03 novembro, 2009

Um réquiem para FHC


Gilson Caroni Filho

As palavras são as armas. E foi acreditando em sua capacidade de manejá-las com destreza que Fernando Henrique Cardoso tentou atacar o presidente Lula em seu artigo publicado no jornal O Globo, do último domingo. Em sua vaidade desmedida, imaginava-se escrevendo um texto inaugural, um manifesto histórico capaz de desvendar a cena política, retirando a oposição do estado letárgico em que se encontra. O efeito foi exatamente o contrário.
O texto mal escrito, sem sentido em muitos parágrafos, revela um erro de cálculo político sem precedentes. Contrariando seus aliados, que desejavam vê-lo distante da campanha do PSDB para presidente em 2010, FHC trouxe para o próximo pleito a comparação entre a política econômica do governo e a da gestão petista: a única polarização que a direita não queria. Imaginando-se um estrategista, virou um fardo pesado para as possíveis candidaturas de José Serra e de Aécio Neves. Triste para o prestigiado sociólogo, deplorável para o experiente político.
Comparações são ociosas, mesmo porque cada polemista tem o seu tempo na história. Mas não é de hoje que o sonho do“"príncipe dos sociólogos" é ser um Carlos Lacerda redivivo. Vê a si próprio como um panfletário versátil e demolidor, capaz de usar as palavras como metralhadoras giratórias nas mãos de um guerrilheiro. O problema é que seu estilo é tosco e seus escritos ininteligíveis. Não é capaz de açular os medos da classe média, mesmo usando os velhos ingredientes que vão da ameaça de uma república sindicalista a um quadro incontrolável de corrupção. Não aprendeu que, sem o apoio das bases sociais que o acompanham, seu suposto prestígio pessoal conta pouco.
Para criar condições de instabilidade superestrutural não bastam editoriais, artigos e noticiários de jornalistas de direita. É preciso que as classes dominantes se encontrem excepcionalmente reunidas em torno de um só objetivo. Para isso, do outro lado, tem que haver um governo fragilizado, com escassa base de apoio, incapaz de promover crescimento econômico com redistribuição de renda. Reeditar uma“"Marcha da Família com Deus, pela liberdade" não é o troféu fácil que o voluntarismo pedante imagina.
Quando escreve que "é possível escolher ao acaso os exemplos de "pequenos assassinatos". Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira "nacionalista", pois, se o sistema atual, de concessões, fosse "entreguista", deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública", seu objetivo é tão claro como raso.
É uma volta ao passado como farsa. Aos tempos em que os nacionalistas lutavam por uma solução independente para extração e refino do petróleo, de importância estratégica para o desenvolvimento do país, enquanto os entreguistas definiam-se abertamente pela exploração do produto pelo capital estrangeiro. Claro que estamos tratando de realidades distintas no tempo e no espaço, mas a motivação da direita é idêntica. E é a ela que a inspiração de FHC se dirige, inebriado como se cavalgasse uma fulgurante carreira política. O desespero e o patético andam sempre de mãos juntas. Ainda mais se lembramos "quem cevou os facilitadores de negócios na máquina pública" no período que vai de 1994 a 2002.
Criticando o que chama de "autoritarismo popular", o candidato a polemista prossegue: "Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são "estrelas novas". Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam."
A recorrência aos riscos de uma república sindicalista mostra a linhagem golpista do artigo de FHC, mas a falta de prudência, indispensável para quem pensa estar escrevendo um novo Manifesto dos Coronéis, leva a indagações. O autoritarismo de mercado, marca do seu mandato, é exemplo de democracia? A era da ligeireza econômica, da irresponsabilidade estatal ante a economia fortalecia as instituições do Estado Democrático de Direito? Ou não seria exatamente o oposto? Um bloco de poder composto pelo agronegócio, grandes corporações midiáticas e uma burguesia desde sempre associada, que privilegiava a ampliação crescente das margens de lucro, ignorando os custos sociais que isso implicava. Qual a autoridade política do ex-presidente para interpelar o atual?
O que foi seu governo senão uma tentativa desastrosa de adaptar o aparelho de Estado às exigências criadas pelo neoliberalismo, contendo, a todo custo, as reivindicações dos trabalhadores do campo e da cidade? No final, com uma impopularidade recorde, a superestrutura política entrou em crise e os aliados contemplaram a rota de afastamento. É a isso que FHC nos convida a voltar?
Outra observação interessante pode ser extraída desse trecho: "Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas?". Aqui, o lacerdista frustrado ultrapassou qualquer limite da sensatez. Abriu o flanco, ao permitir a inversão da pergunta que faz.
Como destacaram, em 1997, Cid Benjamim e Ricardo Bueno, no "Dossiê da Vale do Rio Doce", "o Brasil levou 54 anos para construir e amadurecer esse gigantesco complexo produtivo. O governo FHC pretende vendê-lo, recebendo no leilão uma quantia que corresponderá, mais ou menos a um mês de juros da dívida interna". Em maio daquele ano, a Vale foi vendida pelo governo federal por R$ 3,3 bilhões. Em 2007, seu valor de mercado estava em torno de R$103 bilhões. Em nenhum outro período a máquina estatal foi usada para transferir recursos públicos para o capital privado como nos dois governos do tucanato. Foi a esse continuísmo que a população deu um basta em outubro de 2002.
O que se pode depreender das linhas escritas pelo tucano que queria ser corvo? FHC se especializou na arte do embarque em canoas onde o lugar do náufrago está antecipadamente destinado ao canoeiro de ocasião. Julgava estar redigindo um artigo que funcionaria como divisor de águas. Mas afundou junto com ele. Escreveu o seu próprio réquiem, levando junto velhos próceres do PSDB. Um trabalho e tanto. Extremamente apropriado para leitura no dia 2 de novembro
fonte: Carta Maior

