06 maio, 2007

O PAC e o amadurecimento da democracia no Brasil

Os debates que vêm sendo acumulados desde o lançamento do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) lançado pelo Governo Lula, pelos mais diversos segmentos da sociedade, têm a nos confirmar que a democracia brasileira definitivamente avançou.
A bem da verdade, esse é um processo que vem amadurecendo ao longo da última década e que se aprofundou com a eleição do primeiro presidente operário da história do Brasil, tornando-se mais evidente a partir das eleições do ano passado, sobretudo em seu segundo turno, quando as discussões em torno de privatizações convidaram o eleitor a comparar os dois principais modelos oferecidos ao país por dois dos maiores partidos representados no Congresso, PT e PSDB.
O modelo defendido pelo PT e discutido com todo um bloco que hoje se materializa na chamada base de sustentação do governo Lula, é um modelo que defende a intervenção do estado na economia de forma muito mais ativa, incisiva. Daí surge o PAC.
Já o modelo defendido pelo PSDB e seus aliados, pretende um estado aos moldes das grandes empresas, onde o mercado constantemente observa os sucessos e insucessos uns dos outros, para então procurar os menores riscos e definir uma estratégia a seguir.
Assim, por exemplo, aprenderam a privatizar, a congelar a contratação de servidores para o serviço público, a cortar gastos com programas sociais, etc.
Esse modelo vem sendo implementado em Sorocaba há dez anos e do ponto de vista “empresarial” tem sido bem sucedido. Do ponto de vista social, já temos uma geração de adolescentes que não conhece uma cidade que invista em políticas de inclusão e justiça social. O que será dessa geração daqui a cinco ou seis anos sem que haja um forte revés nessa tendência, só Deus sabe.
Pois bem, o PAC reacende esse debate, interessantíssimo, aliás, ao país.
Há os que dizem torcer a favor, mas entendem que o esforço será em vão, pois crêem que se trata apenas de um “factóide” criado pelo governo, que o Brasil deveria se espelhar em experiências outras, em detrimento de nossas próprias particularidades, para estabelecer um novo modelo de crescimento, que é impossível avançar com as altas taxas de juros praticadas pelo Banco Central, que a classe média vem empobrecendo, etc.
Pois entendo perfeitamente esse posicionamento dos quadros tucanos. Eles de fato não concebem a idéia de o estado intervir na economia e utilizar seus instrumentos como BNDES e CEF para fomentar investimentos em infra-estrutura. Para eles isso é papel da iniciativa privada, o que considero um imenso equívoco e um grande prato para um bom debate.
O PAC determina o fim do período neoliberal iniciado pelo governo Collor e aprofundado por FHC e que o governo Lula tratou de paulatinamente cuidar de seu encerramento, fazendo de seus primeiros quatro anos um período de transição, que agora se encerra dando início a um novo modelo de desenvolvimento com prioridade para a distribuição de renda e combate aos efeitos da miséria.
Fruto dessa herança, o Brasil ainda possui uma taxa de juros altíssima, hoje em 12,5% a.a., mas não se pode esquecer que Lula assumiu o país com taxas de 25% e que em tempos mais sombrios do governo FHC passou dos 40%.
O Programa de Aceleração do Crescimento é tão importante quanto necessário, pois o governo Lula tem conseguido garantir o que nenhum outro vinha conseguindo, o crescimento com distribuição de renda.
É bem verdade que crescimento do PIB brasileiro em 2006 foi abaixo da média do continente, apenas 3,7%, mas trouxe consigo algo de diferente, crescer distribuindo. O estado como indutor dessa distribuição e enfrentando a pobreza e a miséria, aliás, só quem não as conhece critica o Bolsa-Família. E essa situação deve melhorar, já que a previsão de crescimento para 2007 gira em torno de 4,4%.
O salário mínimo hoje tem uma política de recuperação e já alcança uma importante marca histórica, em 2002 era de R$ 200,00, hoje está em R$ 380,00, pouco para o queremos, mas bastante pelas condições do país.
O PAC prevê investimentos em infra-estrutura da ordem de R$ 503,9 bi, dos quais R$ 170 bi virão do próprio orçamento da União.
Isso significa preparar o país para um longo e sustentável período de crescimento.
E para aqueles que julgam o programa como um factóide tirado da cartola por marqueteiros, sugiro que analisem os últimos quatro anos, o chamado período de transição. Nesse tempo, o governo Lula instituiu marcos regulatórios para as áreas de habitação e saneamento, implementou uma política de comércio exterior altiva e ousada com excelentes resultados, estabeleceu um novo papel para os Bancos Públicos que passaram a financiar projetos de infra-estrutura, incentivaram a agricultura familiar e políticas de inclusão social.
Somente o BNDES já recebeu mais de 100 projetos oriundos das oportunidades oferecidas pelo PAC à iniciativa privada, pelos quais já estão sendo liberados R$ 25 bi para projetos que envolvem a construção de hidrelétricas, termoelétricas, rodovias e investimentos em moradia e saneamento, portanto, o PAC já é uma realidade, não se encontra mais no papel.
O PT oferece ao país um novo modelo de desenvolvimento que se aprofunda com o PAC, modelo esse que, diga-se de passagem, já tem transformado o Brasil num lugar mais justo, com importantes diminuições nos índices de pobreza e que finalmente dá a seus jovens oportunidades e perspectivas de um futuro melhor, como o faz através do PROUNI.
Por fim, reafirmo o que disse no início, o simples lançamento do PAC proporcionou a abertura de um debate tão importante ao país, que dá condições de cada vez mais o cidadão perceber as diferenças entre os projetos propostos pelos partidos políticos e isso é um grande serviço prestado à democracia.
Crescimento, com distribuição e justiça social, é o Brasil no rumo certo.


