11 junho, 2007

Sobre a reforma política

Particularmente, sou favorável ao sistema de listas partidárias pré-ordenadas, do financiamento público de campanha e da fidelidade partidária.

Não acredito que tais reformas solucionem o problema da corrupção. Ladrão não falta. A reforma política, nestes termos, apenas tornará a corrupção não-sistemática. O que não é pouco.

O debate entre projetos políticos distintos será o tema central das campanhas, substituindo o atual Big Brother entre candidatos bizarros e insignificantes, que servem para recolher votos para os que realmente estão na disputa. O custo das campanhas será reduzido substancialmente.

Os que são contrários ao sistema de listas pré-ordenadas afirmam que o eleitor não poderá votar em seu candidato do coração, e, no final das contas, não saberá em quem votou.

Isso não e verdade. As pessoas conhecerão as listas partidárias e saberão quais os candidatos, por sua colocação nas listas, terão mais chances de serem eleitos.

No sistema atual é que as pessoas não sabem em quem votam.

Para decidir quem será eleito, são somados os votos de todos os candidatos e da legenda partidária. Os mais votados, dentro da legenda, ficam com as vagas.

Vejamos um caso real. Um determinado eleitor queria votar no PT, num deputado que não estivesse envolvido no chamado "escândalo do mensalão". Votou na Iara. Ela não foi eleita e seus votos serviram para eleger o Genoino - exatamente o contrário do que o eleitor pretendia.

Outros exemplos do atual sistema:

- Raul Marcelo foi eleito deputado estadual com 35.670 votos. Caldini Crespo, com 62.690 votos, não foi eleito.

- O "doutor Enéas", que Deus o tenha, foi eleito com mais de um milhão de votos. Conseguiu sua vaga e, de quebra, com seus votos, elegeu mais três deputados, que quase não tiveram votos. Na época, surgiram denúncias de que as "vagas" do PRONA haviam sido vendidas a preço de ouro.

- Quando um trecho das obras do metrô desabou, criando o buraco do Serra, a Assembléia Legislativa criou uma comissão para investigar o acidente. Todos os deputados da tal comissão, sem exceção, do PT ao PFL, receberam doações das empreiteiras e construtoras que estavam sendo investigadas. Por falar em investigação, quais as conclusões da comissão? Enterrados os mortos, algumas indenizações serão pagas. E as obras continuam. Turn Key.

4 comentários:

Gluglu disse...

"excessão"??!!??!!?? Jesus Maria José...

Reinaldo disse...

Correção feita, gluglu.

al fredo - um tucano-petista disse...

Com todo respeito Reinaldo, o sistema de listas partidárias, bem como tudo que falou em sua defesa é uma grande bobagem.

As listas, assim como o sistema proporcional hoje vigente, privilegiariam os mesmos caciques. Ou o colega acredita que numa lista partidária Palocci e Genoíno estariam "atrás" da companheira Iara Bernardi.

A comparação de Raul Marcelo com Crespo é infeliz. A maior parte dos votos do PSOL foi em legenda o que justificou a eleição de dois candidatos com pouca votação (o voto em legenda é justamente o que defende o colega). Aí, sejamos justos, será que se o voto fosse exclusivamente na legenda, Raul seria o segundo da lista?

Fica patente que a lista partidária é uma estupidez que busca privilegiar um grupo que pretende se eternizar no poder.

Se o sistema proporcional não é o melhor dos sistemas, a lista partidária é uma aberração.

Seria até interessante... Com a lista partidária encabeçariam a lista do PT: Palocci, Zé Dirceu (que logo volta), Genoino, Vavá, Frei Chico...

Ê povinho bom!

Reinaldo disse...

Caro "Al fredo":

Sobre suas observações, posso dizer que o Genoíno e o Palocci estariam "na frente" da Iara na lista partidária, se contassem com mais votos dentro do partido.

O PT decide suas disputas internas através de prévias. Lula, em 2002, foi obrigado a participar da uma prévia com o sendor Suplicy. A Iara em Sorocaba teve que disputar uma prévia com o Gabriel e perdeu. Antes, havia derrotado o Gáspari.

Assim funciona a democracia. Agora, como os partidos "de direita" ordenarão suas listas. Esse é um problema deles.

Porém, os eleitores certamente levarão em conta quem são os primeiros nomes da lista ao votar.

É possível que partidos políticos "vendam" vagas em suas listas. Será bem menos do que ocorre hoje.

E, ao longo do tempo, tais partidos serão colocados em segundo plano.

Ter identidade, coerência e bons nomes em sua lista serão indispensáveis para que os partidos se consolidem num sistema de lista fechada.

A comparação entre Raul Marcelo e Crespo não é indevida. O PSOL apenas teve uma "grande votação de legenda" em nível nacional. No estado de São Paulo, não alcançou 1% para seu candidato ao governo e a legenda seguiu o mesmo caminho.

O votos que elegerão Raul foram arrecadados através de vários candidatos nanicos, espalhados pelo estado, e através de uma coligação que envolveu TRES PARTIDOS: PCB, PSOL e PSTU.

Quem votou no PSTU ou no PCB elegeu o PSOL.

Ademais, como diria o Daniel, Raul Marcelo filiou-se ao PSOL como um de seus únicos vereadores, com um grande grupo de pessoas e, numa lista partidária, provavelmente seria um dos primeiros nomes, sim.

Com relação à lista do PT, por quê tanta preocupação?

Você poderá se filiar ao partido e escolher o candidato de sua predileção. As portas estão abertas (mas limpe os pés antes).