23 fevereiro, 2009

Ainda sobre os novos cargos na câmara de vereadores

Os leitores José e Márcia Regina questionam a posição do blog sobre a criação de 26 novos cargos na câmara de vereadores em Sorocaba.

O blog já havia se manifestado no post "Farra do boi na câmara de vereadores".

Acredito que o título da postagem fale por si.

Os leitores também questionam a posição do vereadores do PT, Izídio e França, que votaram a favor do projeto.

Para responder, li o capítulo I do Capital, fiz algumas pesquisas em Gramsci e descobri o seguinte: foi por safadeza mesmo. Oportunismo puro.

Posso garantir que a maioria dos petistas é contra tal situação.

Entidades estudantis representaram junto ao Ministéorio Público pela abertura de inquérito civil público para investigar possível ato de improbidade administrativa. No documento, os líderes estudantis Gilson Amaro de Freitas, do diretório central da Universidade de Sorocaba (Uniso), e Marcos Roberto Coelho, do centro acadêmico de Direito da Universidade Paulista (Unip), alegam que o ato da Câmara feriu os princípios da moralidade, impessoalidade, legalidade e eficiência da administração pública, previstos na Constituição Federal. (fonte: G1)

Gilson é do PSOL. Marcos Roberto, o Latino, é do PT.

Ou seja, nem tudo está perdido.

De qualquer forma, mandei um e-mail para o Izídio, para o França e para o Paulo Henrique (presidente do PT), nos seguintes termos:

Companheiro:

Por que você foi favorável a criação de 26 novos cargos na câmara de vereadores?

Por acaso fumou maconha estragada?

Aguardo sua resposta

Carinhosamente

Reinaldo

Se algum deles responder, publico aqui.

10 comentários:

Reinaldo disse...

Por enquanto, só o Paulo Henrique, uma das pessoas que mais respeito e admiro no PT, respondeu ao nosso questionamento.

Segundo o PH:

"Tenho uma posição muito clara a respeito.

Há uma imensa dose de hipocrisia quando se ataca a criação dos novos cargos, sem uma análise detida e fria quanto ao fato.

Muitos vereadores já tinham os tais cinco assessores escondidos em cargos de confiança da mesa. A redistribuição era medida de equilíbrio.

No mais, o óbvio é que lutemos pelo respeito aos que prestaram concurso público para os cargos compatíveis com tal modalidade de seleção.

O maior problema, ao meu ver, não está na quantidade de assessores ou de vereadores, mas na qualidade dos mesmos. Ninguém reclamaria de tal estrutura, se nosso legislativo não fosse, ao menos na maior parte do tempo, "cartório" do executivo.

No entanto, afastado o purismo, há no nosso campo um imenso enrosco. Nossa bancada poderia ter feito o debate com a base petista e com a sociedade e se posicionado.

Deveriam ter vindo a público explicar os motivos pelos quais concordaram com a aprovação do projeto, sob pena de um afastamento irrecuperável entre a opinião da base petista e seus representantes. Situação delicadíssima.

É nesse abismo que reside minha real preocupação. Sempre fui e continuo sendo um defensor do fortalecimento partidário, inclusive para que possamos evoluir para um sistema de voto em lista, nas eleições proporcionais. E esse tipo de postura fere profundamente esse princípio."

Daniel Roberto disse...

Pra mim deveriam ser enviados para o conselho de ética do partido mas acho q n adiantaria, acho q o PT de sorocaba chegou a um centralismo de uma tal maneira q as pessoas agem e falam do PT como se representassem o partido. Será q o poder subiu?
Att

L. Archilla disse...

eu acho que quem fumou maconha estragada foram os eleitores do PT que deixaram de votar no Arnô pra eleger o Izídio.

Daniel Roberto disse...

huahuahuahua estão passando beck estragado rss pra mim eles (vereadores do PT) são mais a cara da sociedade sorocaba que do PT, mas fazer o que?? Assim caminha a mediocridade...

Anônimo disse...

Quer dizer então que porque muitos vereadores já tinham os tais cinco assessores escondidos em cargos de confiança da mesa, que o pt resolveu apoiar a criação de mais cargos de confiança, sem concurso e para a maioria da situação, afinal, chegamos a 2 vereadores nesta eleição?

E ser contra isso é hipocrisia?
Saudades do Raul.
Ele sabia fazer contas....

Reinaldo disse...

Segue a resposta do França:

"Recebi seu e-mail e jamais deixaria de responder.

A vida pública exige coragem. Coragem para assumir posições e para sustentá-las.

Isto é fácil quando se defende causas de grande popularidade, mas o mesmo não se pode dizer quando o posicionamento pode gerar reações como as que o assunto em discussão vem gerando.

Votei a favor da criação dos cargos por vislumbrar a oportunidade de contar com mais um colaborador, no sentido de aperfeiçoar os trabalhos do meu gabinete, que sempre entendi como um instrumento da sociedade, buscando uma atuação parlamentar estritamente sintonizada com as legítimas aspirações comunitárias. Em outras palavras, um mandato popular.