01 novembro, 2009

Ato falho do Berzoini

O Presidente do PT, Ricardo Berzoini, é palmeirense.

Neste domingo, durante o jogo Corinthians X Palmeiras, irritado com o desempenho de seu time, Berzoini declarou no twitter: 

"A defesa do PT é um espetáculo. Às vezes é uma comédia, outras vezes é uma tragédia. E o Vagner Love é um atacante fantasma."

Logo em seguida, observou que havia sido um ato falho, que "a defesa do PT é bem melhor que a do palmeiras. Está mais organizada e deterninada."

Tomara.

28 outubro, 2009

A domesticacao da Universidade sob o capitalismo globalizado

Movimento estudantil ressurge: esperança de que o retrocesso seja revertido.

A ditadura militar de 1964/85 intimidou reitores, diretores, alunos e professores, criando um ambiente irrespirável nas escolas.

Primeiro foram os expurgos, a caça às bruxas.

Depois que a poeira baixou, veio a fase da paranóia: quem estava em instituições ou cursos tidos como de esquerda, sabia ser vigiado o tempo todo, por espiões infiltrados nas salas-de-aula. Todo cuidado era pouco.

No entanto, até por falta de capacidade intelectual -- imaginem só, o coronel Jarbas Passarinho chegou a ser ministro da EDUCAÇÃO!!! --, os governos militares não conseguiram implantar a filosofia educacional fascistóide que seria condizente com sua visão de mundo. Causaram mais males no varejo que no atacado.

Pior mesmo foi a mercantilização do ensino que veio em seguida, com a imersão total do Brasil no capitalismo globalizado. Deixaram de existir estudantes, no sentido real do termo. Foram substituídos por consumidores ávidos por agregar valor a seu currículo profissional.

Nem mesmo a ditadura conseguiu suprimir a tradicional missão da educação, de capacitar os cidadãos para refletirem sobre o mundo em que vivem. A sociedade de consumo logrou este feito.

Agora, as escolas formam apertadores de parafusos, com uma formação especializada que lhes permite executar mal e mal suas tarefas numa determinada profissão -- e mais nada.

Quando cursei a Escola de Comunicações e Artes da USP, na década de 1970, os dois primeiros anos eram de formação geral, de forma que extraíamos ensinamentos riquíssimos da sinergia com os colegas de outras vocações (jornalismo x música x cinema, p. ex.). Esse respiradouro foi fechado, com a especialização agora sendo imposta desde o primeiro dia.

