28 agosto, 2009
Festa de não-inauguração
27 agosto, 2009
Se tivesse que votar em um dos últimos cinco presidentes do Brasil hoje, em qual você votaria?
Resultado hoje (17h50)
Lula - 70,58%
Sarney - 10,29%
Collor - 5,91%
Itamar - 5,21%
FHC - 4,95%
Nenhum - 3,06%
Sensacional! FHC perde para Sarney, para Collor, para Itamar e briga feio para não perder para o nenhum!
Lanço aqui a campanha: vote nenhum para colocar FHC em último!
25 agosto, 2009
A pirata Sueca
Hoje, a coordenadora internacional do partido e estudante de economia Amelia Andersdotter, 21 anos, está próxima de ser a segunda representante da agremiação no Parlamento Europeu. A confirmação de sua vaga depende do plebiscito irlandês programado para outubro, que decidirá se o país aceita os termos do Tratado de Lisboa. Essa brecha jurídica é no mínimo curiosa. Os países membros da União Europeia mudaram, com o Tratado de Lisboa, as regras que definem o número de representantes de cada país no Parlamento continental. O único país que ainda não ratificou o Tratado é a Irlanda. O problema é que não houve medidas transitórias entre uma regra e outra, e até agora os 16 deputados que estariam eleitos pela nova regra esperam em seus gabinetes. Foram apelidados de “deputados fantasmas”.
Amelia, uma das fantasmas do Parlamento, não se importa com a indefinição. “É de certa forma divertido que seja possível a existência de ‘deputados fantasmas’”, brinca. Ela continua se dividindo entre a universidade e a militância política. Na entrevista abaixo, ela explica melhor as pretensões de seu partido.
Leia a entrevista na Revista Fórum
24 agosto, 2009
Paulo Teixeira na MTV
23 agosto, 2009
No Brasil a vida vale cada vez menos
Primeiro: o caso ocorrido em lojas da rede Carrefour. No dia 06, o pedreiro Ademir Peraro havia roubado coxinhas, pães de queijo e creme para cabelo do supermercado Dia%, pertencente à empresa, em São Carlos. O total do furto: R$ 26,00. Por isso, ele foi levado até um banheiro, agredido com chutes, socos e um rodo e deixado trancado, definhando, até às 22h. Depois, buscou socorro, mas já era tarde: acabou morrendo por hemorragia interna e traumatismos. Na delegacia, o segurança confirmou o caso e disse que seu supervisor, que o ajudou na sessão de tortura, havia sido o mais violento. Ninguém foi preso devido à falta de flagrante.
No dia seguinte, seguranças da loja do Carrefour em Osasco, Grande São Paulo, acharam que Januário Alves de Santana estava roubando um automóvel. Por isso, foi submetido a uma sessão de tortura de cerca de 20 minutos. “O que você fazia dentro do EcoSport, ladrão?”, perguntaram, enquanto davam chutes, murros, coronhadas, na sua cabeça, na sua boca. Quando os policias chegaram, mantiveram o terror. Segundo o site Afropress, um teria dito: “Você tem cara de que tem pelo menos três passagens. Pode falar. Não nega. Confessa que não tem problema”. O carro era dele, comprado em suadas 72 vezes de R$ 789,44.
Na cabeça dos seguranças do supermercado, um negro não poderia ter carro de bacana branco. Ambas empresas de segurança envolvidas, tanto no caso do pedreiro quanto no de Januário, que também é segurança, eram terceirizadas.
Segundo: o caso do trabalhador rural Elton Brum da Silva, morto na manhã desta sexta (21), durante uma ação de despejo de sem-terras da fazenda Southall, no município de São Gabriel (RS). A operação foi levada a cabo por 300 policiais da Brigada Militar estadual. Desde que assumiu, a política da governadora Yeda Crusius tem sido de repressão dura, violenta e intransigente contra os movimentos sociais. Seguindo essa toada, virão mais mortes até o final do mandato.
Yeda sustenta-se no cargo, mesmo com quase dois terços da população desaprovando seu governo, mergulhada até o pescoço em denúncias de corrupção que teriam beneficiado ela própria. Vale lembrar que o Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul pediu o seu afastamento, pois seria beneficiária de um esquema que desviou R$ 44 milhões do Detran gaúcho. Parte dos recursos teriam sido usados por Yeda para comprar uma casa de cerca de R$ 1 milhão.