Paulo Henrique Soranz Presidente DM PT Sorocaba

Um certo garoto de aluguel - segunda parte

A revista Veja repercutiu a "ameaça", bem como outros órgãos da grande mídia, afirmando que a liberdade de imprensa estaria em perigo e que se trata de fato "gravíssimo".

Vejamos:

1. O eventual desaparecimento de Diego Mainardi, por razões naturais ou outras, não traria qualquer prejuízo à intelligentsia nacional. Nós também não sentiríamos sua falta.

2. O texto do jornal "Hora do Povo" não faz qualquer ameaça explícita. Faz alusões que apenas de forma muito tortuosa poderiam ser entedidas como ameças sérias.

3. Por outro lado, Heloísa Helena, O ACMzinho e outros ameaçaram "dar uma surra no Presidente da República", de forma bastante clara, mas não houve qualquer indignação. Nenhuma das "liberdades fundamentais" estaria em risco.

4. O atual MR-8 e seu jornal "a Hora do Povo" são uma tênue lembrança do grupo que durante os anos de chumbo enfrentou a ditadura. Trata-se portanto de uma farsa: o confronto entre um pseudo jornalista que acha que quase derrubou o presidente e um pseudo grupo revolucionário que se acha quase revolucionário.

Um certo garoto de aluguel - primeira parte

A polêmica dos últimas dias diz respeito sobre uma suposta ameaça que o dublê de jornalista Diego Mainard teria sofrido por parte do jornal "Hora do Povo".

Depois de ser condenado a indenizar o jornalista Franklin Martins, em razão de tê-lo difamado, Diego disse ser o "Bacuri do Petismo".

Em tempo: Eduardo Leite, de codnome Bacuri, herói da resistência armada à ditadura brasileira, foi preso pelo DOPS e seu corpo foi entregue à família com os dois olhos vazados, as duas orelhas decepadas, todos os dentes quebrados ou arrancados, costelas partidas, cortes profundos, hematomas por pancadas e marcas de queimadura por brasas de cigarros em todo o corpo.

