23 agosto, 2007

A canção e os valores da pseudo-civilização

(Até onde uma música pode nos levar? Que consciência ela pode nos dar?)

É quase natural que militantes de esquerda,ou pelo menos ex-militantes,já ouviram canções de Violeta Parra, Daniel Viglietti, Quilapayún, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Víctor Jara entre outros milhões que cantaram vidas e com a alma e um instrumento conscientizaram o povo.

O que aconteceu com essas canções?

Essa pergunta quiçá, ninguém vai responder, no máximo um dono de uma gravadora dirá "não é isso que as pessoas querem ouvir". Quem são eles para julgarem o que devemos ouvir ou não? Eu não quero músicas sem brilho ou mensagem, falando de mulheres vulgares e incentivando o consumismo. As canções sempre tiveram um poder muito grande. Certos temas, como foi o caso de "Casa forte" de Edu Lobo, foram proibidas somente por serem "provocativas",então,seria por acaso que as canções tocadas nas grandes rádios e grande parte da mídia incentivem um comportamento estúpido e completamente alienado? De quem são os interesses defendidos?
Será que o povo realmente não tem nada a dizer em músicas?
O que aconteceu com aqueles que nos anos 60 cantaram canções como "Prá não dizer que não falei das flores"?
O que eles ensinam aos filhos?
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Francisco Prandi Mendes de Carvalho, cantor, socialista e apaixonado por música Latino-americana.

9 comentários:

Jubmar disse...
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Anônimo disse...

É simples: querer reviver tais momentos, de esquerda revolucionária, guerrilhas, VPR, ALN é pura ilusão!! É coisa de crianças que acharam lindo "Anos Rebeldes" (criação da Globo - irônico, não?)!! Já não há lugar pra Marighellas, Lamarcas e radicalismos!! Esse blog seria engraçado, se não fosse triste: escrito de maneira inteligentíssima, mas de uma maneira que sempre ignore fatos que tragam visões negativas do governo... é o mesmo que chamar assaltos de "expropriação", assassinatos de "justiçamento", termos tão usados no passado por José Dirceu, Dilma Rousseff e outros.
Acordem: o mundo mudou (para o bem, para o mal, mas inegavelmente mudou), o Muro de Berlim caiu, e Marty McFly tem Mal de Parkinson e já não pode levá-los para o Araguaia...

Reinaldo disse...

Sobre as canções "engajadas", posso dizer que Vitor Jara, independente de suas posições políticas, fez músicas belíssimas.

Ocorre que, não apenas a música, mas também o cinema, o teatro, a literatura, foram todos apropriados pela chamada indústria cultural, que prefere produtos efêmeros, superficiais e repetitivos.

Você pode assistir "Duro de Matar" ou um filme iraniano. Ler Chico Buarque ou Paulo Coelho. É sua escolha.

Marta disse...

Ótimo texto!E parabéns pelo comentário Reinaldo!Esse é o ponto.E o que a sociedade neoliberal nos permitiu?Foi um individualismo consumista,sem se preocupar com as questões sociais,explorando o erotismo,banalizando a arte!São raras as pessoas que percebem a existência da dominação subliminar,só quem tem um desenvolvimento do espírito crítico.Sempre vai haver lugar para esquerda,pois a fraternidade constitui historicamente em um ideal revolucionário e visa à justiça e à liberdade.É temida por aqueles que fazem da exploração e da alienação os meios de manutenção de seus privilégios capitalistas.

Anônimo disse...

Uma pergunta fica no ar... Será que esses autores ainda acreditam no que escreveram, ou será que também se decepcionaram como tantos?????
Afinal quem mandou relaxar e gozar foi a esuqerda!!!!!!!!

Fábio Correa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fábio Correa disse...

Caro Anonimo reacionário,

Com todo respeito, sugiro que você escute as músicas que o Francisco indicou em seu post.

Como pode alguém criticar aquilo que ainda não conhece?

Vou falar na sua lingua: Você só sabe que um BigMac é ruim depois de prova-lo! Entendeu?

Fábio Correa disse...

Conheci Victor Jara a pouco tempo, foi para mim a porta de entrada para o maravilhoso da canção andina, música folclórica e popularar, bela, rica, diferente de tudo que já havia escutado e se não bastasse - enjada!

Conheci o Francisco numa comunidade do Victor Jara, é um profundo conhecedor de música e um ótimo interprete, mostrou-me vários autores que se tornaram importantíssimos para mim.

É muito bom conhecer mundos novos!

franprandi13 disse...

Caros amigos neoliberais e reacionários Fábio disse tudo,escutem essas canções, que são muito boas, e depois critiquem-as.Quanto a se os que escreveram as músicas se acreditam ou não no que escreveram,Daniel Viglietti,Silvio Rodriguez entre tantos,seguem firmes e fortes e caso outros não acreditem,somos nós quem devemos reviver essa arte.
Agradeço a todos que leram o texto!
FRAN