematicamente os governos por distribuírem pouca terra, ajudando a perpetuar o latifúndio. Bem, o PT chegou ao governo e sua política agrária em nada difere do que vinha sendo feito antes. Distribui uma terrinha aqui e ali, enquanto promove a renegociação amiga das dívidas dos grandes proprietários rurais e é sócio da modernização conservadora, cujo exemplo mais emblemático é a indústria do etanol de cana-de-açúcar.

Eu conheço esse pessoal há mais de trinta anos, e sei desde lá atrás que eles não dão a mínima para a reforma agrária. Que sempre a consideraram uma reivindicação pequeno-burguesa, superada historicamente pelo avanço do capitalismo no campo brasileiro, em parceria com a grande propriedade (via prussiana). Daí que eu não tenha me decepcionado, como se decepcionou por exemplo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST):

"O presidente [Luiz Inácio] Lula [da Silva] diz por aí que ele é um aliado dos sem-terra. E também que é aliado dos latifundiários e do agronegócio. Então ele não é amigo de ninguém, ele é amigo dele mesmo. Ele não é nosso inimigo, mas também não é nosso amigo. Nós não convidamos o governo Lula para nossa festa porque vamos evitar constrangimentos."

A declaração é de João Paulo Rodrigues, da liderança nacional do MST. A festa de que ele fala? O Encontro Nacional da organização camponesa. Pois é, o radicalismo "socialista" dos críticos da reforma agrária nos anos 70 do século passado acabou nisto: na sociedade com o latifúndio capitalista. Ainda sobre a reforma agrária, é sintomático que o ministro de Lula mais preocupado com o assunto não seja nenhum petista, mas Roberto Mangabeira Unger. Que parece conhecer a importância de expandir a fronteira agrícola e ocupar os limites do Brasil com base na agricultura familiar. Escrevo aqui sobre a reforma agrária, mas poderia escrever sobre os bancos. Sobre a impotência governamental diante do oligopólio financeiro e da drenagem que o cartel promove na riqueza nacional. Ou poderia escrever sobre o contraste entre as declarações bombásticas de soberania e a submissão às pressões internacionais pela demarcação irracional de terras indígenas em área de fronteira. Ou sobre a ausência de uma reforma urbana. Quase uma década de governo petista terá se passado sem que o país progrida na democratização da propriedade nas cidades. Vejam que, exceto a demarcação das terras indígenas (assunto em que o ministro Tarso e eu temos posições bastante diferentes), são todos assuntos da agenda do PT na oposição. Eu faço este blog desde meados de 2005, quando voltei ao jornalismo depois de mais de uma década de "exílio interno". Sempre escrevi aqui que Lula faz um bom governo. Mas para a biografia dos protagonistas talvez seja insuficiente. Daí que de vez em quando certos assuntos saltem para a agenda, como que saídos do nada. É o caso do caso Cesare Battisti. Outro exemplo é o desejo recorrente de reinterpretar o alcance da Lei de Anistia.

As coisas se passam como se de tempos em tempos, por espasmos, o presente se esforçasse para encontrar algum elo com o passado, para desesperadamente agarrar a mão do acrobata que balança no trampolim acima. Mas esse esforço de "coerência" só é visto em assuntos laterais. Ainda que úteis, nas circunstâncias. O governo Lula agora investiu mais de R$ 70 milhões no Fórum Social Mundial que acontece em Belém do Pará. O governo Lula nada tem a apresentar ali em assuntos como a reforma agrária, a reforma urbana ou o controle do sistema financeiro. Então, vai falar da punição aos torturadores e do refúgio concedido a Cesare Battisti. Ou, talvez, de como a aliança com o fundamentalismo religioso pode ser um caminho para o socialismo -por representar, quem sabe?, o elo mais fraco na cadeia imperialista. Não deixa de ser uma saída. Momentânea, mas certamente uma saída. Especialmente para quem se especializou em ler ao contrário a última tese de Marx (ou de Engels) sobre Feuerbach.

fonte: Blog do Alon

25 janeiro, 2009

Epitáfio de Rosa Luxemburgo

Aqui jaz

Rosa Luxemburgo,

judia da Polônia,

vanguarda dos operários alemães,

morta por ordem dos opressores.