Disciplinas fundamentais para adquirirmos um conhecimento mais crítico e globalizante foram praticamente banidas dos currículos -- começando pela filosofia, que nos permite estabelecer conexões entre os várias abordagens da realidade, habituando-nos a pensar o todo, as partes e as interações entre ambos.

E que dizer do latim, vital para a compreensão de como os idiomas evoluíram e se diferenciaram a partir de uma base comum?! Como é triste ver brasileiros macaquearem sofregamente o falar estrangeiro e não mostrarem o menor interesse na jornada evolutiva que está por trás dele!

VANGUARDA DIZIMADA -- A aposta da esquerda no confronto com a ditadura pela via armada acabou alijando, pela morte ou impedimentos vários, quadros que teriam um papel fundamental a desempenhar na crítica ao modelo de educação e de sociedade que se foi implantando ao longo da década de 1970, quando houve uma reconfiguração para pior, infinitamente pior.

Indivíduos que de gênios tinham muito pouco (mas possuíam ganância e oportunismo em excesso), puderam concretizar sem maior resistência seu objetivo de substituir qualificação por memorização mesmerizada, franqueando as universidades a uma legião de zumbis do sistema.

Instituições de ensino superior brotaram como cogumelos, promovendo farta distribuição de diplomas inúteis, já que o número de formados ultrapassa dezenas de vezes a capacidade de absorção do mercado.

Uma das vítimas desse mecanismo perverso deu um nome pitoresco ao estabelecimento comercial que teve de abrir por não haver conquistado um lugar ao sol na sua profissão: O Engenheiro Que Virou Suco.

Ademais, desvalorizou-se a graduação pura e simples. Pós, mestrado, doutorado, MBA's, extensão, especialização, seminários disto ou daquilo, uma gama enorme de produtos é oferecida aos consumidores que querem acrescentar diferenciais ao currículo, para se colocarem em vantagem sobre a concorrência no mercado de trabalho.

Resultado: selecionando profissionais para empresas de comunicação, eu frequentemente me deparava com candidatos que ostentavam vários desses penduricalhos mas eram incapazes de redigir algumas linhas sem cometer erros primários de ortografia, gramática e conhecimentos gerais.

Nunca se estudou tanto. Nunca se soube tão pouco sobre o que realmente importa.

Hoje há uma crítica generalizada ao aviltamento da representação política, mas poucos põem o dedo na ferida: os quadros executivos e legislativos são medíocres, predatórios e amorais em função da própria inexistência de uma verdadeira elite na sociedade brasileira.

Cada vez menos dirigentes conseguem ver a floresta atrás das árvores. Miram o interesse imediato e não se dão conta das consequências em médio e longo prazos, nem do quadro global. São conduzidos pelos acontecimentos, ao invés de tentar dar-lhes um direcionamento.

O cenário é o de terra arrasada, literalmente: além dos danos presentes, estamos transformando o futuro em incógnita, com o insensível desperdício/esgotamento de recursos essenciais para a sobrevivência humana.

Carecemos, mais do que nunca, de uma nova vanguarda política e intelectual, que ofereça alternativa ao pesadelo engendrado pelo capitalismo globalizado.

Uma esperança são os sinais de vida que, desde 2007, o movimento estudantil vem emitindo. Ainda é pouco para que seja revertido o imenso retrocesso, mas começou-se, pelo menos, a caminhar de novo na direção correta: a de recolocar a universidade como a consciência crítica da sociedade, o que implica questionarmos esse ensino superior que se prostituiu e descaracterizou, perdendo a própria razão de ser.

Quando um terremoto destruiu a infra-estrutura com que o Chile contava para sediar o Mundial de Futebol de 1962, um grande dirigente esportivo andino liderou o esforço para reerguer-se tudo em tempo recorde, tendo proferido uma frase célebre: "porque nada tenemos, lo haremos todo".

Em matéria de educação, é mais ou menos essa a situação. Nada mais temos, então precisamos construir tudo de novo.

Celso Lungaretti, jornalista e escritor.

25 outubro, 2009

Deputado Paulo Teixeira na Globo News



O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) participa na próxima segunda-feira (26/10), às 10 horas da manhã, de um debate sobre mudanças na legislação e na política em relação a drogas. Ele estará ao vivo no “Assunto em Debate”, do jornal Edição das 10h, da Globo News, canal de TV por assinatura (40 – Sky, Net e TVA). O programa pode ser acompanhado também pela internet, na página da emissora.