Morto a rodo por furtar coxinhas, torturado por ter mais do que “aparentava”, assassinado pelas mãos da polícia por lutar por uma vida melhor. Enquanto isso, uma pessoa rica acusada de desviar recursos públicos para comprar uma casa pode continuar governando o Estado. Ou o Senado.
fonte: Blog do Sakamoto
E diante desses casos, você viu algum "colonista" da grande mídia tendo convulsões de indignição moral & ética?...
Cruzeiro do Sul ladeira abaixo
22 agosto, 2009
Intelectuais brasileiros à pronta entrega
Quem anda praticando muito isso é a imprensa anti-Lula-Dilma-PT ou pró-Serra, o que dá no mesmo.
Escohido um tema, compõe-se o texto, incluindo as possíveis declarações. Aí sim se discute: “quem diria isso aqui?”, pergunta o jornalista. Seu superior sem olhar o repórter responde como se citasse o próprio nome: “fulano”.
Sergio Miceli, num trabalho magistral, mostrou como de alguma maneira os intelectuais brasileiros sempre foram dependentes de alguma esfera de poder. Das oligarquias, antes, do Estado, depois.
Acrescentamos que a terceira fase de alguns “intelectuais à brasileira” é a associação com o as oligarquias midiáticas.
Há uma troca de favores intensa entre estes “especialistas” e as mídias: “dirás o que penso, e virás comigo ao paraíso”. Por paraíso, entenda-se uma boa divulgação para o próximo livro, um elogio na próxima edição, etc.
Os jornais devem ter uma listinha de intelectuais para pronta entrega de ideias. Eles têm como função assumir a opinião dos veículos, para camuflar o artigo como reportagem.
Os intelectuais à brasileira de padrão delivery mais batidos são: Marco Antonio Villa e Demétrio Magnolli. Mas há outros: uns mais outros menos discretos.
21 agosto, 2009
O dia em que o jornal Cruzeiro do Sul acabou
Pela forma como se pronunciou, fazendo referência ao caso do Secretário Municipal, chegando a mencionar que "ninguem está livre desse tipo de armadilha", o nobre edil, na verdade, de forma enviesada, num ato falho, transfere a culpa pela "armadilha" para as adolescentes, já que estas, para "comprar um tênis da moda", teriam como única saída a prostituição.
Tal afirmação, por parte do vereador Ditão Oleriano, embora cause indignação, não surpreende.
Surpreendente é que o Jornal Cruzeiro do Sul, em editorial de 20/08/09, a pretexto de defender o trabalho de adolescentes, corrobore a afirmação do dito vereador, "entortando" ainda mais a linha de argumentação e justificando, implicitamente, a lógica de que é óbvio traficar, roubar ou se prostituir para vestir um tênis da moda.
Observe-se, ainda, que o ato de se prostituir, em que a adolescente é vítima, é equiparado ao ato de roubar ou de vender drogas.
O dito jornal tenta previnir futuras críticas alegando que "Ditão exprimiu um pensamento compartilhado por muita gente, e que merece ser analisado sem preconceitos ou frases prontas."
Ora, a questão da prostituição infantil, da pedofilia, só será resolvida com educação de qualidade, em período integral para todos; com a luta contra a sociedade de consumo, que transforma pessoas em objetos e objetos em ídolos, através da publicidade sem escrúpulos, da qual o jornal Cruzeiro do Sul é cúmplice.
O nobre vereador e o dito jornal fariam mais pela infância se se juntassem a luta pela redução da jornada de trabalho no Brasil, garantindo que pais e mães possam estar durante mais tempo com seus filhos.
Por fim, não deixa de ser irônico que um jornal que por suas ligações com a maçonaria é conhecido como a "A Trombeta do Bode", ao completar um século de existência, por suas simpatias implícitas, passe a ser conhecido como "A Trombeta do Bode Velho".
19 agosto, 2009
O último suspiro de Serra
No dia 19 de julho escrevi o posto “O Último Suspiro de Serra”. Nele, analisava o comportamento da mídia e do Senado - o tema do momento era José Sarney - para tentar desvendar a lógica por trás da campanha cerrada.