Oprimidos,

enterrai vossas desavenças!


Bertolt Brecht

Vice-presidente do PT de Pernambuco é assassinado

O vice-presidente do PT pernambucano, Manoel Bezerra de Matos Neto, de 44 anos, foi assassinado no final da noite deste sábado no município de Pitimbu (PB), cidade praieira, que fica a cerca de uma hora de distância de João Pessoa. O petista, que também era advogado, estava com a família descansando na casa da praia, quando dois homens encapuzados entraram e disparam dois tiros à queima-roupa contra ele, um atingiu o peito e o outro a cabeça. Manoel Matos morreu no local.

Para o deputado federal Fernando Ferro (PT), de quem Manoel Bezerra Neto foi assessor, o crime foi encomendado, já que a vítima tinha denunciado grupos de extermínio e vinha recebendo ameaças.

"Ele participou diretamente na construção do dossiê da CPI de combate ao crime organizado em Pernambuco e chegou a denunciar os casos à ONU, que cobrou ações ao governo. Os envolvidos foram presos, alguns indiciados, mas posteriormente foram soltos", declarou Fernando Ferro bastante emocionado.

20 janeiro, 2009

Sobre a indústria automobilística

Empresários do setor automobilístico ameaçam demitir milhares de trabalhadores em razão da crise.

O governo já reduziu impostos e liberou cerca de oito bilhões de reais para financiar a compra de carros novos.

Os trabalhadores, através de seus sindicatos, se dispõe a discutir a redução da jornada de trabalho e dos salários em troca da garantia de emprego.

Todos aguardam a próxima reunião do Conselho de Política Monetária, do Banco Central, que deverá anunciar acentuada queda nas taxas de juros.

Pode parecer pessimismo, mas essas medidas não vão funcionar.

Em 2000 a produção de carros no Brasil era em torno de 1.500.000 unidades.

Em 2008, com quase o mesmo número de metalúrgicos, o país atingiu a cifra de quase 3.000.000 de unidades produzidas.

O mesmo cenário se repete em outros setores da economia.

Não se trata apenas de crise financeira. É o que o velho Marx dizia: crise de superprodução.

Para garantir o emprego dos trabalhadores seria necessário expandir o crédito a limites irreais, fazendo com que a produção atingisse, até 2010, a incrível cifra de 4.000.000 de carros produzidos por ano.

E então viria a crise. Não precisamos de tantos carros novos, não há "consumidores".

A expansão do crédito, nos últimos anos do governo Lula, permitiu o crescimento vertiginoso nas vendas de carros novos e proporcionou lucros fabulosos para as montadoras. Os trabalhadores também ganharam. Um número maior (mas nem tanto) de empregos e melhorias salariais.

Que, salvo engano, desaparecerão agora, tragados pela "crise".

O governo Lula tem boa vontade, deseja proteger os trabalhadores. Mas não é mágico. Prende-se aos limites de um neokeynesianismo messiânico.

Funcionou para os EUA na crise pós-1929. Mas apenas em razão da Segunda Guerra Mundial, que, além de milhões de mortos, arrasou a capacidade industrial da Europa e gerou gastos fantásticos na área militar.

Tal situação não se repetirá no Brasil.

O governo Lula, com muitas dificuldades, conseguirá amenizar os efeitos da crise, mas, em consequência, muito provavelmente, terá sua popularidade abalada, o que abre caminho para um novo governo tucano.

Um novo governo tucano repetirá as políticas neoliberais, possivelmente com maior empenho, e colocará os trabalhadores numa situação de miséria e desemprego tal que fará o governo FHC-II parecer conto de fadas.

Coloca-se para nós, da esquerda, desde já, a velha questão: socialismo ou barbárie.

Qualquer ilusão neokeynesiana atrasará a crise, mas não a impedirá.

Obama e Eliton


Barack Hussein Obama tomou posse hoje como primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

E já demorou para fechar a base militar americana em Gantanamo, para por fim ao embargo econômico imposto contra Cuba e para encerrar as guerras do Iraque e do Afeganistão.