23 outubro, 2009

Abraço de Urso!!!


Uma crescente força surge com o movimento "Amigos da OAB", tem como prioridade o fortalecimento da OAB, e uma campanha contra o terceiro mandato.

O movimento apóia a candidatura do Rui Fragoso, a única força capaz de combater essa afronta à democracia que é o terceiro mandato, o Presidente Lula já declarou que é contra o terceiro mandato: “Eu não brinco com a democracia. Quem quer o terceiro (mandato) pode querer o quarto, o quinto ou o sexto.”

Apóio a candidatura do Rui Fragoso, hoje é o que tem mais chance de derrotar o continuísmo. Por diversos motivos não comungo com os projetos do D´Urso, dentre eles o "Cansei".


Faz parte da chapa do Rui Fragoso, compondo o conselho o Professor Tarcisio, professor da Fadi.

Moradia dígna é um direito de todos os cidadãos e merece recursos

Direitos essenciais dos cidadãos, como a Saúde e a Educação, já têm garantia constitucional para a vinculação permanente de verbas do Orçamento. Agora, depois da aprovação da PEC 285/2008 pela comissão especial, deve seguir para a análise dos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal a vinculação temporária de recursos para acabar com o déficit habitacional. Pelo relatório aprovado ontem, do deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA), serão 20 anos em que a habitação de interesse social vai receber 2% do Orçamento da União e 1% de estados, municípios e do Distrito Federal.

No dia 13 de outubro, na reunião em que o relatório foi votado, e nas cinco audiências públicas, foi possível perceber o quanto esta ideia conseguiu reunir pessoas de origens e classes diferentes em seu favor. Empresários, trabalhadores, políticos das mais diversas linhas ideológicas e movimentos sociais e populares estiveram representados, pedindo para que a emenda constitucional fosse aprovada. Fico muito feliz em dizer, como autor desta PEC, que o trabalho para a aprovação desta proposta é hoje um esforço de todas estas pessoas. Dos que viajaram de avião e ficaram em hotéis e dos que fretaram ônibus e chegaram ao Congresso Nacional pela manhã e voltaram para as suas regiões logo depois da sessão.

A vinculação desta parte do Orçamento não é necessária apenas por conta da falta de quase 8 milhões de domicílios hoje no país, nem das cerca de 12 milhões de habitações precárias, em áreas de risco e que não garantem a qualidade de vida de seus moradores. A experiência mostra que a vinculação ajuda os prefeitos, governadores e ministros a buscarem formas criativas e inteligentes de gastarem a "verba carimbada", como se costuma dizer. A vinculação de 30% dos recursos para a Educação na cidade de São Paulo, por exemplo, ajudou a então prefeita Marta Suplicy (PT), com sua grande sensibilidade social, a criar os CEUs e a garantir uniforme e transporte para os estudantes.

As empresas de toda a cadeia produtiva de material para construção e do mercado imobiliário passam a ter a certeza de que haverá investimentos públicos todos os anos, o que vai lhes permitir fazer mais investimentos de longo prazo, inclusive com o aumento da qualificação profissional de seus funcionários. Os trabalhadores, além deste aprimoramento técnico, passam a ter mais condições de reivindicar melhorias em suas condições de trabalho e o fim da informalidade no setor. É importante lembrar ainda da importância desta cadeia produtiva para o aquecimento da economia de forma geral, o que beneficia a sociedade como um todo. É isto que o governo Lula já vez fazendo com o programa "Minha Casa, Minha Vida", mas que pode se tornar uma política de Estado.

Assim como na Saúde e na Educação, a garantia de uma moradia digna para todas as pessoas não é uma política que termina em si. A segurança de um teto e de um endereço melhora as condições de vida de seus moradores, os afastam da violência e de outras situações de risco, como enchentes, deslizamentos de terra e incêndios, ainda tão comuns em áreas que não receberam o devido investimento público em infra-estrutura.