A candidatura Serra vivia momentos críticos. A próxima pesquisa negativa, informando sobre queda das intenções de voto para ele e aumento das intenções de voto para Dilma ou Aécio, liquidaria com sua candidatura e provocaria um êxodo da oposição para a candidatura de Aécio Neves.
A campanha midiática visava dar uma sobrevida à candidatura.
De lá para cá, ocorreram os seguintes fatos:
1. A campanha midiática aumentou substancialmente, agora em cima da reunião sem data nem hora da ex-Secretária da Receita. E batendo direto em Dilma, tendo pespegar-lhe a imagem de mentirosa.
2. Pesquisa do Datafolha indicando manutenção das intenções de voto em Serra e estacionamento de Dilma nos mesmos 16% da pesquisa anterior.
3. Pesquisa do Antonio Lavareda (divulgada pela Folha), de que Marina Silva já tinha mais de 20% dos votos. Informações davam conta de que a pesquisa tinha sido feita trinta dias antes. Como fica essa falsificação?
Aí surge o dado fora do plano, a pesquisa Vox Populi indicando exatamente o contrário: queda de Serra (de 36% para 30%) e Dilma subindo de 16% para 21%. É muita diferença.
Quem manipulou?
A versão do PSDB é que a pesquisa Vox Populi foi feita cinco dias antes do Datafolha e não teria captado o desgaste do episódio Lina. Mesmo sem ser especialista, nosso comentarista Marco Antonio demole essa versão no post baixo.
Vamos juntar os seguintes dados, para avaliar a credibilidade de pesquisas:
1. A Folha manipulou dados sobre a ficha de Dilma Rousseff no DOPS. Manteve a manipulação mesmo depois de desmascarada.
2. Com base na última pesquisa do Datafolha, o jornal fez um editorial sugerindo a Ciro Gomes que se candidate à presidência da República, não ao governo de São Paulo - endossando amplamente a estratégia de Serra. Endossou no caso Marina, endossou em relação ao Ciro.
3. A capa do jornal de hoje é uma manipulação ampla - e em cima de um episódio (o depoimento de Lina Vieira no Senado) assistido por bastante gente. Ou seja, também praticou um estupro jornalístico à luz do dia. E ainda coloca o Fernando Rodrigues (!) para martelar a ideia de que Dilma Rousseff é mentirosa - ponto central do processo de desconstrução de sua imagem, trabalhado pela imprensa.
4. Não divulgou uma linha sobre a pesquisa Vox Populi - assim como todos os demais jornalões.
5. Pergunto: se a Folha passou a manipular seu principal ativo (a credibilidade jornalística), qual a probabilidade de que o Datafolha tenha sido contaminado por esse clima?
Nos anos 80 o Datafolha foi uma luz no ambiente de manipulação de pesquisas que se seguiu ao caso Proconsult. Aquecia o coração de cada democrata, que via no Instituto uma poderosa arma de democratização da informação.
A próxima pesquisa é do IBOPE. No ano passado, o Carlos Montenegro - presidente do IBOPE - já antecipava que Dilma não tinha nenhuma condição de vencer as eleições. A pesquisa será feita de forma correta?
fonte: Blog do Nassif
Que tal fechar a tramela, senador Pedro Simon?
18 agosto, 2009
Procurando pelo em ovo
A ex-secretária disse que não sabe a data do encontro, que não foi registrado em sua agenda, nem na agenda da ministra. Desmentiu que a ministra Dilma tivesse pedido que a fiscalização sobre "o filho do Sarney" fosse arquivada, dizendo que Dilma teria pedido apenas que a fiscalização fosse "agilizada".
Disse, ainda, que não houve qualquer ilicitude no suposto pedido da ministra e que, portanto, não comunicou seu superior, Guido Mantega, ministro da fazenda, sobre o ocorrido.
E embora o pedido não fosse ilícito, teria sido "desnecessário".
Alem disso, segundo Garibaldi Alves, Lina tem o "hábito" de criticar governos quando é dispensada...
Os senadores da base governista, que no início da seção se mostravam tensos, acabaram ficando relativamente satisfeitos.
A oposição torceu, torceu, mas não saiu nada, embora tenham ocorrido grandes embates que nada mais são do que a prévia de 2010.