De qualquer forma, faço minha homenagem ao nosso colaborador Eliton.

Há dois anos, parecia inevitável que Hillary Clinton fosse a candidata do Partido Democrata. Nós, Daniel, Eliton e eu, discutíamos se ela poderia ser um pouco melhor do que o eventual candidato republicano. E então, Eliton chamou a atenção para o então obscuro Barack Obama, dizendo que o Bah!Caroço deveria apoiá-lo, por ser mais à esquerda do que Hillary e representar, simbolicamente, um avanço maior.

Sinceramente, naquela época, a vitória de Barack Obama me parecia irreal.

A aposta do Eliton estava certa.

Esperemos que o presidente Obama satisfaça, nem que seja só um pouquinho, as esperanças que a humanidade depositou nele.

Em clima de guerra

Sob o título 12.000 tiros por minuto!, o Jornal Cruzeiro do Sul de 02 de Fevereiro de 1914 publicou um artigo onde noticiava o desenvolvimento de um novo modelo de espingarda, planejada pelo suíço Baugester, radicado nos Estados Unidos, a arma apresentaria uma cadência impressionante para a época:

Ao mesmo tempo que se escuta o ribombar do canhão, falla-se tambem de paz universal.

Quanto mais mortíferos forem os engenhos de guerra, mais de hevitará em declarar a guerra, e assim os pacifistas podem ter o aprazimento de ver que as guerras se vão tornando difíceis.

Um suisso estabelecido em New York, o Sr. Baugester, inventou uma espingarda que pode dar 12.000 tiros por minutos!

[...]

O que será uma guerra com taes espingardas, sobretudo se a esta arma se reunirem os aeroplanos e os dirigíveis carregados de bombas e de outras machinas infernaes...

O jornal esperava que o desenvolvimento de armas cada vez mais destrutivas contribuísse para a pacificação universal: com armamento tão poderoso de ambos os lados os países evitariam deflagrar conflitos armados.

Mas, como armas sempre são feitas para serem usadas, alguns meses depois começaria a 1ª Guerra Mundial.

19 janeiro, 2009

Sobre a extradição de CESARE BATTISTI

Há um artigo interessante do Prof. Dalmo Dallari explicando juridicamente as razões pelas quais Battisti não deve ser extraditado. Está na Folha de São Paulo de hoje.

Por que Cesare Battisti não pode ser extraditado

PARECER DA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS (03/09/2008)

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados manifesta seu apoio ao pedido de Refúgio Político ao CONARE, em que é requerente CESARE BATTISTI. Para melhor justificar as razões que levam este colegiado a compreender que esta é a posição que melhor se alinha com os preceitos do Direito Internacional Público e com os atos multilaterais de Direitos Humanos, faz-se necessário resgatar as circunstâncias histórico-políticas das quais emergiu este caso reconhecidamente complexo:

1. No contexto bipolar da Guerra Fria, Cesare Battisti, então com menos de 20 anos de idade, engajou-se na década de 70 na militância política da esquerda Italiana;

2. É reconhecido como fato histórico que o Estado Italiano exercia um papel persecutório a militantes de esquerda. Francesco Cossiga, ex-Ministro do Interior e Ex-Primeiro Ministro da Itália, durante esse período, foi ferrenho opositor das esquerdas. Décadas depois, Cossiga provocaria "a hostilidade do establisment político e da OTAN ao tornar pública a existência da Operação Gladio e seu papel nessa organização(...)".