O saneamento básico tem um impacto muito claro na saúde das pessoas, mas o benefício não termina aí. Com a reurbanização e a requalificação de bairros inteiros, o poder público fica mais próximo destas pessoas, tem melhores condições de lhes garantir o acesso a seus demais direitos. A moradia digna tem esta função, por isso, não basta estar presente no texto da Carta Magna como um direito fundamental. Precisamos garantir que este direito seja dado o quanto antes para todos os brasileiros. E, agora, a aprovação desta PEC é uma forma de garantir a cidadania de famílias que hoje vivem em favelas, cortiços e nas ruas.

Neste momento, para destacar a importância de aprovarmos o quanto antes esta proposta, quero lembrar as palavras da dona Olga Luisa Leon de Quiroga, do Grupo de Articulação para Moradia do Idoso da Capital Paulista, durante a audiência pública em São Paulo, no último dia 6. "Muitos aqui podem esperar mais 10 ou 15 anos, mas nós temos pressa. É uma tristeza ver gente que luta por moradia digna faz mais de 40 anos e que agora está com 80 ou 90 anos e ainda mora em cortiços".

Paulo Teixeira (PT-SP) é advogado, com mestrado em Direito Constitucional, pela Universidade de São Paulo (USP). Está em seu primeiro mandato como deputado federal.

21 outubro, 2009

Relembrar é preciso

Outro Lado
Manifesto lido pelo Presidente da OAB/SP Luiz Flávio D´Urso em 05/09/2005 contra corrupção:
"transparência e ética na política e nas relações do Estado com a sociedade civil"... "Este ato significa a mobilização da sociedade, a pressão por uma apuração profunda, transparente e rápida diante de tantas denúncias que têm como alvo altos dirigentes da República ".
Declaração feita ontem (09/01/2007) pelo então advogado dos bispos da Igreja Renascer Luiz Flávio D` Urso sobre a prisão do casal que estava com US$ 56,5 mil e declararam apenas UU$ 10 mil:
"Por um equívoco no preenchimento da declaração aduaneira quanto aos valores transportados pela família, foram chamados a prestar esclarecimentos perante as autoridades locais".
“ Errado é aquele que fala correto, mas não vive o que diz”.

19 outubro, 2009


Cobre dos vereadores apoio à CPI das propinas


Atendendo a sugestão do leitor Gabrielli, divulgamos a relação de e-mails dos vereadores de Sorocaba, para que todos possam enviar mensagens, cobrando apoio a CPI das propinas.

Anselmo Rolim Neto (PP) - anselmoneto@camarasorocaba.sp.gov.br

Antonio Carlos Silvano (PMDB) - silvano@camarasorocaba.sp.gov.br

Ditão Oleriano (PMN) - ditaooleriano@camarasorocaba.sp.gov.br

Carlos Cezar da Silva (PSC) - prcarloscezar@camarasorocaba.sp.gov.br

Emilio Ruby (PMN) - vereadorruby@camarasorocaba.sp.gov.br

Francisco França da Silva (PT) - vereadorfranca@camarasorocaba.sp.gov.br

Francisco Moko Yaniku (PSDB) - vereadoryabiku@camarasorocaba.sp.gov.br

Cláudio do Sorocaba I (PR) - claudiosorocaba1@camarasorocaba.sp.gov.br

Hélio Aparecido de Godói (PSDB) - heliogodoy@camarasorocaba.sp.gov.br

Irineu Donizeti de Toledo (PRB) - vereadoririneu@camarasorocaba.sp.gov.br

Izídio de Brito Correia (PT) - izidiopt@camarasorocaba.sp.gov.br

João Donizeti Silvestre (PSDB) - vereadorjoaodonizeti@camarasorocaba.sp.gov.br

José Antonio Caldini Cresṕo (DEM) - josecrespo@camarasorocaba.sp.gov.br

José Francisco Martinez (PSDB) - martinez@camarasorocaba.sp.gov.br

José Geraldo Reis Viana (PV) - geraldoreis@camarasorocaba.sp.gov.br

Luis Santos Pereira Filho (PMN) - vereadorluissantos@camarasorocaba.sp.gov.br

Mario Marte Marinho Júnior (PPS) - marinhomarte@camarasorocaba.sp.gov.br

Neusa Maldonado (PSDB) - vereadoraneusa@camarasorocaba.sp.gov.br

Paulo Francisco Mendes (PSDB) - vereadorpaulomendes@camarasorocaba.sp.gov.br

Rozendo de Oliveira (PV) - coronelrozendo@camarasorocaba.sp.gov.br

15 outubro, 2009

Lula ironiza "preocupação" de Serra


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com ironia e provocação à declaração do governador de São Paulo, José Serra, de que "há uma absoluta ausência de investimentos na irrigação" no Nordeste "há seis ou sete anos".

