01 novembro, 2007

Sobre a usina do Rio Madeira

Hoje estava procurando informações sobre a construção da usina hidrelétrica do rio Madeira e acabei encontrando coisas mais interessantes do que imaginava, como, por exemplo, que as turbinas da usina são dispostas na horizontal e não na vertical como é comum e que elas tem quase a metade da capacidade da usina de Itaipu.
Descobri que não são apenas ecologistas os contrários ao projeto e que nem todos os ecologistas são contrários, descobri que todo o “corpo místico” da bolsa de valores e dos noticiários econômicos são contrários, mesmo as empresas de construção civil que adoram grandes obras acham o projeto, acreditem, megalomaníaco (Itaipu não foi!). A questão é delicada pois, o grupo das finanças por vezes se faz passar por ambientalista: Incertezas técnicas, jurídicas, sociais e ambientais são fatores de risco financeiro elevado para investidores e financiadores das usinas do Rio Madeira, alega estudo lançado hoje pela Oscip Amigos da Terra” (Fonte: Amazonia.org.br) A usina do Madeira encontra grande resistência também nas áreas universitárias ligadas às ciências humanas e pouca resistência entre biólogos e grande entusiasmo na área de engenharia.
Trata-se de uma nova tecnologia de usinas hidrelétricas, que utiliza reduzidas quedas d`aguas, ao invés da tecnologia de turbinas verticais que usa grandes barragens para formação de reservatório e elevação da queda, a turbina horizontal ou tipo “bulbo” quase não precisa de queda, ela trabalha sob ação da correnteza aplicada sobre as pás (como as hélices de um navio), o baixo rendimento individual das turbinas é compensado pela sua disposição em série.
Como o assunto é instigante procurei conhecer mais. A Odebrecht construtora que venceu a licitação acusa a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, de desrespeitar duas vezes os contratos firmados com a empresa, da última ela cassou o direito de exclusividade para o fornecimento das turbinas.
O modelo tradicional de turbinas produz 0.50 Km2 de alagamento por KW, o tipo “bulbo” deve fazer um alagamento de 0,08 Km2 por KW, os técnicos contratados pelo governo afirmam que, ao contrário das usinas comuns a horizontal produz pouco assoreamento e pouca diminuição da velocidade da água.
Certos ou errados em se oporem ao projeto, os ambientalistas não distinguem as duas tecnologias, eles apenas argumentam que a Amazônia já é uma zona muito ameaçada e qualquer cuidado com a redução do impacto ambiental é insignificante em se tratando de grandes obras. Eles não deixam de ter razão, mas a energia é indispensável para o homem e aparentemente esta nova tecnica parece ser menos agressiva ao meio ambiente.
O governo argumenta que a alternativa viável às hidrelétricas seria a termelétrica, com impacto ambiental muito maior a longo prazo. Além das usinas maremotriz, solar e eólica a hidrelétrica ainda é a que causa menos impacto.

É evidente que o governo esta manipulando os dados a respeito do impacto ambiental da usina, dizer que não haverá acúmulo de sedimentos é absurdo. Por outro lado, há que se relativizar o fato de as duas usinas, praticamente uma em frente a outra, serem muito menores que as usinas convencionais, muito mais baratas e muito menos prejudiciais ao meio ambiente, para se ter uma idéia Itaipu tem uma capacidade instalada de 14 megawatts, enquanto o complexo do rio Madeira deverá produzir 6,4 megawatts - é sem duvidas um projeto interessantíssimo.
Por outro lado, o “corpo místico” do mercado financeiro afirma que, pior que o risco ambiental é o endividamento do Estado e alto comprometimento fiscal da obra, visto que, o preço do megawatt/hora gerado pelas usinas horizontais na Amazônia é muito alto cerca de R$ 160,00 o Mwh (R$120,00 de produção e R$ 40,00 de transporte) contra R$ 132,00 do valor do Mwh no mercado; o governo argumenta que, ainda assim a energia produzida nessas usinas é mais barata que a oriunda de termelétricas. Talvez o fato de ela gastar muito menos concreto por quilowatt também explique suas oposições.
Em resumo, este governo esta retomando, insisto, timidamente, o investimento em obras de infra-estrutura, quem tem mais de trinta e cinco anos não deveria estranhar esse tipo de obra, ele merece um pouco de crédito por parte dos ecologistas e um tratamento menos demagógico por parte da oposição de esquerda, quanto aos economistas liberais seu ataque é aindaum bom sinal.

Um comentário:

Geraldo disse...

Existem basicamente três tipos de turbinas: Pelton, Francis e Kaplan.

De um modo geral a Pelton (semelhante a uma pequena roda d?água) é utilizada em grandes desníveis (e pequenas vazões). A Francis para desníveis médios. E a Kaplan (parecida com uma hélice de navio) para desníveis reduzidos.
A posição do eixo da turbina, se horizontal ou vertical normalmente depende do porte. O eixo vertical é normalmente usado para máquinas grandes e o horizontal para pequenos aproveitamentos. Dependendo muito também, das condições locais.
A posição horizontal do eixo de uma turbina Kaplan (denominada turbina bulbo) não é muito usual, pois o gerador acoplado à turbina fica submerso, que é a proposta do aproveitamento do rio Madeira.

Sem dúvida o custo da energia gerada por uma hidrelétrica é muito inferior a de uma termelétrica, principalmente se esta for movida a combustível líquido, derivado do petróleo.
Na termelétrica a carvão o custo é mais reduzido (mas ainda superior a de uma hidrelétrica) mas é extremamente poluente. Sendo viável principalmente onde existe carvão como é o caso da Termelétrica de Figueira no Paraná.

Itaipú foi um erro muito grande, tanto em preço como em custos ambientais. Sua represa inundou a calha do Rio Paraná desde perto da foz do rio Iguaçu até as antigas sete quedas em Guaíra. Em vez disso, no mesmo trecho poderia ter sido ser realizado várias usinas hidrelétricas menores, que resultariam em muito menor volume de barragem e menos área inundada. E portanto de custo muitíssimo inferior. E a potência obtida seria exatamente a mesma!
Venceram a queda em um único degrau, onde o mais econômico seria aproveitar o desnível em vários degraus. Mas os militares queriam uma obra faraônica, não importando o custo.
Já existiam estudos de aproveitamento das bacias hidrográficas no Paraná, que não foram observados, pois queriam fazer uma obra megalomaníaca.
A potência de uma hidrelétrica é (desnível)x(vazão), portanto vários degraus ou um único degrau resultam na mesma potência. Mas o custo de um degrau único como é o caso de Itaipú é muitíssimo maior!