3. "Foi apurado que os serviços secretos norte-americanos e da OTAN realizaram atividades terroristas "sob falsa bandeira", causando numerosas vítimas entre a população civil. O objetivo era culpar os grupos de esquerda pelos atos de terror, a fim de incitar a opinião pública contra os comunistas e assim justificar medidas de exceção, por parte do Estado."1 Era a implantação da "Estratégia da tensão". Nesse contexto, de 1969 a 1984, ocorreram diversos atentados na Itália incluídos na estratégia da tensão;

4. Foram editados vários instrumentos normativos de exceção: a Lei Reale, que dá poderes à polícia para que efetue buscas, e a prisão sem mandado judicial apenas por suspeição; a Lei Cossiga, que ampliou para 11 anos a prisão preventiva em casos de subversão, e a criação do programa de arrependimento que conferia impunidade àqueles que "confessassem" e, na prática, incriminassem as pessoas que o Estado Italiano indicasse como culpados; o artigo 270 bis, do Código Penal Italiano que possibilita a acusação de pessoas por participação em movimentos subversivos sem que o Estado necessite provar o alegado;

5. Neste contexto de excepcionalidade política e jurídica, Cesare Battisti foi preso em 1979 e condenado a uma pena de 12 anos e 10 meses, por participação em ações subversivas e contrárias à ordem do Estado. Não lhe foi imputado nenhum homicídio ou ação terrorista, e em sua sentença foi considerado um militante cujas atividades não redundaram em mortes ou em qualquer ato terrorista. Em 1981, Battisti fugiu da prisão. Esteve na França e fugiu para o México onde passou a viver como escritor e editor de uma revista;

6. Em 1982, Pietro Mutti, fundador do PAC (Proletários Armados para o Comunismo), utiliza-se dos benefícios da Lei dos Arrependidos para imputar a Cesare Battisti a responsabilidade pelas atividades do grupo;

7. A partir da Doutrina Mitterrand, que garantia o asilo e a não extradição de perseguidos políticos, Battisti solicitou e obteve asilo na França. Lá constituiu família e continuou a escrever e a denunciar as ações perpetradas pela extrema-direita da Itália, durante os anos de chumbo. A Itália solicitou à França a extradição de Cesare Battisti. O pedido foi denegado;

8. Já com cidadania francesa, Cesare Battisti teve novo pedido de extradição feito pelo governo de Silvio Berlusconi, sob o argumento de que havia sido condenado à prisão perpétua na Itália e à revelia, por homicídios que teria praticado quando integrava o grupo de ações armadas;

9. A imprensa Italiana noticiou que o Governo Francês teria trocado a extradição dos refugiados políticos italianos pelo voto da Itália no Tratado Constitucional Europeu, pela autorização de que a TGV operasse no trecho Lyon-Turim e pela aquisição de Airbus pela Itália.

10. O segundo pedido de extradição foi deferido e, com receio de vir a ser morto nas prisões italianas, Cesare Battisti fugiu para o Brasil.

11. Atualmente responde a Processo de Extradição junto ao STF.

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias compreende que o pedido de extradição de CESARE BATTISTI rompe com todo o garantismo penal.


Abaixo-Assinado contra a extradição de Battisti

16 janeiro, 2009

O legado de Bush


O Presidente Bush encerra seu mandato em poucos dias. Rendemos nossa homenagem a esse homem, tão desastrado, tão incapaz, que permitiu que o povo americano escolhesse um negro, levemente de esquerda, para sucedê-lo. Se não fosse por Bush, isso jamais teria ocorrido.

Seguem algumas brilhantes frases deste sábio neocon:

"Eles me mal-subestimaram."
Bentonville, Arkansas, 6 de novembro de 2000

"Eu quero agradecer ao meu amigo, o senador Bill Frist, por se juntar a nós hoje. Ele se casou com uma menina do Texas, eu quero que vocês saibam. Karyn está conosco. Uma menina do Oeste do Texas, exatamente como eu."
(Uma menina do Texas? Ui!)
Nashville, Tennessee, 27 de maio de 2004

"Há um século e meio, os Estados Unidos e o Japão formam uma das maiores e mais duradouras alianças dos tempos modernos."
Tóquio, 18 de fevereiro de 2002
(Bush se esquecendo da Segunda Guerra Mundial e que os EUA incineraram milhares de japoneses, lançando duas bombas atômicas sobre aquele país)

"A guerra contra o terror envolve Saddam Hussein por causa da natureza de Saddam Hussein, da história de Saddam Hussein, e a sua determinação de aterrorizar a si mesmo." Grand Rapids, Michigan, 29 de janeiro de 2003