O Jornal "Hora do Povo", porta-voz do MR8 - ou do que sobrou dele - publicou o seguinte texto:

" Condenado com seus patrões da “Veja” a pagar 30 mil reais ao ministro Franklin Martins, em processo por calúnia, o garoto de programa Diego Mainardi houve por bem se auto-intitular “o Bacuri do petismo”.

Bacuri foi martirizado por 109 dias seguidos no Deops e perdeu a vida em 1970 por negar-se a revelar aos algozes informações que pudessem prejudicar o andamento da luta revolucionária contra a ditadura. Foi um herói na plena acepção da palavra.

Já o pequeno canalha perdeu apenas algum dinheiro.

Sabemos o que o vil metal significa para certo tipo de pessoas. Ainda assim, ao que tudo indica ele está pedindo para perder algo mais.

Pode ficar tranquilo. Não faltarão almas pias para fazer a sua vontade."

Gabeira não é o mesmo

O deputado Fernando Gabeira participou da resistência armada à ditadura no Brasil. Foi um dos precursores do movimento ambientalista, um político de viés libertário, representante do movimento gay e defensor da legalização da maconha. Eleito deputado federal pelo PV e, depois, pelo PT, era uma das referências da esquerda.

Era.

Tornou-se um dos principais porta-vozes da oposição conservadora contra o governo Lula. Tinha ataques histéricos de integridade, nas diversas CPIs, e, não raro, era visto nos braços de tucanos e demos, esbaldando-se com as derrotas do governo.

Para nosso bem, todo o esforço deu em nada. Lula foi reeleito e a oposição vive uma crise existencial.

Mais recentemente, Gabeira recusou-se a participar da tradicional "marcha da maconha". Segundo divulgado pelo Blog dos blogs, disse que:

- Depois que o governador Sérgio Cabral defendeu a legalização, achei que era melhor eu não ir à marcha este ano. Não é um protesto contra nada. (...) Mas quero, com minha ausência, marcar uma diferença. (...) A legalização pura e simples, sem controle, pode aumentar o nível de violência.

Mudou o mundo ou mudou o Gabeira?

A virada de Gabeira rumo ao pensamento conservador provoca comentários maldosos. Dizem que, dia desses, ele será surpreendido dirigindo-se à deputada Emanuela (PCdoB/RS), uma das musas da Câmara dos Deputados:

- E aí, gostosa?

04 maio, 2007

A pesquisa de Lippi

A grande polêmica envolvendo o prefeito Vítor Lippi, esta semana, diz respeito a uma pesquisa que pretende contratar, para avaliar a cidade e seu governo. A alegação é de que tal pesquisa serviria ao planejamento estratégico do município.

A bancada do PT contestou tal projeto e, de imediato, o secretário de governo, Maurício Biazoto, disse que as críticas da oposição seriam infundadas e que o próprio PT contratou pesquisas semelhates nas cidades onde governa.

É lógico que a realização de pesquisas pode - e muito - auxiliar o governo na definição de prioridades e na formulação de planos de maior fôlego.

Porém, o que chama a atenção no caso atual é número de questões formuladas a respeito da pessoa do prefeito Vítor Lippi - É um bom líder? É competente? - entre outras, demonstrando, claramente, que se trata de uma pesquisa com a finalidade de preparar a campanha de sua reeleição no próximo ano.

É um direito do prefeito fazer pesquisas para saber o que pensam. Mas não com o nosso dinheiro.

Se quer saber o que a população pensa dele, pague. Ou saia as ruas. Tenho certeza que será uma experiência bastante pedagógica para o nosso alcaide.

02 maio, 2007

Gente fina é outra coisa

A Força Sindical é uma entidade conhecida por seu espírito conciliador. Uma central sindical rosada.

Ainda que a CUT nao seja tao combativa como antes, que a bandeira vermelha tenha se desbotado, ainda assim a Força Sindical e insuperavel em seu peleguismo.

Recentemente, decidiram atuar em outras frentes políticas. Debater a questão ambiental, o problema do aquecimento global, que foi um dos temas do ato realizado no 1º de maio.