E foi revelado no plenário que o governador José Serra não é engenheiro, nem concluiu mestrado em economia, como divulgava no passado.
Enfim, trata-se de uma história tão sem pé nem cabeça, que serve apenas como tentativa de desgastar a imagem da ministra Dilma, já que qualquer relação com José Sarney queima o filme até de Jesus Cristo.
Nesse aspecto a oposição está certa.
17 agosto, 2009
Até tu, Januário!
16 agosto, 2009
Segura, Januário!
Faz o homem gemer sem sentir dor...
13 agosto, 2009
12 agosto, 2009
Um recado para Marina Silva
BRASÍLIA CONFIDENCIAL. O senhor deixou o PV ou foi o PV que o deixou?
MAJOR OLIMPIO – Eu deixei o PV. Entrei com uma ação na Justiça, inclusive, alegando justa causa. Depois, recentemente, eles me procuraram para um acordo. Fiquei com o mandato e retirei a ação.
BC – O senhor faz oposição isolada ao governador Serra. Como isso começou?
MAJOR OLIMPIO – Eu não poderia jamais, como filho de servidor, como policial durante 29 anos em São Paulo, me prostrar diante desse desmonte, desse absurdo que o governador tem feito no serviço público, na polícia. Eu não me elegi para me prostrar diante do governador. O PV fez isso em troca de um cargo, de uma Secretaria de Assistência Social. E em troca de duas secretarias do aliado de Serra, o prefeito Gilberto Kassab (DEM). Eu descobri que a candidatura do PV foi um jogo de cena. Eu entrei nessa porque nunca tive muita habilidade política, nessa política de cartas marcadas. Em minha vida, eu passei 29 anos na polícia, correndo atrás de bandidos. Eu não soube entender que era tudo uma grande armação. Foi uma campanha armada para que eles se jogassem depois nos braços de Serra e Kassab.
BC – Como o senhor percebeu isso?
MAJOR OLIMPIO – Logo no começo do mandato eu entendi. Meus sete colegas de bancada votaram em favor de vetos de Serra a projetos ambientais. Um deles era para a despoluição dos rios. Olha, eles se esqueceram até dos princípios ambientais. É uma obediência cega ao Serra. Chega ao absurdo, ao desrespeito absoluto ao eleitor. Eles (os deputados do PV) nem comparecem muito às sessões. Por causa do meu comportamento, fui destituído da condição de vice-líder e nem podia mais falar pelo partido nas sessões. Eu virei um deputado zumbi. CPIs, então, nem pensar. A coisa que eu mais aprendi na minha carreira policial foi investigar bandidos. Mas nunca vi uma CPI nessa Assembleia de São Paulo. Até meus projetos o PV mandou que eu retirasse. Um deles, por exemplo, previa melhorias nas condições salariais dos policiais, que é o meu setor eleitoral. Queriam me destruir no meu segmento.
BC – O senhor propôs uma CPI para investigar o Governo Serra?
MAJOR OLIMPIO – Sim, em 2007. Vou falar disso porque tenho informações fidedignas. As tropas me informam de tudo e eu documento. Mas não consegui assinaturas suficientes para uma CPI. O fato é que os helicópteros da Polícia Militar viraram táxi-aéreo de “aspones” e secretários do governador. Para você ter uma idéia, houve um sábado (em 2007) que o Goldman (Alberto Goldman, vice-governador de São Paulo) pegou seus chinelinhos e seu cachorro e chamou um “táxi-aéreo do governo”, que era, na realidade, um helicóptero de resgates da PM, para ir passear em Campos do Jordão. E isso ainda acontece nesse governo. As madames, mulheres dos usuários desse “serviço”, reclamaram então que nos helicópteros havia fuzis e elas não gostavam dos fuzis no seu táxi-aéro. Mandaram tirar; e a PM teve que retirar. Olha, isso é o fim do mundo. Fico revoltado, porque esses helicópteros devem servir para as ações policiais, não para transportar madames nem gente que quer passear com o cachorrinho em Campos do Jordão, nos sábados ensolarados. Mas o PV me mandou calar a boca.
BC – Houve alguma outra situação em que o senhor ficou indignado?
