01 dezembro, 2006

Crise das utopias

Algumas reflexões sobre um texto que li do Prof. Fernando Novais*, onde ele relaciona as transformações ocorridas na historiografia nas décadas de 70 e 80 com a crise da razão e o chamado fim das utopias:

Vocês [pós-modernos] estão deixando de lado um problema grave, com o triunfalismo neoliberal. Mais grave do que saber se acabou a história é saber como é que vai ser o mundo sem utopias, vocês destruíram as utopias, agora vamos ver o que vai acontecer”. (Robin Blackburn – marxista inglês)


"A condição humana é paradoxal, porque o homem é metade Deus, metade homem (...) nós precisamos conhecer a verdade, “(...) mas só somos capazes de incertezas”.
(Pascal)

Apesar de buscarmos a verdade e a felicidade, só somos capazes de incertezas e misérias. Para sair do paradoxo é preciso apostar em alguma coisa, em Deus por exemplo.

“Porque se você não aposta não existem valores. É Dostoiévski falando: Se Deus não existe tudo é permitido” (Fernando Novais – 2002 )

A existencia do homem em sociedade cria um paradoxo, pois, sendo o homem um ser consciente a vida em sociedade é contraditória, porque nela ele é objeto, o indivíduo é comprimido, ou seja, “o homem é sujeito pela sua essência e objeto pela sua existência”, sem utopia, Deus, ou outra coisa em que se possa apostar a vida em sociedade se torna impossível.

Assim, utopia não se afasta da razão:

Se Deus não existe e você não crê nele, não acontece nada de mau, nem com você nem com os outros, agora se você não crê nele e ele existe, você está desgraçado por toda a eternidade. (Pascal)
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Esta é a relação dialética entre utopia e razão. Nós temos que reconstituir a utopia socialista para continuar fazendo história, porque uma coisa esta ligada com a outra.
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*Ver: Fernando A. Novais, em entrevista à Conversa com historiadores brasileiros, Moraes, J. G. V., e Rego, J.M.(orgs.), ed. 34, 2002.

Um comentário:

Carlos Marques disse...

O fim das utopias. Isso nos lembras dos grandes debates do século XIX. E mesmo antes. De um lado, os que acreditam na capacidade do homem colocar em prática seus desejos de justiça social, igualdade e liberdade; apenas por um ato de vontade.

Depois, vieram os marxistas, que acreditavam que a ciência seria capaz de explicar todos os aspectos do comportamento humano. A revolução seria uma necessidade história irrevogável. O determinismo.

Hoje, vivemos a era das incertezas. E sem utopias.

Será que reencontraremos o caminho das utopias?