Para introduzir o assunto aos trabalhadores, o líder da Força Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT), com a delicadeza que lhe é peculiar, disse:

“Coisa de ambiente, vamos falar a verdade, até pouco tempo atrás era coisa de veado. Agora nós queremos fazer com que todos os trabalhadores defendam o meio ambiente”

Caro Paulinho: "coisa de veado" é ser líder da Força Sindical.

CPI no governo dos outros é refresco

O presidente tucano da Assembléia Legislativa, Vaz de Lima, faz o que pode para evitar CPIs que atrapalhem o governo Serra.

Depois que a justiça determinou que ele instalasse as CPIs arquivadas, a "criatura" disse que não entendeu a decisão judicial. É para instalar todas as 81 CPIs arquivadas, ou apenas as 11 CPIs requeridas este ano?

Para dirimir a dúvida, apresentou um recurso conhecido como "embargos de declaração". Que também poderia ser conhecido como recurso "ou você não sabe escrever ou eu não sei ler".

A imprensa paulista, tão atenta às "manobras do governo Lula para evitar a CPI do apagão aéreo", não mostra qualquer interesse com as 81 CPIs arquivadas em São Paulo.

Tal condescendência tem explicação. Uma das CPIs pretende investigar a distribuição de recursos publicitários, através da Nossa Caixa, para diversos jornais e rádios, ligados a deputados, para garantir apoio ao governo, na Assembléia Legislativa.

A investigação pode atingir duramente veículos de comunicação que desejam parecer impolutos aos olhos de seus leitores. Não são.
Sorocaba é engraçada. Protagoniza acontecimentos folclóricos. Desde prefeito proibindo beijo em público a comedor de cocô, lembram das histórias?
Vira e mexe tem gente subindo em torre, querendo cometer suicídio. Toca a cidade toda ficar sem energia elétrica. E ainda tem uns caras de pau, que param embaixo do "quase-suicida", gritando: -Pula, pula...!
A maior quantidade de zoológico para gordo está em Sorocaba: é spa disso, spa daquilo... e assim vai.
Tem a dengue também, que fez o prefeito decretar estado de alerta.
Aliás, nem o prefeito atual é daqui. Sequer vivia aqui. Chegou de repente, virou Secretário de Saúde e depois Prefeito.
Mas sua maior característica é o provincianismo. No pior sentido. Sorocaba cresceu, mas ainda tem hábitos e mentalidades antiquadas. É a cidade que torce pro jacaré! É terra de cornetas! De Nelson Rubens e Leão Lobo! O sucesso dos outros é combatido ferrenhamente. E instintivamente. Os insucessos são personificados. Há crucificação!
E se acham que estou mentindo, façam o teste. Ou melhor, basta ler a coluna social da Jak Catena.

Imposturas parlamentares

O nível de nossos parlamentares é mesmo de dar medo.
Em 2006 Clodovil, antes mesmo de ser eleito pelo PTC, colocou lenha na fogueira do debate sobre ética parlamentar ao afirmar que não entendia nada de política e que aceitaria propina sem peso na consciência.

Um ano antes, Heloisa Helena (Psol) e Artur Virgílio (PSDB) subiram na tribuna do Senado e ameaçaram dar uma surra no presidente Lula.
No mesmo ano a deputada Angela Guadagnin (PT) praticou a "dança da absolvição" para comemorar o resultado do julgamento de seu colegas na CPI.

Mas o pior é que estas “parlamentarices” medonhas não são endêmicas do Congresso, nossas Câmaras Municipais, por vezes proporcionam sessões de riso ou de choro, dependendo do sarcasmo de quem assiste.

Em Sorocaba, no início do ano, o vereador França (PT) levantava denúncias de abuso de poder e interferências no legislativo pelo prefeito Vitor Lippi (PSDB) quando a vereadora Neuza Maldonado (PDT), da bancada evangélica, saiu em defesa do prefeito alegando que “todo poder é investido por Deus”.

