29 agosto, 2007

Questões sobre a a reforma política

Num comentário da postagem abaixo, um leitor anônimo critica a lista pré-ordenada, dizendo que retira do eleitor o direito de escolha.

Sobre essa polêmica, reproduzo abaixo um texto do blog do Marcelo Coelho

"(...) A Câmara dos Vereadores está em guerra contra o Conpresp, órgão que se dedica a tombar prédios e logradouros históricos na cidade. A Câmara decidiu que o voto do Conpresp não vale tanto assim. Afinal, entre as questões em jogo está um conjunto de galpões industriais na Mooca, e doze edifícios históricos (e baixos) perto do Ipiranga.

Mas o mercado imobiliário gostaria de construir prédios nesses lugares. Insurgiu-se contra o Conpresp. A Câmara Municipal atendeu a essa revolta, diminuindo os poderes do Conpresp.

Seria de esperar, num mundo em que Deus existe, a revolta do PT diante dessa iniciativa do capital predatório. Leio, entretanto, que vários vereadores do PT concordaram com o fim do tombamento e com a redução de poderes dos tombadores.

Arselino Tatto, João Antonio, José Américo, e Paulo Fiorilo são do PT e são contra o poder dos tombadores. Receberam, em doações do mercado imobiliário, respectivamente as somas de R$ 39 200, 20 000, 100 000, e 2 000."

Para isso serve a lista aberta. Para que o eleitor "ache" que escolheu seu candidato, que na verdade foi escolhido por empresas, que fazem doações milionárias para os que defenderão seus interesses.

Mesmo que sejam políticos, em tese, de esquerda.

3 comentários:

roberto disse...

Caríssimo,

reli meu comentário anterior e percebi o quão mal escrito ele foi, pois não consegui passar meu pensamento...

Concordo com a necessidade de diminuir a influência do poder econômico nas eleições. Mas tenho, ainda, grandes ressalvas à limitação que a lista traz.

Realmente é triste ver que estamos sendo representados por Frank Aguiar, Clodovil, Maluf... Mas não imagino a limitação da escolha dos nossos representantes como solução.

Qualquer solução que implique em poda da liberdade, em cerceamento de direitos é extremamente perigosa. Hoje, se proíbe candidatos de pouca expressividade política... depois, partidos de pouca expressividade... e se alguém propõe a proibição de grupos de pouca expressividade?? Hoje parece tão absurdo, mas há alguns poucos anos a idéia de uma lista também parecia...

A realidade é que o povo está desgostoso com a política. Ver José Genoíno envolto em lama, assim como Paulo Maluf já esteve (por mais simplista que esse comentário seja) acaba com as esperanças de qualquer cristão!! Pra que lado correr??!!??

Não imagino uma solução que não caia no lugar comum: educação, informação, politização popular. Não consigo acreditar que os "políticos" supracitados não tenham sido votados como forma de "protesto"... o mesmo protesto que já elegeu Cacareco há 50 anos atrás, com a pequena diferença que o animalzinho não poderia entrar no Congresso...

A população despreza o voto, infelizmente. Citei Figueiredo anteriormente, mas não passei a mensagem que queria: concordo com ele. Mas discordo que imposições e cerceamento de direitos conquistados a duras penas sejam a solução.

Anônimo disse...

alto nível, ultimamente

Reinaldo disse...

Caro Roberto:

Concordo que limitar o direito de escolha é um erro.

Acontece que, hoje em dia, esse direito é limitado, afinal de contas, todos os candidatos devem, obrigatoriamente, fazer parte de uma lista partidária para concorrer às eleições.

Como os eleitores não conhecem as listas, "acham" que estão votando num candidato, quando, na verdade, estão elegendo outro.

Num exemplo que já citei neste blog, se um petista, morador da região de sorocaba, desejava eleger um deputado federal do PT, de sua região e que não estivesse envolvido no chamado "escândalo do mensalão", votaria na Iara Bernardi,

Ocorre que, na lista partidária aberta, ele ficou atrás de João Paulo Cunha, que também não teve votos para eleger-se sozinho.

Portanto, os votos da Iara serviram para eleger um deputado que não é da região e esteve envolvido nos escândalos do mensalão. Um absurdo.

A única alternativa para que o eleitor votasse diretamente em seu candidato seria a adoção do sistema distrital. Porém, tal sistema, a longo prazo, é ainda pior que o sistema de listas abertas.

Como cada distrito elege um candidato, as minorias nunca estarão representadas, serão excluídas do cenário político.

Por outro lado, supondo-se que o país tenha 500 distritos eleitorais e, em cada um desses distritos, o PSDB tivesse 30% dos votos, o PT 25% e os demais partidos dividissem o resto dos votos, no final da eleição o PSDB, com 30% dos votos, elegeria 100% dos parlamentares.

Reconheço que é um debate espinhoso. Todas as escolhas, num sistema político, nos fazem abrir mão de algo em troca de um benefício.

Apesar disso, é um debate necessário.

Nosso sistema político atual é uma "máquina de fazer escândalos".