Lula afirmou que o possível candidato presidencial do PSDB está, com o comentário, "preparando o discurso para a campanha" de 2010. E o provocou, dizendo que pretende convidar o governador a participar da inauguração de alguns projetos de irrigação na região.

Lula ironizou: "Eu não sabia que o Serra tinha alguma preocupação com o Nordeste, mas, se começa a ter, um pouquinho perto das eleições, é um bom sinal."

fonte: Último Segundo

Manifesto em apoio à CPI das propinas do governo Lippi

As recentes notícias em torno do provável envolvimento de agentes políticos de alto escalão da Prefeitura de Sorocaba em casos de corrupção na emissão de alvarás para o funcionamento de postos de combustíveis na cidade têm causado indignação e constrangimento em toda a população sorocabana.

Sendo assim, e considerando que a independência entre os Poderes Legislativo e Executivo é fator primordial ao bom equilíbrio democrático, bem como o fato de ser função inerente aos Vereadores dessa Casa de Leis a rigorosa e transparente fiscalização dos atos do Governo Municipal, é que, as entidades que a este subscrevem, requerem digne-se V.Exa. a assinar, auxiliar a instalação e funcionamento e acompanhar Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI – proposta pelo Vereador Francisco França (PT), já subscrita pelos também Vereadores Izidio de Brito (PT), Caldine Crespo (DEM), Marinho Marte (PPS) e Tonão Silvano (PMDB), e que tem como objeto a apuração de tais fatos.

Assinam este manifesto:

Partido dos Trabalhadores – PT, Partido Socialismo e Liberdade – PSOL, Associações de Moradores dos bairros: Árvore Grande, Vila Zacarias, Ipanema Ville, Pq. das Laranjeiras e Vila Progresso, Sind. dos Trab. Metalúrgicos de Sorocaba e Região, Sind. dos Condutores de Sorocaba e Região, Sind. dos Trab. da Indústria do Vestuário, Sind. dos Trab. Têxteis, Sind. dos Trab. Papel e Papelão, Sind. dos Jornalistas de Sorocaba, Sind. dos Psicólogos de Sorocaba, Sindicato dos Aposentados de Sorocaba e Região – CUT, Subsede da Central Única dos Trabalhadores, Associação dos Metalúrgicos Aposentados de Sorocaba, Núcleos do PT: Aparecidinha, Vitória Régia, Júlio de Mesquita Filho, Parada do Alto, Além Ponte e Laranjeiras, Setorial de Juventude PT Sorocaba, Juventude Metalúrgica, Fórum Evangélico de Sorocaba e Região, Associação Fé e Obras, DCE Uniso, SINDSAÚDE Sorocaba, Sind. Único da Saúde, Sind. Trab. em Hotéis.

Estas entidades requerem à essa Mesa seja este manifesto encaminhado a todos os Vereadores da Câmara Municipal de Sorocaba.

13 outubro, 2009

A casa caiu


A Polícia Civil e o Ministerio Público prenderam na manhã desta terça-feira o secretário de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura, José Dias Batista Ferrari, o ex-secretário de Governo e Planejamento, Maurício Biazotto, a esposa de Biazotto e o engenheiro da prefeitura Gerson Tadeu Aily. Eles são acusados de envolvimento no esquema de corrupção investigado pela "Operação Pandora".

Os acusados tiveram a prisão temporária decretada e devem passar os próximos cinco dias na Delegacia Anti-sequestro de Sorocaba.

O ex-prefeito Renato Amary já ficou conhecido como o "Maluf Sorocabano" em razão de seu "jeitão empreendedor". Agora, Lippi pode entrar para a história como a versão bacaroço de Celso Pitta. No caso, teremos um Lippita.