No mês passado o vereador de São Paulo Agnaldo Timóteo (PR) se envolveu em uma horrível discussão sobre sexo no plenário da Câmara ao criticar a proposta da ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), de combater o turismo sexual.
Para Timóteo, o visitante que vem ao País em busca de sexo não pode ser considerado criminoso – vê se pode!?. Durante o debate com a uma vereadora petista, que rebateu as declarações afirmando que "uma menina de 16 anos é adolescente e não mulher", Timóteo chegou a perguntar quando ela teve sua primeira relação sexual.

Coluna social

Finalmente Angelina Jolie resolveu assumir seu relacionamento com Reinaldo Domingues, depois de adotar três crianças africanas e de rodar o mundo em campanhas humanitarias, ela resolveu sossegar para cuidar de seu casamento com o nosso companheiro.

01 maio, 2007

O operário em construção

(...)

Sentindo que a violencia
Nao dobraria o operario
Um dia tentou o patrao
Dobra-lo de modo contrario
De sorte que o foi levando
Ao alto da construcao
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a regiao
E apontando-a ao operario
Fez-lhe esta declaracao:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfacao
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher
Portanto, tudo o que ves
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer nao.


Disse e fitou o operario
Que olhava e refletia
Mas o que via o operario
O patrao nunca veria
O operario via casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrao
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mao.
E o operario disse: Nao!

- Loucura! - gritou o patrao
Nao ves o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operario
Nao podes dar-me o que é memu.


Vinicius de Moraes

29 abril, 2007

O ocaso de um rabo

Com o fim da URSS e a queda do muro de Berlim, os partidos comunistas de todo o planeta enfrentaram crises existenciais.

Colocaram em discussão o futuro do socialismo - se é que havia algum futuro para o socialismo.

Trataram de questões organizativas e fizeram a opção pela luta política tradicional, através das eleições, buscando conquistar cargos parlamentares e participar dos diversos governos.

Embora alguns mantivessem o horizonte revolucionário, a grande maioria mudou o nome do partido, o programa político, renegaram o passado. Depois de uma maquiagem social-democrata, tornaram-se partidos da ordem.

No Brasil exageraram. O antigo PCB, liderado por Roberto Freire, virou PPS. Não apenas deixou de ser marxista, como deixou de ser esquerda e foi direto para o colo da direita, sem parada no centro, como é de praxe.

Roberto Freire foi líder do governo Itamar Franco, participando da segunda onda neoliberal, a "moderada". Depois, o PPS se tornou apêndice do PSDB, sustentando durante uma década o governo de FHC. Privatizaram até a mãe.

Quando Lula foi eleito, o PPS foi para a oposição. Afinal de contas, não pega bem participar de governos de esquerda. Mesmo que sejam governos ambíguos.

Ajudaram a tramar o impeachment de Lula, que não deu certo. Ora, se esse pessoal não conseguia preparar um golpe "bem dado" quando estavam na esquerda, seriam capazes de fazê-lo na direita?

Agora, o PPS foi para o fundo do poço de vez.

A dançarina e atriz pornô Gretchen, a rainha do rebolado, abandonou sua carreira "artística" e filiou-se ao PPS, para se dedicar à política.

Uma precipitação. Quem disse que há incompatibilidade entre sua carreira "artística" e a "política"? Eu diria até que são complementares.

Gretchen, a mais nova "aquisição" do PPS, quer fazer diferença. Pediu ao presidente da sigla, Raul Jungmann, um "professor" de política. Afinal de contas, não quer ser apenas mais um rostinho bonito. No caso, um rabo bonito.

