05 março, 2006

Ainda sobre o Carnaval


E a Vila Isabel levou o título do Carnaval carioca. Um belíssimo desfile que levou pra passarela do samba o enredo "Soy loco por ti, América" e que recebeu um patrocínio da petrolífera venezuelana PDVSA no valor de US$ 425 mil (quase um milhão de reais). Após a conquista do Carnaval carioca, o Presidente da Vila Isabel, Moisés, agradeceu a colaboração e fez questão de convidar o presidente venezuelano para o desfile do ano que vem: "Vamos mandar agora um convite para o presidente Chávez agradecendo o apoio e convidando-o, mais uma vez, para participar do desfile da Vila".

Que beleza!!! A Venezuela investindo na cultura popular brasileira... Isso sim é que é a "latinidade"que fazia parte do enredo da Vila.

Gente, dinheiro público é coisa séria! Não estou fazendo aqui uma crítica ao governo venezuelano, mas sim ao descaso no uso do dinheiro público. Isso acontece lá, mas acontece por aqui também. Vamos ficar atentos!

12 comentários:

Daniel Lopes disse...

Não entendo que houve descaso com o dinheiro público. Investir na cultura é fundamental, inclusive para que comecemos a reconstruir nossa identidade latina.
O tema da escola de samba dizia respeito à América, implicitamente, reaproximamos certos conceitos, conhecemos outras realidades, avançamos politicamente e reforçamos a Frente Bolivariana. Em suma, acho válido sob muitos aspectos.
Abraços!!!

Espírito Santo disse...

Caro amigo Daniel,

Eu tinha certeza que ao postar esse tópico sua manifestação seria essa.
Recentemente nosso amigo Reinaldo postou aqui que a Leandro de Itaquera havia sido merecidamente rebaixada no Carnaval paulistano. Foi muito feliz o comentário do Reinaldo, porque entre outras coisas condenou o apoio financeiro da Prefeitura à escola. Na Leandro houve promoção pessoal dos pré-candidatos do PSDB assim como na Vila Isabel houve promoção pessoal do Presidente Hugo Chavez. Tanto é verdade que no seu programa de TV, o presidente Chavez fez lá sua propagandinha pessoal, com link direto do Rio de Janeiro e aparição do Presidente da escola.
Daniel, você sabe que essa não é uma crítica ao governo venezuelano nem à esquerda. Não podemos confundir as coisas.
Investimento em cultura sim! Sempre! Mas promoção pessoal, exploração da cultura popular em favorecimento de interesses políticos não! Nem aqui, nem na Venezuela nem na Conchinchina.
Grande abraço

Bruna disse...

O carnaval deixou de ter suas características primárias de manifestação popular para tomar dimensão de espetáculo midiático onde cores, brilhos e interesses sobressaem à tradição de uma comunidade. A voz do carnaval deixou de ser voz da comunidade para ser a voz de quem pudesse proporcionar um carnaval com mais brilho e luxo. Nos parece que o valor da mensagem foi substituído pelo valor da imagem.

Daniel Lopes disse...

Não me preocupo com as promoções pessoais estabelecidas,mas concepções de projeto de mundo que se encontram por trás destas referências, seja de esquerda ou de direita. Serra, "prefeitão por 4 anos", ou Alckmin "chuchu", são avançadores do projeto neoliberal que destrói o mundo em desenvolvimento. Contesto, portanto, o caráter ideológico de tais manifestações. Procuparia-me se Hugo Chaves tivesse um carro com sua foto; a esquerda não tem heróis (postulado básico), pois se assim for, o projeto de transformação se desconfigura com seu afastamento da política ou com sua morte.

Espírito Santo disse...

Daniel, Daniel...

Já disse que não se trata da eterna luta "bem X mal" "esquerda X direita" ou "pt X tucanos". Dinheiro público utilizado para promoção pessoal e se valendo de manifestações culturais populares é descaso sim! É irresponsabilidade! E muitas vezes é populismo! Seja da parte dos tucanos, dos petistas, dos venezuelanos, brasileiros ou de quem for.
E me desculpe... Concepções de projeto de mundo? A esquerda não tem heróis? Francamente...
Que concepção de projeto de mundo o sr. Chavez quis divulgar com o patrocínio no Carnaval se não divulgar sua própria imagem. Quer ser o herói venezuelano.
E mais uma vez me desculpe. A esquerda tem muitos heróis sim. E não acho que isso seja ruim. Talvez, graças a eles (seus heróis), a esquerda sempre terá força. Quem é capaz de ignorar a figura de Guevara para a esquerda? Você sabe bem disso. Poderíamos citar outros tantos heróis (ou ex-heróis, ou anti-heróis) da esquerda, inclusive no cenário nacional, mas deixa pra lá.

