22 agosto, 2007

Estranho. Muito estranho...

As bancadas do PT e do PSOL, na Assembléia Legislativa, apresentaram requerimento à Comissão de Ética da Casa - presidida pelo sorocabano Hamilton Pereira -, solicitando que fosse iniciada uma investigação contra o líder dos tucanos, deputado Mauro Bragato, acusado de irregularidades em contratos da CDHU. Irregularidades milionárias, diga-se de passagem.

A representação pedia apenas que fosse iniciada uma investigação sobre as denúncias. Investigação que buscaria elementos para condenar ou absolver o líder tucano.

O Ministério Público acredita que tais indícios existem. O próprio Mauro Bragato rapidamente deixou a liderança do PSDB, quando a representação foi protocolada.

Apesar disso, hoje, a Comissão de Ética da Assembléia Legislativa de São Paulo decidiu arquivar o processo contra Mauro Bragato. Deram uma olhada nos documentos apresentados pelo Ministério Público, disseram que não encontraram nada de mais e decidiram arquivar o processo. Sem investigação.

O mais estranho é que a base do governo Serra conta com oito votos entre os nove membros da comissão. O único oposicionista é justamente o deputado Hamilton Pereira, que preside a Comissão de Ética. E que apenas votaria em caso de empate.

Contrariando a decisão do PT, Hamilton Pereira, mesmo sem haver empate (a votação estava em confortáveis 8 a 0 para o tucano), decidiu anunciar seu voto. Também a favor do arquivamento do processo!

Apesar disso, o líder do PT na Assembléia, deputado Simão Pedro, anunciou que insistirá na instalação de uma CPI para investigar as irregularidades da CDHU - e também as de Mauro Bragato.

Essa eu não entendi.

10 comentários:

Fábio Correa disse...

Nossa! Esta o Dep. Hamilton vai ter que explicar.

Tem cheiro de coisa muito esquisita.

Anônimo disse...

Por essa eu não esperava e também não entendi.

Como eleitora do Hamilton, fiquei muito decepcionada.

Será que ele tem algo a esconder e fez um acordo na Assembléia para também não ser investigado?

Anônimo disse...

Também sou eleitor do Hamilton e espero saber o que aconteceu.

Zé Luiz disse...

Sei que a assessoria do Hamilton lê esse blog, que o apoiou durante as eleições.

Por que será que não dão uma resposta à questão levantada neste post?

Paulo Henrique disse...

Calma gente! Aliás, muita calma nessa hora!
Fiquem tranquilos, não houve acordo, nem rabo preso com ninguém. O que houve foi a insuficiência de elementos que levassem o Dep. Hamilton a concluir de forma diversa a assumida, quando do arquivamento da representação.
Ao contrário do que vem sendo equivocadamente divulgado, inclusive pelos nossos companheiros, o presidente do Conselho era sim obrigado a votar no caso, de acordo com regimento interno da Casa (art. 38, parágrafo único)e o fez de acordo com sua consciência.
Hamilton tem repetido que não se sujeitaria a fazer com um parlamentar tucano, a mesma sujeira que tem sido feita com os nossos. O PT lutou demais pela democracia no país e agora não pode defender um tribunal político, simplemente porque os outros o fazem.
Nós não somos os outros.

Reinaldo disse...

Paulo:

Não acho que se trata de fazer um tribunal político. Havendo investigação, demonstrada a inocência, seja quem for o acusado, deve ser absolvido.

O que acontece é que no caso do Mauro Bragato não houve sequer investigação. Investigação do ponto de vista político, não criminal.

E pelas notícias de que dispomos, de várias fontes, há sérios indícios contra ele.

Tanto que a bancada continua lutando pela instalação de uma CPI para investigar o caso.

Carlos disse...

Pelo raciocínio do deputado Hamilton, Renan Calheiros também deveria ser absolvido pelo Senado, afinal de contas, o que há contra ele são algumas notícias levantadas pela imprensa e também ainda não comprovadas pelo MP.

Paulo Henrique disse...

É importante que não se confunda uma representação feita ao Conselho de Ética, com um pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito.
A CPI, instalada, dispõe de instrumentos de investigação que permitem a conclusão em torno da existência ou não de um esquema de corrupção na CDHU. Comprovado tal esquema e apontados os responsáveis, sendo os mesmos parlamentares, terão então assumido conduta incompatível com o decoro parlamentar e arcarão com as devidas consequências.
No entanto, o Conselho de Ética apenas avaliou os documentos apresentados nas representações (uma do PT, outra do PSOL), ambas instruídas basicamente por recortes de jornal.
O MP continua investigando o caso e caso encontre algo de concreto a respeito, o caso poderá ser reaberto.
Há alguns dias, tive a oportunidade de comparecer ao lançamento do "sítio" do Zé Dirceu. Ganhei um exemplar de uma publicação que é uma espécie de resumo de sua defesa, inclusive com a íntegra de seu discurso no dia de sua cassação.
Lí esse pequeno livro naquela mesma noite e não pude deixar de refletir sobre o que estamos fazendo com a nossa história.
O companheiro Zé Dirceu foi "condenado por um Tribunal de Exceção" e estamos nos orientando por uma lógica absurda, a do "bateu, levô". Por isso repito, o PT não nasceu pra ser como os outros.
Espero que a ALESP tenha a mesma serenidade do Hamilton e instale a CPI.
Não assumimos a defesa do tucano Bragato, assumimos a defesa da democracia e do respeito ao estado democrático de direito.

Quanto ao caso do Renan, Carlos, não tenho acesso àqueles autos. Mas sei que não possui apenas recortes de jornal, já que inclusive perícia em alguns documentos tem sido feita.
Não me arrisco a generalizar como você está fazendo pra não cair na mesmice, que ou é simplista, ou é tendenciosa.

Anônimo disse...

Calma lá, ainda é cedo pra comparar o Hamilton com o zé Dirceu!

Fábio Correa disse...

Gente sem gracinhas, não gostei do que ele fez mas coloco aqui um trecho do que esta em seu site hoje:


"Mesmo tendo seguido a minha consciência, recusando-me a prosseguir num julgamento esgotado por falta de provas, curvo-me à tradição da decisão coletiva constituinte do nosso Partido e submeto-me ao julgamento dos nossos companheiros e companheiras, para que se restabeleça a disciplina partidária, a qual não me permito arranhar."