27 abril, 2007

Novo número da revista PROVOCARE

Sociedade, cultura e arte
O PROVOCARE propõe à sociedade, de forma independente, a reflexão de assuntos referentes à própria sociedade, cultura e arte. Dá espaço para cronistas e divulga diversas ações desenvolvidas em Sorocaba e Votorantim nessas áreas.
A edição nº 10 está nas ruas e traz textos de Ataíde Lemos, Carlos Araújo, Edson Cortez, Fábio Correa, João Alvarenga, José Muniz Jr, Luciana Lopez, Maurício Toco, Míriam Cris Carlos, Renata Rocha, Ricardo Castro Pereira, Rodrigo Lopes, Vanessa Vaz e Werinton Kermes.
Pegue o seu exemplar em um destes locais:
Sorocaba: Banca Campolim, Padaria Real Afonso Vergueiro, Sindicato dos Metalúrgicos, Depois Bar e Arte, universidades e espaços culturais. Votorantim: Banca de revistas próxima a Prefeitura, biblioteca e demais espaços culturais.
"O estudo em geral, a busca da verdade e da beleza, são domínios em que nos é consentido ficar crianças toda a vida"
"A imaginação é mais importante que o saber "
Albert Einstein

Uma missa diferente

O novo padre da paróquia de uma cidade vizinha a bacaroço estava muito nervoso com o seu primeiro sermão, que quase não conseguiu falar. Para não repetir o vexame ele resolveu se precaver, no domingo seguinte, perguntou ao arcebispo como poderia fazer para relaxar.

O arcebispo sugeriu que da próxima vez, colocasse umas gotas de vodka na água e que depois de uns goles estaria mais tranqüilo. No domingo seguinte aplicou a sugestão e sentiu-se tão bem, que poderia falar alto até no meio de uma tempestade, de tão feliz e descontraído que se encontrava.

Ao regressar à reitoria da Paróquia encontrou uma nota do Arcebispo dizendo-lhe o seguinte:

Prezado Padre,
Seguem algumas observações a respeito do seu último sermão :
. Na próxima vez, coloque gotas de vodka na água e não gotas de água na vodka; e por favor, não coloque limão e açúcar na borda do cálice;
. O manto da imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo não deve ser usado como guardanapo;
. Existem 10 Mandamentos e não 12, os Apóstolos são 12 e não 10;
. Judas traiu Jesus, não o "sacaneou", além do mais, Jesus foi crucificado, não enforcado; e Tiradentes não tem nada a ver com a história;
. A hóstia não é chicletes, portanto, evite tentar fazer bolas;
. Aquela 'casinha' é o confessionário, não o banheiro;
. Evite apoiar-se na imagem de Nossa Senhora, muito menos abraçá-la;
. A iniciativa de chamar o público para cantar foi louvável, mas fazer trenzinho e correr pela igreja foi demais... Além disso, água benta é para se benzer e não para refrescar a nuca;
. As hóstias devem ser distribuídas para o povo, jamais usadas como aperitivo para acompanhar o vinho;
. Procure usar roupas debaixo da batina. Evite abanar-se com a batina quando estiver com calor. . .
. Lembre-se que Jesus nasceu em Belém, mas isto não significa que ele seja paraense;
. Quem peca é um pecador e não um filho da puta, além disso, quem peca vai para o inferno, não 'pra puta que o pariu';

Pelos 45 minutos de missa que acompanhei, notei essas falhas e espero que sejam corrigidas já para o próximo domingo.
Sem mais pelo momento,

Atenciosamente,

O Arcebispo

PS.: Já ia esquecendo: uma missa leva em torno de uma hora, e não dois tempos de 45 minutos cada. E aquele sujeito sentado no canto do altar, a quem você se referiu como "travecão de vestido", era eu.