MAJOR OLIMPIO – Muitas. Quando houve a inundação no Maranhão, São Paulo mandou 30 bombeiros para lá. Eles foram enviados em um avião da FAB. Ajudaram e tal. Na volta, não tinha mais como eles voltarem no avião da FAB. Sabe o que o governo paulista fez? Nada. Os 30 bombeiros passaram três dias molhados, feridos, cansados, no aeroporto do Maranhão. O governo paulista não queria pagar passagens para os 30 bombeiros voltarem para suas casas, depois dessa missão autorizada. No último dia 3 eu fiz essa denúncia no Plenário. Sabe como eles voltaram? Nós, policiais, pagamos as passagens para os colegas com um fundo nosso mesmo, que mantemos para garantir café e bolachinhas nos quartéis. Nós, policiais, pegamos desse dinheiro e pagamos as passagens para os colegas. Na volta, eles nos contaram que não receberam sequer as diárias pelos dias que passaram lá, ajudando a salvar vidas. Como é que eu, um policial por 29 anos, posso apoiar esse governador?
BC – O senhor já decidiu seu futuro político? Vai se filiar a um partido de oposição?
MAJOR OLIMPIO – Olha, por enquanto, só tenho duas certezas: nunca mais o PV nem o PSDB e seus apoiadores. Eu não posso sair de uma cela para entrar em outra cela. Tenho até o dia 30 de setembro para decidir. Fui convidado pelo PT, PSOL, PDT, PTB. Eu me dou muito bem com o PTB, por exemplo, mas eles também apóiam o Serra. Então, eu vou avaliar isso muito bem, porque agora o mandato é meu, não do PV.
BC – Nesse momento em que o senhor rompe com o PV, a senadora Marina Silva (PT) avalia a sua adesão ao partido para garantir uma bandeira ambiental para disputar a Presidência da República. O senhor daria algum recado à senadora?
MAJOR OLIMPIO – Muito claramente: Marina, pense muito bem. Você tem uma história de vida… Os princípios do PV são fantásticos no papel, na conversa. Mas não são reais. Você não merece esse engodo.
fonte: O outro lado da notícia
Releituras
No filme de Rosemberg Cariry o poeta do povo, Antonio Gonçalves da Silva, conhecido por Patativa do Assaré (1909-2002), recita e canta suas poesias. Em suas letras traz a realidade seca da região nordestina, fazendo do sertão um livro de poemas. Mas além da lida na roça para sustentar a família e da admiração da natureza, fez poesias sobre diversos temas, da transamazônica à reforma agrária. Sua produção o tornou símbolo da cultura popular e das lutas democráticas.
Neste ano comemora-se o centenário de Patativa, que cego de um olho desde criança, nunca encontrou empecilho para construir versos e rimas, buscando a libertação do povo das agruras da fome e da opressão.
O documentário, finalizado em 2007, utiliza imagens de filmes, como Viramundo, de Geraldo Sarno e de O Velho, de Toni Venturi, para abordar os contextos da poesia de Patativa, da migração nordestina e dos anos de chumbo, respectivamente.
Com entrevistas de amigos, artistas e familiares e depoimentos do próprio poeta, recolhidos em mais de 20 anos de filmagens, o documentário mostra como a obra poética de Patativa foi sendo descoberta. Luiz Gonzaga e Raimundo Fagner foram alguns dos cantores que divulgaram as letras desse poeta sertanejo.
O filme será exibido, na Casa de Espanha de Sorocaba, graças ao Projeto Circuito Cineclubista realizado pelo Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, tendo ainda o apoio da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas, Congresso Brasileiro de Cinema e Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural. O projeto tem como objetivo democratizar o acesso da população à produção audiovisual nacional e fortalecer o movimento cineclubista brasileiro através da articulação de um circuito nacional de exibições.
Dia: 16/08, às 16 horas.
Local: Casa de Espanha, Rua Manoel Lopes, 235, Vila Hortência. Sorocaba.
ENTRADA GRATUITA
11 agosto, 2009
Sagrada Laicidade
No ano que vem, o decreto 119-A completa 120 anos de vida. Ele significou um marco histórico, a partir do qual o Brasil optou pelo estado laico. E determinou pela primeira vez a separação entre Estado e religiões. Por força desta norma, cemitérios passaram a ser administrados pelo Estado e se instituiu a figura do casamento civil.