É esta a minha posição, desvinculada de empreguismo, nepotismo, ou qualquer outro “ismo” negativo.

Finalmente, esclareço que não fumei maconha estragada. E nem de qualidade!"

Anônimo disse...

Mais um colaborador????
Me pergunto, quantos projetos relevantes foram apresentados pelo Nobre vereador?
Qual a qualificação dos seus atuais colaboradores? Fazem jus ao que recebem?
É uma vergonha tal justificativa, por isso o PT de Sorocaba esta sumindo, não tem identidade. Espero que os nobres vereadores não sejam o retrato do sindicalismo de Soracaba, que no passado foi tão combativo e hj negocia cargos, coisa de pelego...

Feliz é o Lippe com uma oposição como essa!!!!!

Paulo Henrique Soranz disse...

Bom ver que este espaço está sendo tão bem aproveitado. Não há por aí bons espaços de debate como este por vezes se mostra.
Mantenho o que escrevi em meu texto anterior, mas aproveito a oportunidade para acrescentar alguns elementos a mais ao bom debate.
Como eu disse, creio que o maior problema é encontrarmos um equilíbrio entre a opinião da maioria da base petista, e a conduta de nossas bancadas, em todos os níveis e instâncias.
O debate da criação de cargos comissionados é delicado. É impossível dizer que todo cargo de confiança criado é imoral ou cabide de emprego.
A assessoria parlamentar necessariamente precisa ser desempenhada por pessoas de confiança do parlamentar e com perfil para tanto. A formação técnica, bem como as características de cada pessoa no trato com a população exigem uma afinidade ideológica muito fina entre o parlamentar e seu(s) assessor(es).
Por exemplo, imagine que os assessores fossem concursados, mesmo o desempenho técnico de um assessor jurídico carrega uma imensa carga ideológica. Se tal parlamentar for membro da UDR e da TFP, não adianta ter um assessor marxista, ele vai querer combater a todo o custo os MSTs da vida.
O exemplo contrário vale da mesma forma.
Portanto, em qualquer lugar onde haja democracia plena, cargos de confiança são de livre nomeação. Porém, a bem dos cofres públicos, devem ser usados com a devida parcimônia.
Outro argumento perigoso é o de que o dinheiro gasto com tais contratações poderia ser usado na construção de rede de esgotos, ou contrução de creches e escolas.
Olha, isso é verdade, mas muita atenção quando utilizar esse argumento, ele é também a origem do neoliberalismo, é só se lembrar da época louca de Geraldo Alckimin, FHC, Serra e companhia. Qual era o argumento para as privtizações? Enxuga daqui pra investir ali.
Espero não ser mal interpretado pelo que escrevi aqui. É só mais uma contribuição ao debate e não uma defesa da criação dos tais cargos.
Só acho que pra valer a pena, o debate tem que ser pleno, com menor preocupação em frases feitas e de efeito e maior interesse no conteúdo.

Paulo Henrique

josé disse...

se tiver resultado essas novas contratações, muito bem.
agora, se a oposição ao prefeito continuar sendo o raul marcelo e o ministérop píblico, esse dinheiro gasto com os novos acessores não servirá de nada, só mais emprego pra aliados.

e esses cargos seriam criados mesmo que os dois vereadores do pt não fossem a favor. ou seja, perderam uma chance de ficar não serem criticados pelas suas ações

Reinaldo disse...

Apesar da boa vontade do Paulo Henrique, tenho a impressão de que os envolvidos travam um debate de surdos, no assunto em questão.

É verdade que os parlamentares precisam de pessoas que os auxiliem no desempenho de suas funções. Pessoas que devem ser da absoluta confiança do parlamentar, devendo haver assessores de perfil técnico e assessores de perfil político.

É, porém, uma questão espinhosa, o número de assessores que um vereador ou deputado ou senador deva dispor.

Já ouvi comparações do tipo "Sorocaba, com tantos habitantes, tem tantos assessores. Estiva Gerbi, com menos, tem mais assessores". Ora, o mesmo raciocinio serve também para demonstrar que o número de assessores em Estiva Gerbi é excessivo.

O crivo da realidade, porém, demonstra que o número de assessores, e de outros recursos, é medido sobre a produtividade do órgão legislativo, ligado não só ao número de projetos ou de requerimentos, mas também a fiscalização efetiva realizada.

Causa indignação na população sorocabana um maior número de assessores, bem remunerados, quando os vereadores nada discutem de relevante, não se tem notícia de qualquer projeto que não seja nominação de ruas ou criação de datas festivas, e quando o executivo não é fiscalizado.

No único momento em que os vereadores poderiam, de fato, discutir a cidade, a votação do orçamento municipal, eles se restringem a negociar emendas individuais, para atender os currais eleitorais, fazer clientelismo, e votam o orçamento em bloco.

Mesmo a bancada do PT tem se dado a essas práticas.

E, para isso, para permanecer no gabinete atendendo pessosas que precisam de cestas básicas, de caminhões de terras e outras "demandas", não há necessidade de outro assessor. Poderiam até mesmo reduzir o quadro atual.