26 abril, 2007

Redução da maioridade penal - posição do Conselho Federal de Psicologia

Envolvimento de adolescentes na criminalidade se resolve aumentando oportunidades e não reduzindo idade penal.
A definição da idade penal demonstra a maneira como a sociedade lida com os adolescentes, sujeitos em desenvolvimento. Nós, psicólogos brasileiros, defendemos a lógica educacional, defendemos a total implantação do Sistema Nacional de Medidas Sócio-educativas(SINASE) e cumprimento do ECA.
O sistema carcerário brasileiro não transformará adolescentes autores de atos infracionais em cidadãos, a exemplo do que acontece com os adultos. Rebaixar a idade penal para que os indivíduos com menos de 18 anos não sejam utilizados pelo crime organizado equivale a jogar no mundo do crime jovens cada vez menores, penalizando um único segmento da população. A experiência precoce na cadeia contribuirá para aumentar ainda mais a criminalidade já que a taxa de reincidência no sistema carcerário é superior à das instituições juvenis. O estabelecimento da idade de 18 anos não é um critério abstrato de uma idade que represente a maioridade penal, nem uma “ficção jurídica” mas o reconhecimentode que adolescentes são seres em
desenvolvimento,carecem de proteção e cuidado.
Os jovens de hoje não podem ser julgados, como propõe o Senador Demóstenes Torres (DEM/GO), dentro da mesma lógica do Código Criminal do Império e Código Penal da República, pois como ele mesmo afirma, os Jovens não são os mesmos. O grave quadro de insegurança que assola o país deve ser enfrentado de maneira concreta, com orçamento público e com políticas públicas de atenção à infância e adolescência em várias áreas. Nós do Conselho Federal de Psicologia e Conselhos Regionais de Psicologia nos posicionamos contra a redução da idade penal, contra o aumento do tempo de internação, contra a avaliação da capacidade de discernimento para a definição da inimputabilidade. Defendemos a imediata implantação do SINASE, instrumento construído com a participação da sociedade brasileira de forma séria e responsável. O adolescente autor de ato infracional deve ser responsabilizado por suas ações de acordo com as condições definidas pelo ECA, mecanismo até o momento não implementado totalmente pelo Estado Brasileiro, pois só desse modo estaremos formando cidadãos capazes de construir uma sociedade mais justa e solidária.

O Professor Aloprado

O blog Bah!Caroço, com exclusividade, apurou que o novo ministro de assuntos aleatórios do governo Lula, Roberto Mangabeira Unger, não queria o impeachment do Presidente, nem considerava Lula o mais corrupto da história.

Mangabeira Unger - secretamente -, integrava o comitê de inteligência do PT. Foi incumbido de infiltrar-se na oposição, agindo como espião e como agente provocador. Mostrou até onde tucanos e demos estavam dispostos a ir.

Nos corredores da inteligência petista, injustamente classificada pelo Presidente como "bando de aloprados", Mangabeira era conhecido pelo codnome "O Professor".

Agora, cumprida sua missão, é chamado ao primeiro escalão do segundo governo Lula, para que possa usufruir o lado bom do poder: o lado de dentro.

E por falar em futebol...



Corinthians 0 x 2 Náutico.

No Pacaembu.

Mais uma eliminação.

Quer mudar de assunto, Fábio?

só pra descontrair um pouco...

Chega de política, vamos falar de futebol e sexo.

25 abril, 2007

O Rei filósofo e os banqueiros da corte poderia ser um outro título para o livro "Os cabeças-de-planilha" de Luis Nassif, Editora Ediouro, que acaba de ser lançado. Conta a história do maior escândalo da politica econômica recente.
Ele desmostra em entrevistas com economistas desde 1994 e em dados empíricos, como os banqueiros de FHC formaram a cabeça-de-ponte para o ataque especulativo à economia brasileira sem perder de vista o interesse pessoal .
André Lara Rezende, segundo Nassif, é a peça fundamental para entender este esquema. Um dos homens fortes de FHC ele teria arquitetado um plano para conduzir o Banco Central e o Ministério da Fazenda de forma a beneficiar um reduzido número de instituições financeiras, posto em prática, ele ficou conhecido como Plano Real.
Funcionava mais ou menos assim, segundo disse o próprio FHC, o Plano possuia um erro que não teria sido previsto - é claro, colocado em andamento ele provocaria uma determinada falta de confiança por parte do mercado financeiro, no entanto, algumas pessoas, todas ligadas ao Banco Central, criaram o seus próprios bancos para surfarem nesta onda e se beneficiarem do controle sobre a economia.
Ao mesmo tempo, Fernando Henrique dizia que estava promovendo "A Nova Renacença", a mídia e os bancos forneceriam as idéias luminosas que guiariam a nação rumo ao século da informação.
O resultado, passados alguns anos, foi uma recessão inclível que levou o país a beira do buraco, desemprego e queda generalizada dos indicadores sociais e o enriquecimento dos banqueiros ligados a ele - através do banco Matrix Lara Rezende foi o pricipal beneficiário
Rezumindo um pouco mais: eles passaram a perna no próprio neoliberalismo.
Quando o meu pai dizia, em 1998, que o Collor não havia feito tanta maracutaia quanto Fernando Henrique Cardoso eu não entendia - coisa de matudo? Agora tenho certeza que ele estava certo.