Isto aconteceu em um contexto de transformações sociais e políticas trazidas pelo novo Estado republicano, que, aliás, no ano seguinte ao decreto, adotaria a laicidade na própria Constituição Federal.
A partir daí, várias questões têm vindo à tona para testar o quanto o Estado brasileiro é realmente laico. E para medir qual a magnitude da separação entre Estado e religiões no Brasil.
Na verdade, desde a reforma protestante, no século XVI, Martinho Lutero alertou sobre os problemas relacionados à adoção do Direito Canônico como instrumento regulador da sociedade. Preocupava-se com a necessidade de se ter Leis laicas. Porque as leis canônicas se lastreiam em dogmas, verdades históricas absolutas e inquestionáveis. E a comunidade precisa de regras baseadas na racionalidade e mutáveis, porque o comportamento humano é dinâmico e, por isso, mutável.
Antes desta separação, também os conceitos de crime e pecado se confundiam. As penas criminais eram, na verdade, castigos a serem impostos àqueles que violavam interesses da Igreja ou do Estado principalmente. E a pena principal era a de morte. As idéias do Modernismo determinaram uma profunda revisão de conceitos, colocando a dignidade humana como foco de preocupação dos povos.
Apesar disto, no Brasil, setores conservadores, avessos ao respeito à Constituição, dizem que a maioria do povo é católica e que isto deve determinar um tratamento privilegiado para a Igreja Católica; chegam a propor, ainda que veladamente, na forma de acordo internacional, a violação do artigo 19 da Carta ao pretenderem uma reformulação do regime jurídico da relação Estado-religiões.
Isto é negar a essência da democracia. Porque no sistema democrático, a voz da maioria prepondera na escolha do governante. Mas o eleito, passadas as eleições, DEVE governar para todos, incluídas as minorias, e não apenas para a maioria que o escolheu.
Esta concepção que parece óbvia é realidade concreta na França desde a revolução de 1789, tendo sido banidos de prédios públicos os símbolos religiosos. Da justiça, das escolas, de todos. Também já se enterrou lá a idéia do ensino religioso em escolas. E não é só na França. O mundo ocidental como um todo caminhou nesta direção. E até mesmo em países monarquistas como a Inglaterra e Dinarmarca, a manutenção de religião oficial não impediu a existência de ordenamento jurídico laico.
Lá se respeitam na plenitude as liberdades públicas e direitos civis dos cidadãos, sendo autorizado o casamento homossexual na Inglaterra e o aborto na Dinamarca, entre outros direitos.
É triste constatar que no Brasil, quase 120 anos depois da opção pela república laica, deparamo-nos diariamente com incontáveis desrespeitos à cidadania. Que a neutralidade religiosa, que deveria ser a tônica das ações de nossos agentes políticos ainda seja meta distante de ser alcançada.
Precisamos reafirmar a cada dia nossa opção republicana laica. E precisamos mostrar às próximas gerações de brasileiras e brasileiros que cada um tem o direito à liberdade plena. De manifestação, de associação. De crer ou não crer. E que ninguém tem o direito de se opor ao exercício deste direito. Que se opor a este exercício significa negar a república, a democracia e a tolerância religiosa brasileiras.
Portanto, em boa hora o Ministério Público Federal pediu à Justiça que sejam retirados símbolos alusivos a uma religião das dependências de prédios públicos federais. O espaço público é de todos, e não só dos adeptos daquela religião. Os agnósticos e ateus, assim como as minorias adeptas a todas e quaisquer religiões, têm direito de estar nestes locais sem se constrangerem com a existência de símbolos de uma religião à qual não aderiram.
Trata-se de respeitar cada brasileiro e cada brasileira no exercício pleno de suas liberdades públicas, que devem ser defendidas sempre de forma intransigente.
Roberto Livianu
Promotor de Justiça em São Paulo, Doutor em Direito pela USP, Coordenador, no Movimento do Ministério Público Democrático (MPD), de projeto sobre Estado laico (USP/UMESP/MPD/FAPESP)
10 agosto, 2009
Marina Silva Presidente, PV e José Serra.
Muito pior!