"Eu acho que a guerra é um lugar perigoso."
Washington, 7 de maio de 2003
(Os Iraquianos que o digam)

"O embaixador e o general estavam me relatando sobre a – a grande maioria dos iraquianos querem viver em um mundo pacífico e livre. E nós vamos achar essas pessoas e levá-las à Justiça." Washington, 27 de outubro de 2003

"Ler é básico para todo o aprendizado." Reston, Virginia, 28 de março de 2000

"Eu entendo o crescimento dos negócios pequenos. Eu fui um." Entrevista ao New York Daily News, 19 de fevereiro de 2000

"É claramente um orçamento. Tem muitos números nele." Entrevista à agência de notícias Reuters, 5 de maio de 2000

"Primeiro, deixe-me esclarecer bem, pessoas pobres não são necessariamente assassinos. Só porque você não é rico, não significa que você está disposta a matar." Washington, 19 de maio de 2003
(Não. Eu não sou rico e não é por isso que tenho vontade de matar o Bush. É pela burrice dele.)

"Seria um erro para o Senado americano permitir que qualquer tipo de clonagem humana saísse daquela sala."
Washington, 10 de abril de 2002
(Nesse caso ele está com a razão. E a situação também se aplica ao Brasil.)

"A informação está em movimento. Você sabe, o noticiário da noite é uma forma, é claro, mas também está se movimentando pela blogosfera e através das internets."
Washington, 2 de maio de 2007
(Gênio.)

"Eu sou o decisor, e eu decido o que é melhor." Washington, 18 de abril de 2006

"Eu sei que os seres humanos e os peixes não podem coexistir pacificamente." Saginaw, Michigan, 29 de setembro de 2000
(Também acho que não. E viva os peixes!)

"Famílias são onde a nossa nação encontra esperança, onde as asas viram sonhos." LaCrosse, Wisconsin, 18 de outubro de 2000
(É uma frase digna de uma garotinha do Texas)

fonte: BBC

15 janeiro, 2009

Apelo para mobilização

Brasil não deve extraditar Cesare Battisti

por Rui Martins

Existem momentos em que uma decisão da Justiça brasileira pode transmitir ao mundo uma mensagem de serenidade, equilíbrio e ponderação. Esta coluna hoje quer ter mais uma função de manifesto para propor às personalidades brasileiras, muitas das quais viveram o exílio político, uma mobilização para pedir ao nosso Supremo Tribunal a rejeição do pedido de extradição do antigo militante da extrema-esquerda Cesare Battisti, preso no Rio de Janeiro.
Condenado à revelia à prisão perpétua, na Itália, por quatro crimes dos quais nega ser o autor, Cesare Battisti tinha se beneficiado, na França, de uma decisão do presidente Mitterrand contrária à extradição de antigos militantes revolucionários italianos. Julgando-se em lugar seguro, depois de ter fugido para o México, onde sobreviveu com pequenos empregos, Battisti começou ali a escrever livros policiais, talvez obcecado pela sua própria história de foragido – uma espécie de Jean Valjean italiano perseguido todo tempo por um obsessivo Javert.
Para ter do que sustentar a esposa, conhecida na primeira fuga da Itália à França, quando atravessou a pé os Alpes, e as duas filhas, se tornou zelador de um prédio em Paris. Zelador-escritor, o antigo militante italiano do PAC, Proletários Armados pelo Comunismo, pequeno grupo italiano que "caiu na cilada da luta armada" na luta contra o poder, como ele próprio diz, assim esperava viver o resto de sua vida. Sua primeira prisão ocorreu quando tinha 25 anos (hoje tem 53), tendo sido libertado dois anos depois por uma operação comandada por seu companheiros.
Entretanto, o fim do governo Mitterrand, pos fim à sua anistia política. Um novo pedido de extradição pela Itália acabou sendo acatado pelo governo francês de Jacques Chirac. Não querendo ser extraditado para a Itália e ali passar o resto da vida na prisão, Cesare Battisti retomou sua vida de foragido. Na sua defesa, no julgamento da extradição, Battisti, além de negar os crimes, destacou a desumanidade da pena – "o que será de minha mulher e minhas filhas, que não poderei mais ver e nem sustentar ? Na verdade, serão elas também condenadas comigo".

