24 outubro, 2008

Avaliação

Alexandre, dirigente municipal do PT, apresentou, em seu blog,avaliação sobre o processo eleitoral, contribuindo com o debate.

Apresento aos leitores.

Na próxima terça-feira, às 19 horas, o Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores de Sorocaba estará reunido para fazer sua análise sobre os resultados das últimas eleições.

Acredito que será um momento importante para a realização deste debate, pois novos rumos terão de ser tomados, para reestruturar o partido.

Também acredito que o debate será tenso e marcado por acusações mutuas e passionais.

Porém a minha formação marxista, não compreende como correta esta forma de analisar a situação, desta maneira estou postando a minha análise, para conhecimento prévio de todos, entendendo que esta é a melhor maneira de contribuir com o debate.

O primeiro fator a ser analisado é a conjuntura econômica: o crescimento da economia brasileira, capitaneada pelo Presidente Lula e o PT, conseguiu resultados excelentes, diminuindo em todo o país as taxas de desemprego e a melhora dos salários e das condições de vida da população.

Como conseqüência disto, aumentou em muito a arrecadação de impostos, principalmente das grandes cidades, como Sorocaba, que concentram um grande parque industrial e de serviços. Este aumento de arrecadação melhorou as condições das prefeituras municipais, que conseguiram fazer mais obras, e desta maneira atender as reivindicações das populações.

O aumento do emprego e dos salários melhorou as condições de vida dos mais pobres, tirando a demanda imediata do setor publico. Nos últimos anos, só o setor metalúrgico de Sorocaba, empregou mais de 20 mil trabalhadores. Em sua maioria, eles deixaram de utilizar os serviços públicos de saúde e passaram a utilizar os convênios médicos de suas empresas. Isto reduziu a pressão por melhorias na saúde publica. E de maneira sistemática, porém em menor escala, isto se refletiu nos demais setores, como habitação, transportes, educação.

Sem contar, que esta melhora das condições de vida, aumentou o sentimento de felicidade da população, contribuindo para deixar “a coisa como esta”, em vez de mudá-la.

Pelo país afora, esta situação contribuiu para a reeleição dos prefeitos e prefeitas brasileiras, com índices altos de aprovação. Quando não ocorreu esta reeleição, foi porque o executivo municipal foi extremamente incompetente na aplicação dos recursos públicos.

Outro fator que deve ser levado em conta, foi à divisão ocorrida no PT de Sorocaba, com a saída dos grupos políticos, que atuavam junto com o Gabriel Bittencourt e do Raul Marcelo. Os votos dados para estes setores da esquerda, cerca de 20 mil, não foram contabilizados em função da legislação eleitoral, que exige que se atinja o quociente eleitoral, que nesta eleição ficou em

Em 2004, estes grupos estavam dentro do PT, o que contribuiu com o bom desempenho eleitoral do partido.

Se eles estivessem nesta eleição, ainda junto com o PT, mesmo que através de coligações proporcionais, estes votos contariam e o numero de vereadores eleitos, pela coligação, seriam de 5 cadeiras.

Nesta análise estão retirados os votos dados ao vereador Claudio do Sorocaba 1, pois sua participação não seria possível em uma coligação de esquerda.

Estes números são a prova irrefutável, de que a divisão das forças de esquerda, foi o principal fator da diminuição do número de vereadores de esquerda em Sorocaba.

Onde foi efetiva esta divisão, ocorreram enormes derrotas para as forças de esquerda, e vitórias maciças das forças conservadoras, sejam pela via eleitoral, ou pela via armada. Temos como exemplo, a Alemanha nos década de 1920, a Espanha na década de 1930, O Chile e Portugal na década de 1970, a Itália e a França no ano de 2007 e 2008.

São muitos os fatores que levam a esta situação de divisão, não sendo o objetivo desta análise em aprofundar o debate neste momento.

Em Sorocaba, em especial, a falta de dialogo, de absorção das vária idéias e projetos, bem como os egos pessoais, pesaram nestas divisões.

Outro fator importante foi à falta de capacidade dos grupos dirigentes, em compreender a situação, agindo de maneira idealista, sem, contudo se concentrar na organização do partido. Esta falta de organização se refletia na falta de propostas arrojadas e combativas, deixando o partido a reboque das iniciativas da burguesia local.

Quantas e quantas vezes, os meios de comunicações locais, usaram o seu poder para bater no PT, e muito pouco era dito ou feito. Medidas judiciais deveriam ter sido tomadas contra os que utilizam dos meios de comunicações para chamar os petistas de criminosos, e também contra os órgãos de imprensa que davam guarida a esta campanha sórdida, contra o partido.

Esta ilusão correu pelo partido, esquecendo que a imprensa tem lado, o lado do capital.

Também se deve levar em conta, o rebaixamento do programa do partido, para “atrair a classe média”, deixando de lado questões importantes como, o transporte público. Sendo que este atende de fato as necessidades da maioria da população, que é composta de trabalhadores. Ou de ações mais combativas em defesa do meio ambiente.

O partido e a bancada praticamente não fizeram oposição ao prefeito Vitor Lippi, fazendo apenas critica pontual. Quanto da luta pela indicação do candidato do PSBD, o atual prefeito utilizou do poder da prefeitura para pressionar os delegados tucanos, e nada foi dito ou feito por nossa parte.

Não fizemos nada, quanto às terceirizações na prefeitura, que desvirtuavam as carreiras do serviço publico municipal, foi necessário o Ministério Publico do Trabalho, entrar com ações para acabar com estas irregularidades.

Até 2004, o PT tinha dois deputados e 4 vereadores, mas a atuação conjunta entre eles era quase que insignificante. Praticamente era impossível reunir a bancada, e a bancada com a executiva do partido. Cada mandato agia, como se fosse um diretório do partido, tomando ações de seus próprios interesses, se, levaram em conta os interesses maiores do partido e dos trabalhadores.

Cada mandato tinha a sua imprensa, seu boletim informativo, que falavam o que queriam sem dar satisfação ao diretório do partido. Aparentemente, isto fortalecia cada grupo, mas na realidade enfraquecia a todos, como comprovam os atuais resultados.

De uma maneira ou outra, todos os grupos tem responsabilidade nesta situação.

Mas como não haverá mudanças de pessoas, e seremos nós mesmo que continuaremos estas lutas, se torna necessária uma grande reflexão de nossa parte, para com sabedoria e paciência, mudar os rumos do partido, levando ele de fato ao lugar onde nos interessa: que ele seja o representante dos trabalhadores e trabalhadoras sorocabanas na luta política. Este deve ser o nosso objetivo, o nosso compromisso.

Isto nos remete em uma política de construção de núcleos do partido, na construção de uma comunicação unitária, em ações enérgicas contra as pessoas e órgãos de imprensa que procuram difamar o PT.

Também deve o partido ter um programa voltado para a grandiosidade de Sorocaba e do seu povo. Com metas ousadas e capazes de melhorar a qualidade de vida da população.

Um comentário:

DANIEL PEARL disse...

Daniel Lopes, gostaria de contar com seu apoio em divulgar o novíssimo vídeo: “SERRA E KASSAB, A MÁFIA PAULISTA”. Quem não vai gostar é os almofadinhas do "CANSEI" e os neuróticos jornalistas da Folha de São Paulo, Estadão, Veja, Rede Globo, SBT, Rede Record, RedeTV, Correio Brasiliense, O Globo, Jornal do Brasil e O Dia. O endereço do Yuotube:
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Um grande abraço, Daniel – editor do blog Desabafo País (Brasil):
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