Volto a dizer, esse não é um comentário criticando a esquerda ou o governo venezuelano, mas sim uma crítica ao descaso com o erário público e contra a exploração da cultura popular em favor de interesses políticos. Seja de quem for.

Daniel Lopes disse...

Trata-se sim de questões políticas, não basta enxergar o que está diante dos nossos olhos. Alckmin e Serra representam um projeto de poder, assim como Chaves.
A esquerda não tem heróis mesmo. É um postulado indiscutível; referimo-nos a Che Guevara e outros como referências. Veja se tratar de um termo que exprime todo um conteúdo diferente, o líder tem seguidores, com seu afastamento ou morte, acaba o movimento. As referências são pessoas que no decorrer do projeto estratégico de poder merecem destaque,isto é, serem estudadas e relembradas.
Este tipo de compreensão é bastante profunda, e essencial ao militante de esquerda.
Ressalto, portanto, estar em jogo, em realidade, não é o erário público, a promoção pessoal ou o populismo, mas sim os projetos políticos ideológicos que circundam estas pessoas; proponho linha de raciocínio mais aprofundada.
Obs.: o militante de esquerda não pode ter líderes, heróis ou ícones. Esta concepção atrapalha todo processo transformador ou revolucionário.
Obs.: o povo não é, em totalidade, de esquerda, portanto, admite-se como parte integrante deste processo, o "Lulismo" ou o "Chavismo",p.ex., entretanto, a nós esquerdistas, ideologicamente enraizados, cabe conscientizar, mas saber compreender.

FREDO disse...

Projetos políticos ideológicos? Ah tá... Agora eu entendi tudo!
Quando é propaganda e dinheiro do povo jogado fora pela esquerda é por um projeto de poder pelo bem da humanidade. Quando a direita joga fora o mesmo dinheiro e faz propaganda pessoal é porque eles são filhos da put... mesmo.
Entendi tudo!

Quero aproveitar o espaço para lançar um lindo projeto (que não é pelo poder): CHÁVEZ CANONIZADO JÁ!

daniel lopes disse...

Fredo, você não entendeu nada. Ambos se utilizam do dinheiro visando seus projetos de poder.

Discordo com a canonização do Chavez, deve ele ser ateu, portanto, não preenche os requisitos.

Espírito Santo disse...

Exatamente Daniel!
Ambos se utilizam do dinheiro PÚBLICO visando seus projetos de poder e ambos estão errados, pois dinheiro PÚBLICO não deve ser utilizado com esses propósitos. Perfeito! Como eu já imaginava, você entendeu o recado de primeira.
Valeu pelo debate!
Um grande e fraternal abraço!

daniel lopes disse...

Não é isto.
A discussão não é simplista.
Um se utilizou de dinheiro público para divulgar claramente sua imagem, o outro, por sua vez, disponibilizou verba para uma escola de carnaval, sem ter num carro abre-alas sua foto gigantesca, investindo, por fim, em cultura. Não é errado colocar dinheiro público na Cultura. Está certíssimo!!! Isto em consonância aos meus pensamentos ideológicos. Entretanto, percebe-se que está em jogo é o projeto de poder e não simplesmente meras promoções pessoais. Evidentes no caso do "picolé de chuchu" e no "prefeitão por 4 anos".

Espírito Santo disse...

Nenhum carro abre-alas mas com AMPLA divulgação em seu programa semanal de TV. Promoção pessoal evidente em ambos os casos.
Condenáveis as atitudes de ambos!
Investimento na cultura, ambos fizeram, e todos com fins de promoção de seu projeto de poder e de suas imagens pessoais.

Meu bom amigo, como já disse, você entendeu o recado de primeira. A discussão não é simplista. É objetiva!

Também sou contra a canonização de Chávez. Acho que ele não preenche outros requisitos. Brincar com dinheiro público é pecado (o fato de ser ateu pouco importa). rsrs

É isso aí. Abraço de novo

daniel lopes disse...

Não disputarei quem escreve por último, portanto, escreva embaixo desta e encerramos a discussão.