Por que o Brasil não deve extraditar Cesare Battisti ? http://carosamigos.terra.com.br/nova/ed120/extradicao.asp

http://cesarelivre.org/

E na bundinha, Paulo Skaf, não vai nada?

As grandes indústrias brasileiras, lideradas pelo presidente da FIESP, Paulo Skaf, defendem que que a maioria dos trabalhadores tenha seus salários reduzidos, com redução proporcional da jornada de trabalho.

Em contrapartida não oferecem nada. Nem mesmo garantia de emprego para os trabalhadores.

A proposta dos empresários só serviria para aumentar a crise. Com a redução de salários e demissões, haverá redução do mercado consumidor, ampliando ainda mais os efeitos da crise.

No mundo todo, os economistas apontam no sentido inverso. Manutenção do emprego e ampliação do investimento público, políticas "anticiclícas" para conter a crise.

E quem diz isso não são os marxistas. São economistas neokeynesianos e ex-neoliberais, que perceberam que a vaca está indo pro brejo.

Holocausto em Gaza



Prossegue o ataque "preciso", "cirúrgico" das forças israelenses contra os terroristas do Hamas, na faixa de Gaza.

Hoje foram bombardeados e completamente destruídos três hospitais. Segunda a organização britânica Medical Aid for Palestinians, foram atacados os hospitais Al Wafe, no leste da Cidade de Gaza, e Al Fata, em Tal El Hawa, a oeste da Cidade de Gaza.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o hospital Al Quds, também foi atingido em um ataque israelese e teria ficado em chamas.

Também hoje, a Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou que o prédio da sede de sua Agência de Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNWRA) foi atingido por um bombardeio israelense na Faixa de Gaza.

Como crueldade pouca é bobagem, fósforo branco foi usado no ataque atribuído a Israel contra a sede da agência de ajuda humanitária.

O fósforo branco é uma substância incendiária cujo uso em armas é proibido por leis internacionais.

As chamas provocadas pelo bombardeio são difíceis de apagar e ainda ameaçam as cerca de 700 pessoas que estão abrigadas no complexo da agência.

“Nós não podemos usar extintores convencionais, porque acreditamos que há fósforo branco. Você só consegue apagar fósforo branco com areia e nós não temos areia em quantidade suficiente para fazer isso.”

“Setecentas pessoas estão lá. Não há nenhum lugar seguro para elas irem. Não podemos evacuá-los porque há confrontos do lado de fora”, afirmou um porta-voz da ONU.

Outro porta-voz, Johan Eriksson, disse que a ONU entrou em contato com as forças de defesa de Israel e eles garantiram que não iriam disparar contra os prédios da agência enquanto um grupo de funcionários tentava colocar os veículos com combustíveis em um lugar mais seguro.

“Quando nós estávamos começando a fazer isso, mais fósforo branco atingiu o complexo, e nós tivemos que abortar essa tentativa de mudar os tanques.”

"Eles (israelenses) têm as coordenadas de GPS exatas de todos os nossos escritórios na Faixa de Gaza, eles estão disparando contra a parte mais frágil de nosso complexo e (...) esta conduta é imperdoável"

As informações são da BBC.

Diante do holocausto promovido contra a população indefesa de Gaza, o governo da Bolívia, anunciou que rompeu relações diplomáticas com Israel em solidariedade com a população palestina.

E o Brasil, quando irá romper relações diplomáticas com Israel?

14 janeiro, 2009

De que lado você está?