12 outubro, 2009

Palanque desaba e governador fica ferido em Santa Catarina

O governador em exercício de Santa Catarina, Jorginho Mello (PSDB), ficou ferido durante uma missa, nesta segunda-feira, após parte do palanque em que estava desabar.

Segundo o Corpo de Bombeiros, a cerimônia ocorreu no município de Campos Novos, no oeste de Santa Catarina. Mello teve escoriações na perna e foi socorrido ao hospital da região. Outras duas pessoas tiveram ferimentos leves.

O governador José Serra, infelizmente, não estava no palanque.

Dica de Blog - "Ser" Classe Média

Um blog que trata do legítimo "Classe Média Way of Life" Brasileiro.

Divertidas postagens com recomendações para quem quer fazer parte do "grupo selecionado" da classe média. Veja algumas dicas:

- Achar o Brasil um lugar horrível para se viver
- Gostar de festas com ambiente "selecionado"
- Fazer cursos de idioma
- Ler a revista Veja
- Ter um pet
- Ser espírita
- Ter sobrenome italiano
- Ser contra o bolsa família
- Correr
- Torcer pelos israelenses contra os palestinos
- Achar que seus empregados tem que gostar de você
- Sonegar imposto
- Colocar a culpa no Lula
- Afirmar que não existe racismo no Brasil
- Assinar TV a cabo e assistir ao Faustão

Veja se combina


Se você já usou um desses artifícios é porque você é ou já foi um PAPAGAIO DA DIREITA.



Honduras


11 outubro, 2009

Veja repete slogans das viúvas da ditadura contra as reparações




A Veja continua repetindo os mais falaciosos slogans da extrema-direita, como se fosse apenas a versão impressa dos sites fascistas.


Estes, aliás, adoram disponibilizar a seus primatas... digo, seguidores, a propaganda enganosa da revista.

Numa rápida incursão pelos depósitos de imundície virtual, encontrei:

no Ternuma, ponto de encontro de todos os totalitários, link para matéria da Veja atacando o MST, 25 anos de crimes e impunidade;

no A Verdade Sufocada, do Brilhante Ustra, há um sem-número de artigos de um tal Jailton de Carvalho citando sempre a Veja como fonte das informações tendenciosas, a exemplo deste aqui atacando as Farc;

no Mídia Sem Máscara, do Olavo de Carvalho, constantes citações da revista Veja e elogios efusivos de OC ao blogueiro mais reacionário da revista, Reinaldo Azevedo, por ter explicado a crise hondurenha exatamente como Goebbels recomendava; e no Usina de Letras, que dá abrigo a Felix Mayer, um dos
principais gurus das viúvas da ditadura, este também reproduz e recomenda a desinformação programada de Reinaldo Azevedo acerca dos eventos de Honduras.

E por aí vai, nos sites e blogues militares, nas correntes de e-mails golpistas, enfim, em todos os tentáculos dessa máquina de emburrecer e fanatizar cidadãos já tendentes à intolerância.

Na edição de 14/10, que está nas bancas, a Veja ataca de novo as reparações concedidas pelo Estado brasileiro às vítimas da ditadura militar, em O esquema do Bolsa Guerrilha.

Seu alvo, desta vez, é Ana de Cerqueira César Corbisier, que militou na ALN de Carlos Marighella.





RESISTENTES SALVARAM A HONRA NACIONAL

Ana participou de duas expropriações de bancos (o que importa o roubo de um banco diante do crime inominável de fundar-se um banco? - indagava Brecht), para sustentar a luta contra os usurpadores do poder daqui, exatamente como fazia a Resistência Francesa para sustentar a luta contra os nazistas de lá.

A França reconhece e homenageia o martírio e o heroísmo dos que salvaram a honra nacional - não fosse a Resistência, o país ficaria idenficado apenas com os colaboracionistas da República de Vichy.

A Veja continua denegrindo, injuriando e caluniando os bravos que aqui exerceram o milenar direito da resistência à tirania, salvando igualmente a honra brasileira - caso contrário, o País ficaria identificado apenas com os insensíveis yuppies do milagre econômico, aqueles que zurravam "Brasil, ame-o ou deixe-o!".