Há correntemente o pensamento entre o povo letrado, bem letrado e iletrado que a falta de pão, leite, moradia, transportes, segurança, dão-se pela simples razão de que o dinheiro destinado ao bem estar social é desviado pela corrupção. Em outras palavras, o capitalismo seria bom, caso fosse administrado com decência. Isso é um engano presente desde as cabeças mais ilustres às menos providas.
Na verdade, a corrupção é um cancro social. Algo que agrava mais o nosso drama. Mas esse cancro, como tantos outros tem uma matriz e essa matriz tem um único nome: capitalismo.
Fui fundador do Partido dos Trabalhadores (PT). Fui também fundador do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). No último dia 30, o PSOL, por sua direção majoritária, exibiu seu programa de televisão e ficou evidente que pode vir a ser um partido muito pior do que fora o PT. O PT, além de ter uma ampla base social de apoio, tinha participação (mesmo ingênua) de segmentos intuitivamente socialistas. O PSOL, não!
Nasceu de uma dissidência parlamentar sem inserção no meio social que faz o mesmo discurso dos partidos da "ordem", o discurso da direita. Eles não denunciam o capitalismo. Limitam-se a denunciar suas mazelas, não imputando culpa a suas verdadeiras causas, visto que toda culpa reside unicamente no sistema capitalista.
O discurso da senhora Luciana Genro foi lamentável. O mesmo ocorreu com os demais, principalmente com a tradicional moralista e costumeiramente atrevida Heloísa Helena, sempre escudada na sua condição de mulher. Tenta-se salvar o discurso do João Alfredo. Mas o ambientalismo não pode ser coisa tão somente de "expert". Enquanto for dessa maneira, assim como o socialismo, estaremos completamente perdidos! Socialismo, ambientalismo, caros senhores, devem ser amplamente popularizados e nunca coisas de doutos especialistas de viés acadêmico.
O programa de TV exibido revelou a tragédia política que vivemos. Não creio existir o crime de opinião. De qualquer forma, não abdicarei da verdade.
Gilvan Rocha é presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos
fonte: Correio da Cidadania
07 agosto, 2009
06 agosto, 2009
A Juventude e o processo político em Honduras
Fazendo um curso de Direitos Humanos na Costa Rica, depois seguindo para Cuba, onde pretende cruzar de bicicleta a Ilha Rebelde, de ponta a ponta, meu amigo cicloativista Raoní Beltrão, conheceu o jovem hondurenho Carlos Sierra, que é dirigente estudantil no ensino médio, membro do Fórum Nacional de Juventude (http://www.fnjhn.org/), do processo socio-político Agentes de Cambio de Honduras (http://www.fesamericacentral.org/) e militante dos movimentos de resistência de seu país. Carlos, gentilmente, por intermédio de Raoní, concedeu essa entrevista ao blog, que reproduzo abaixo.
Carlos Sierra - Como jovem hondurenho vejo o golpe de Estado como uma ação desesperada, realizada pelos setores conservadores e empresariais do meu país para frear as mudanças que se avizinhavam nos próximos anos (reformas importantes que beneficiariam a grande maioria despossuída de Honduras). Ademais, o golpe demonstra a débil democracia e instituições políticas que temos, poder judicial parcial, forças armadas vendidas e congresso corrupto.
Carlos - Para começar, os jovens de direita não existem, são simples marionetes dos setores conservadores que desejam mostrar uma face mais fresca e renovada. Sobre os meios de comunicação alternativos no meu país, um país em desenvolvimento, não conta com muitas alternativas, mas há a televisão, o rádio e um baixo acesso à internet, ainda assim existem pequenas iniciativas como o blog http://hondurasresistencia.blogspot.com/3
Carlos - Os jovens em Honduras representam mais de 60% da população total, apesar disso não existem políticas públicas específicas para esse amplo setor da população. Os programas educativos não satisfazem o tamanho das expectativas dos jovens, não se atualiza os currículos, em que pese esse ser esta população a mais produtiva. Se quer que a juventude no país seja o destaque em todos os sentidos, tanto econômico como na tomada de decisão desde agora na juventude, com clareza do panorama que deve enfrentar.Nossos sonhos são amplos espaços políticos de participação e exercício da cidadania plena.