Quando o governo Lula, do PT, vetou a emenda três, vibrei!
Seria o fim dos direitos da classe trabalhadora. Era a famosa "pejotização", defendida pelo PSDB e Democratas. Todos nós nos tornaríamos pessoas jurídicas e estabeleceríamos relações contratuais, facilitando ao contratante - antigo patrão -, que evitaria de pagar décimo terceiro, férias etc etc etc.
Naquele momento, orgulhei-me do Governo, do PT e do Lula.
A crise chegou ao Brasil. E com ela: demissões. As empresas pedem socorro financeiro ao governo. Este, pelo bem do Brasil, ajuda. Mas com uma condição, em parceria com as centrais sindicais, exige a garantia do emprego dos trabalhadores e, portanto, fim das demissões.
O vice-presidente da GM alega que o mercado deve dizer quando demitir e contratar, não sendo papel do governo impor algo. Vi no Jornal da Globo de ontem, com o narigudo direitista William Wack.
O não menos narigudo Paulo Skaf, da Fiesp, concorda com a GM. E critica a política de juros do Banco Central, com um detalhe: responsabilizando o governo Lula.
Qual o debate apresentado: o Estado deve intervir ou não na economia?
Sim, defende a esquerda.
Não, a direita. A moda agora é o neoliberalismo.
Entretanto, quando a crise chega, ditada pelas regras do mercado neoliberal, a GM quer o socorro do Estado. E ainda não quer que o Estado proteja a classe trabalhadora.
E começam os "pero que si, pero que no".
Então vem o Paulo Skaf, neoliberal convicto, e responsabiliza o governo Lula pelos juros, esquecendo-se de que a autonomia do Banco Central e, portanto, do Copom, é preceito fundamental do neoliberalismo.
Enquanto isso, o Willian Wack aplaude!
Em meio a este emaranhado de pressão empresarial, de poderosos, o Governo escolheu seu lado.
Posicionou-se ao lado dos que mais precisam. E mais uma vez, deixando-me muito orgulhoso!!!
É o Governo Lula. Do PT.
Contra o desemprego, defendendo o trabalhador.
É o governo que eu defendo!
É o meu Governo!!!

13 janeiro, 2009

Onde não há utopia não há futuro

Para dom Pedro Casaldáliga, somente a construção de um mundo só (e não dois ou três ou quatro) poderá salvar a Humanidade. Segundo ele, é utopia, mas uma utopia "necessária como o pão de cada dia"
Brasil de Fato - Como o senhor tem visto a devastadora crise que já afeta todos os países e principalmente a classe trabalhadora?
Dom Pedro Casaldáliga - Com muita indignação e revolta; com uma sensação de importência e ao mesmo tempo a vontade radical de denunciar e combater os grandes causantes dessa crise. Esquecemos, fácil demais, que a crise fundamentalmente é provocada pelo capitalismo neoliberal. Irrita ver governantes e toda a oligarquia justificando que as economias nacionais devam servir ao capital financeiro. Os pobres devem salvar economicamente aos ricos. Os bancos substituem a mesa da familia, as carteiras da escola, os equipamentos dos hospitais...
Eu estava comentando ontém (19 de dezembro) com uns companheiros de missão que a avalanche de demissões acabará justificando uma avalanche de assaltos, por desespero. Está crescendo cada dia mais o absurdo criminal de constituir a sociedade em duas sociedades de fato: a oligarquia privilegiada, intocável, e todo o imenso resto de humanidade jogada à fome, ao sem-sentido, à violência enlouquecida. Fecham-se as empresas, quando não conseguem um lucro voraz, e se fecha o futuro de um trabalho digno, de uma sociedade verdadeiramente humana.

Como o senhor analisa o papel dos movimentos sociais frente a atual conjuntura?
Já faz um bom tempo que, sobretudo no Terceiro Mundo (concretamente no nosso Brasil, na Nossa América), se vem proclamando por cientistas sociais e dirigentes populares que hoje só a participação ativa, pioneira, de movimentos sociais pode retificar o rumo de uma política de privilégio para uns poucos e de exclusão para a desesperada maioria. Os partidos e os sindicatos têm ainda sua vez; devem conservá-la ou reivindicá-la. Sindicato e partido são mediações políticas indispensáveis; mas o movimento social organizado, presente no dia-a-dia do povo, é sempre mais urgente, como uma espécie de "vanguarda coletiva".
Diante deste cenário, na sua avaliação, quais são as alternativas para os pobres do mundo hoje?
A alternativa é acreditar mesmo, que "Outro Mundo é Possível" e se entregar individualmente e em comunidade ou grupo solidário a ir fazendo real esse "mundo possível". O capitalismo neoliberal é raiz dessa crise e somente há um caminho para a justiça e a paz reinarem no mundo: socializar as estruturas contestando de fato a desigualdade socio-econômica, a absolutização da propriedade e a própria existência de um Primeiro Mundo e um Terceiro Mundo, para ir construindo um só Mundo, igualitário e plural. Com frequência respondo a jornalistas e amizades do Primeiro Mundo que somente a construção de um mundo só (e não dois ou três ou quatro) poderá salvar a Humanidade. É utopia, uma utopia "necessária como o pão de cada dia". Onde não há utopia não há futuro.

