07 junho, 2006

Casa do povo, sim! Casa da Mãe Joana, não!

Há uma máxima que diz que as Casas Legislativa são “Casas do Povo”, o que é verdadeiro. E tudo aquilo que é do POVO é mais importante daquilo que é só meu. No Direito chamam isso de Princípio da “Soberania do Interesse Público”.

Se a CASA é do POVO todos podem ter acesso a ela, desde que tenham consciência de que aquela Casa é de TODOS e portanto algumas cautelas – como a identificação pessoal e a passagem por detector de metais – devem ser adotadas.

O que os manifestantes do MLST fizeram no Congresso Nacional, sob o argumento de que queriam adentrar à Casa do Povo, é de uma truculência, violência e estupidez inigualáveis. Tanto é que até o Presidente da República, simpatizante do movimento, manifestou repúdio ao ato de vandalismo.

Casa do Povo, sim! Casa da Mãe Joana, jamais!

3 comentários:

CCCP disse...

Pô, pequenino, até vc ? Como diria o Nerso da Capitinga, "vc me conhece" e sabe muito bem que eu seria o último a defender a legitimidade dos projetos de reforma agrária ultrapassados e a "metodologia" de invasões e violência empregada pelos grupos conhecidos de "trabalhadores rurais" (faz-me rir) sem terra.
Porém, no episódio em "questã", tirante a violência física perpetrada, que obviamente deve ser repugnada e os culpados presos etc, apesar de minha antipatia por tais movimentos e suas lideranças covardes, não consigo ficar indignado como todo mundo ficou com a massa invasora.
A impressão que me dá é que a mídia, e a sociedade por reverberação, afinal é só assim que as coisas acontecem nessa tristeza, arremedo de nação em que vivemos, vem se comportando como se um mendigo, daqueles bem conhecidos do bairro, tivesse invadido a sala de estar aos gritos, quebrado os cristais e cagado na sala...
Por força do meu trabalho, já visitei diversas vezes acampamentos dos tais sem terra. Quem nunca foi deveria ir, pois é bastante útil para embaralhar uma série de conceitos (e pré-conceitos) acerca do tema.
No mesmo ambiente em que há famílias que muito provavelmente poderiam ser encaixadas no conceito de trabalhadores rurais sem terra, há também um sem número daqueles que de rurais não têm nada, não sabem diferenciar uma enxada de uma foice, meros partidários da política do "se colar, colou", desempregados urbanos que estacionam seus carros velhos no acampamento e ficam guardando lugar (essa estória é verídica, o fulano não estava em casa quando eu o procurei porque estava no acampamento guardando lugar, assim como seus parentes...), além é claro, dos "líderes", capatazes que têm a função de manter a boiada no curral e propagar o "pensamento" do movimento.
Ocorre, porém, que apesar dessa excrescência de esperteza, má-fé e ideologia descerebrante vigente, o que se vê em maior profusão nos acampamentos é pobreza, muita pobreza.
Uma criançada vivendo em barracos sem as mínimas condições, como não poderia deixar de ser, que, por serem crianças, ainda assim correm e brincam, alheias ao cenário de injustiça da qual são atores involuntários, em meio ao barro e a lama. Suas roupas velhas, seus cabelos desgrenhados e seus pés descalços ainda assim não as tornam menos dignas de serem percebidas pelo que são: crianças em risco.
Um séquito de mães e pais desinformados, grande parte analfabetos, "ideologizados", repetem falas que não são suas, palavras que com certeza não saberiam explicar, e enquanto esperam, tratam de fazer aquilo que lhes resta: esperar.
Esperar até a próxima reintegração de posse, o próximo confronto, até a próxima caminhada, a próxima invasão.
Sinto desprezo pelos tais "líderes" dos movimentos, reputo-os exploradores da ignorância e desespero alheios, pois se utilizam de pessoas como massa de manobra à satisfação de seus propósitos político-ideológicos megalomaníacos. Contudo, apesar de frisar que a violência física deve se repudiada, e é de se notar que no episódio falou-se muito mais dos terminais quebrados do que da cabeça quebrada do funcionário da câmara, só consigo sentir pena da grande maioria daqueles que foram presos no episódio na câmara e asco do tom geral de repercussão na mídia, principalmente quanto a frisar os tais R$ l50.000,00 de prejuízos materiais, e que a que a câmara é espaço do povo etc.
A mim não me comove tal discurso. Não me sinto nem um pouco dono da tal câmara, sinto sim que aquilo é um bunker onde a última coisa em que se pensa é em representação popular.
Além disso, R$ 150.000,00 não compraria nem um deputado daqueles do episódio da reeleição de FHC (eles "custaram" R$ 200.000,00) e chega a ser ridículo se comparado aos valores do mensalão, do aviãozinho do Lula, dos R$ 5.000.000,00 "doados" pro filho do Lula e mais uma infinidade de números astronômicos que compoem o mar de lama que a mesma mídia e a mesma sociedade já não ficam tão indignados em conhecer e conviver.
E os bandidos de alta periculosidade que participaram do ato estão presos, já acusados de uma série de crimes, (até ai jogo jogado). Estranho é que até agora nunguém falou de acionar o STF, de preferência na calada da noite, para soltar um "habeas-corpus" sequer... A direita espumando e a esquerda constrangida e temerosa dá nisso...
De minha parte, apesar de tudo, lama por lama, prefiro a dos pés das crianças nos acampamentos.

Reinaldo disse...

Apenas uma observação CCCP: com relação ao fato de pessoas desempregadas, moradores das periferias das grandes cidades, serem recrutadas pelos movimentos de luta pela reforma agrária, não há nada de errado.
Afinal de contas, durantes as décadas de 70 e 80 (apenas para ser mais recente) houve um grande êxodo rural, causado pelos governos militares e seu "milagre" que apenas gerou crescimento para os grandes.
Muitos dos "desempregados das periferias", apenas estão fazendo o caminho de volta.

Mudando de assunto, com relação ao MLST, ouvi dizer que para conseguir a libertação de seus líderes, há um grupo, ainda mais raivoso do que aquele que destruiu a entrada do Congresso, marchando rumo à Câmara Municipal de São Roque. Dizem que vão tomar os funcionários como reféns, libertar apenas mulheres e crianças e sodomizar todos os homens. Imaginou o que eles podem fazer com alguém que é a cara do ACM-N?

CCCP disse...

Qto à primeira colocação, vc deve ter razão qto a origem histórica e sociológica do desemprego urbano atual, mas, acredite, os caras sobre os quais eu comentei acima não se encaixavam na descrição: eram aproveitadores mesmo, o típico "ishperrrto" brasileiro.
Ainda assim, mantenho o que disse acima: tirante a violência física contra os servidores da câmara, tenho prá mim que o Brasil se tornaria decente rapidinho se houvesse uma invasão daquele antro uma vêz por mês, pelo menos.
Qto a sua segunda informação, até tentei pensar em alguma coisa inteligente prá escrever, mas qdo me vem a imagem do sugestionado à cabeça, não consigo parar de rir...