Carlos - No governo de Zelaya se implementou a Lei Marco da Juventude, assim como o Instituto Nacional de Juventude, órgão que ainda está sendo construído e com pouca perspectiva de continuidade, algo que é visto como bom por parte dos jovens sobre o presidente Zelaya, mas ainda existem dúvidas grandes já que o governo tem se revelado conservador com os temas juvenis, sobretudo sexualidade e aborto terapêutico.
Carlos - Uma visão de país ou projeto nacional sempre foi presente entre a juventude, mas as estruturas atuais de poder tem marginalizado a participação juvenil, nós aspiramos um consenso nacional onde os jovens sejamos protagonistas e líderes já que somos o sangue novo do país.
Carlos - Durante a história se registra a participação dos jovens desde que acompanharam Francisco Morazan no processo de independência da América Central, durante a histórica greve de 1954, na qual se conqustou um código de trabalho no país, assim como muitas lutas pela educação e contra a privatização desse direito humano durante os anos 80. Na Guerra Fria, aconteceram uma série de assassinatos e desaparecimento forçado de vários dirigentes, como o que tentaram silenciar os movimentos juvenis do país, assim como publicaram decretos proibindo a organização juvenil e estudantil. Graças à pressão dos jovens, em 1999 foram revogadas essas leis.
Carlos - Para nós, jovens hondurenhos, os ícones latino-americanos como Francisco Morazan, Simon Bolivar e Ernesto Guevara de la Serna representam um exemplo para os jovens de todas as gerações, como bastiões de luta pelos direitos dos mais excluídos, assim como pela dignidade do povo cubano, apesar dos ataques dos Estados Unidos.
Carlos - Os jovens de Honduras cremos muito nas mudanças que estão se desenvolvendo no mundo, em especial na América do Sul, com governos conscientes e integrados por todos os setores. Sabemos que nossa missão é complexa e difícil e que, possivelmente, não gozaremos nem veremos os frutos da mesma tradição, mas sabemos que estamos preparando o caminho para mudanças estruturais em nossos países.
05 agosto, 2009
04 agosto, 2009
Araguaia
03 agosto, 2009
Baseia-se, Gullar, para tanto, no testemunho do General Jarbas Passarinho, que justifica o golpe como a tentativa de impedir a instauração de um regime comunista em nosso país.
Chegar à conclusão de “contragolpe” significa tapar os olhos ao que estava ocorrendo no mundo, especialmente na América Latina. É esquecer-se da Guerra Fria, dos demais golpes militares que antecederam e sucederam o brasileiro.
A ditadura militar brasileira, além de impedir, autoritariamente, o pensamento progressista, que avançava em território nacional, tendo como prova, o apoio popular a Jango e suas reformas de base, possibilitou a consolidação do capitalismo, tal qual exigiam os financiadores golpistas estadunidenses, assassinando e torturando boa parte da esquerda brasileira.
Aceitar passivamente a tese do “contragolpe militar” é louvar a atitude destes mentecaptos torturadores, transferindo-os a idéia de heróis, grandes nacionalistas e democráticos.
Conversa mole!
02 agosto, 2009
01 agosto, 2009
Torta Dagem
Se meu caralho voasse
E se um dia meu caralho adquirisse asas, voaria longe. Muito longe.
Sem pudor, imediatamente, alcançaria Angelina Jolie. Caminharia pelos continentes, como um jato, acertaria W. Bush e faria um carinho no Obama. Chegaria à minha cidade, perfurando todos os tucanos convencidos que Marx me ensinou a odiar. Depois, agressivamente, encontraria minha professora de geografia, donde guardo rancor.
Mergulharia em minha infância, usufruindo de todas as belas que desejei... E apenas desejei. Cá pra nós, também usaria na fase adulta.
Atravessaria, sanguinariamente, todos os maldosos, invejosos, fofoqueiros e mercenários existentes em nossa macondo perdida; terra de Baltazar, do córrego da Água Vermelha, de João de Camargo, dos “vendidos” ao tucanato, dos oportunistas de plantão. Muitos...
Mas como ele nunca irá voar, pular corda ou dar piruetas; mantenho-o aqui, guardadinho. Raivoso...
E para aqueles (as) que me acharem grosseiro, sinistro ou descabeçado, desejo que ele voe até vocês.
Finalizo com meu amigo Bocage (1765-1805), ninguém melhor do que ele:
Soneto do Caralho Potente
É pau, e rei dos paus, não marmeleiro,