12 janeiro, 2009

OCDE: Brasil é o único país a "escapar de forte desaceleração"

As perspectivas econômicas para o Brasil continuam mais positivas do que para os países ricos e outras grandes economias emergentes, como a China, Índia e Rússia, segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgada nesta segunda-feira em Paris. A organização prevê que o Brasil é o único dos 35 países analisados no novo Indicador Composto Avançado que não deverá registrar forte desaceleração econômica nos próximos seis meses.

fonte: invertia

10 janeiro, 2009

Shministim




Os Shministim são jovens estudantes israelenses, todos com idade entre 16 e 19 anos, no final do segundo grau. Eles recusam o alistamento no exército de Israel por objeção de consciência. Estão presos por isso. Esses estudantes defendem um futuro de paz para israelenses e palestinos e negam-se a pegar em armas. Além da prisão, enfrentam uma enorme pressão da família, de amigos e do governo de Israel. No dia 18 de dezembro foi iniciada uma campanha mundial pela libertação desses jovens.

Meu coração está em Gaza



Um amigo, o Edi, ligou ontem e perguntou por que, há dias, não escrevo, não faço postagens no blog. Confessei: não consigo.

A agressão Israelense contra o povo palestino é tão mesquinha, tão covarde, tão intolerável, que me faz sentir a presença do mal absoluto.

Para o filósofo Adorno, depois dos horrores dos campos de concentração nazistas, não seria mais possível se escrever poesia. Nos últimos dias passei a entender exatamente o que Adorno queria dizer com isso.

O governo Israelense é um governo de ladrões, cujo primeiro ministro, Ehud Olmert, foi obrigado a se afastar após sofrer várias denúncias de corrupção. Sua sucessora, Tzipi Livni, do partido Kadima, deverá enfrentar eleições em breve e, para recuperar o prestígio de seu partido, decidiu atacar indiscriminadamente toda a população da faixa de gaza, onde vivem os combatentes do Hamas.

O Hamas é acusado de lançar misseis caseiros contra o território de Israel que, até o início da ofensiva israelense, não haviam causado qualquer morte. O Hamas justifica tais ataques em razão do cerco imposto por Israel à faixa de Gaza, cuja população foi privada até mesmo de ajuda humanitária.

Assim, o governo de ladrões assassinos de Israel, decidiu atacar a população civil da faixa de Gaza. Em poucos dias causou milhares e feridos e quase mil mortes, dentre os quais centenas de crianças. E colocou centenas de milhares de pessoas em situação insustentável, privados de agua, de energia elétrica, de comida, de remédios, de socorro, além de serem submetidos a bombardeios incessantes.

Israel foi condenado pela ONU e até mesmo seu principal aliado, os Estados Unidos, não tiveram coragem de vetar a resolução que exigia o cessar-fogo imediato. Apesar disso, Israel ignorou a resolução da ONU.

E segue cometendo toda natureza de crimes de guerra e contra à humanidade.

Em razão disso, este blog, dedicado em primeiro lugar as coisas de Bah!Caroço, nos próximos dias se ocupará basicamente de Gaza.

Porque meu coração está em Gaza.

05 janeiro, 2009

Era meia noite em ponto
quase 6 da manhã
um velho jovem
de pé sentado
numa pedra de pau
mudo dizia:
comi banana
e vomitei melancia