Ademais, a revista que virou house-organ obscurantista quer anular os grandes marcos da civilização, fazendo-nos retornar a antes da Grécia antiga. Se depender dela, acabaremos voltando às cavernas.

Falaciosamente, sempre omite que o Estado brasileiro seguiu à risca uma das recomendações da ONU para países que saem de ditaduras: o ressarcimento dos terríveis prejuízos que o arbítrio causa à vida dos cidadãos, assassinando-os, torturando-os, mutilando-os, enlouquecendo-os, perseguindo-os, discriminando-os.

Para a Veja - e para os que, como ela, repetem até hoje os slogans criados e difundidos pelos serviços de guerra psicológica das Forças Armadas durante a ditadura -, Ana é "ex-terrorista".

Se alguém quem quiser maiores esclarecimentos sobre a impropriedade desse rótulo propagandístico, recomendo a leitura de Militantes contra a ditadura: heróis ou terroristas, no excelente blogue do jurista All Mon.

Ele reproduz um parágrafo do constitucionalista Daniel Sarmento que vai ao âmago da questão:

"Não se deve caracterizar os atos praticados contra a ditadura militar como crimes políticos ou de terrorismo. Até porque, de acordo com a definição do art. 2º da Lei 7.170/83, foram os golpistas de 1964, e não os insurgentes de esquerda, que subverteram a ordem constitucional vigente, estabelecendo, sob a égide da violência, do terror e do medo, uma nova 'ordem' político-institucional, sem qualquer salvaguarda dos princípios básicos atinentes à fundamentação da soberania democrática do Estado".

E conclui:

"...a própria Lei da Anistia (que os próprios militares citam como uma lei pactuada democraticamente, mas não passou de mais uma decisão unilateral dos juristas da repressão) deixou de punir crimes considerados políticos. E se deixou de punir, excluiu a própria antijuridicidade destes atos".




PARA A "VEJA", CONFRONTAR O ARBÍTRIO É "ABSURDO"!

Voltando à nauseabunda matéria da Veja, a revista ousa contestar o direito de Ana a ser indenizada por todos os riscos que correu e todos os traumas decorrentes de haver travado luta tão desigual, tendo, ainda, de passar uma década inteira no exílio, para ficar a salvo de ser estuprada, torturada, assassinada:

"Em 2001, Ana bateu à porta da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e, desde 2007, recebe da União uma pensão mensal vitalícia de 2 744 reais, além de indenização parcelada de 361 500 reais. Ana é um dos 30 967 brasileiros beneficiados com os 2,6 bilhões de reais concedidos a vítimas do regime militar. Já é absurdo chamar de 'vítima' alguém que entrou voluntariamente para uma organização terrorista e atuou num assalto que resultou em homicídio (não se tem notícia de que ela tenha sido presa ou torturada)".

Quem entrou voluntariamente para uma organização que jamais se caracterizou como terrorista na conceituação civilizada, tinha uma coragem e um idealismo inalcançáveis para os pigmeus morais da Veja!

Infelizmente, 40 anos depois, Ana comete um deslize imperdoável: está pleiteando uma vultosa indenização trabalhista da Fundação Padre Anchieta por ter sido obrigada a deixar o emprego em função da perseguição política que sofreu. Só que a pensão que por ela recebida da União já se destina, principalmente, a reparar o prejuízo que a ditadura causou à sua carreira profissional.

Fornece, portanto, trunfo valioso à propaganda inimiga, assim como o fizeram Carlos Heitor Cony e Ziraldo. Em respeito ao papel que desempenharam no passado, esses três e alguns outros não deveriam exagerar em suas demandas.

Como preço da magnanimidade com que se contemplaram certas celebridades, cujos casos foram priorizados e logo resolvidos pela anistia federal, houve em seguida uma redução acentuada nos valores das reparações dos resistentes anônimos deixados para depois (a grande maioria).

A alguns vips, mais do que mereciam receber. A boa parte dos que não alcançaram a notoriedade, menos do que deveriam receber.

Quem passou pelo inferno e teve a felicidade conservar a vida e a lucidez, deveria ser mais zeloso na preservação da imagem de nossa resistência - até em manifestação de respeito pelos companheiros que não estão mais conosco.