Leiam a entrevista de Luis Nassif para Paulo Henrque Amorim

24 abril, 2007

Ex-torturador é chefão da máfia do bingo

Nas últimas semanas, o ex-capitão do Exército Ailton Guimarães Jorge voltou a frequentar o noticiário policial, agora como um dos 25 contraventores cuja prisão foi pedida pela Polícia Federal, sob a acusação de explorarem jogos de azar no país, inclusive subornando membros do Executivo, Legislativo e Judiciário.
O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro já havia sido condenado em 1993 por envolvimento com o jogo-do-bicho, ao lado de outros 13 banqueiros, pela juíza Denise Frossard. Sabia-se que eles todos eram responsáveis por, pelo menos, 53 mortes.
Pegaram seis anos de prisão cada, a pena máxima por formação de quadrilha. Mas, em dezembro de 1996 estavam todos de volta às ruas, beneficiados por liberdade condicional ou indultos.
Mas, não são só os crimes atuais que fazem do Capitão Guimarães um personagem emblemático do que há de pior neste país. Ele é o mais notório exemplo vivo do banditismo inerente aos órgãos de repressão da ditadura militar.
A outra celebridade capaz de rivalizar com ele nesse quesito já morreu, ao que tudo indica como um arquivo apagado pelos próprios comparsas: o delegado Sérgio Paranhos Fleury, em cujo benefício os militares chegaram até a criar uma lei, com o único objetivo de mantê-lo fora das grades.O Capitão Guimarães atuava na II seção (Inteligência) da PE da Vila Militar, que, como todas as equipes de torturadores da ditadura, auferia ganhos substanciais ao capturar ou matar militantes revolucionários.
Tudo que era apreendido com os resistentes e tivesse algum valor, virava butim a ser rateado entre aqueles rapinantes. Jamais cogitavam, por exemplo, devolver o dinheiro aos bancos que haviam sido expropriados pelos guerrilheiros urbanos. Numerário, veículos, armas e até objetos de uso pessoal iam sempre para a caixinha do bando. De mim, até os óculos roubaram.Havia também as recompensas oferecidas pelos empresários direitistas, bem expressivas. Eles definiram inclusive uma tabela com os órgãos de repressão: dirigente revolucionário preso valia tanto; integrante de grupo de fogo, um pouco menos, e assim por diante.
Ocorre que, em novembro de 1969, morreu como conseqüência das torturas aplicadas por Ailton Guimarães Jorge e seus comparsas o estudante Chael Charles Schreier. O episódio repercutiu pessimamente no mundo inteiro e no próprio Brasil, onde a revista Veja fez uma matéria-de-capa histórica sobre a tortura.
As Forças Armadas decidiram, então, proibir que cada unidade de Inteligência de cada Arma fosse à caça por sua própria conta. Unificaram o combate à luta armada no quartel da PE da rua Barão de Mesquita (Tijuca), que passou a ser a sede do DOI-Codi, integrado por oficiais da II Seção do Exército, do Serviço de Informações da Aeronáutica (Sisa) e do Centro de Informações da Marinha (Cenimar), mais investigadores da polícia civil.A equipe do Ailton Guimarães Jorge, até como punição pela morte do Schreier, foi alijada desse vantajoso esquema. Então, quando cheguei preso lá, em junho de 1970, aqueles rapinantes estavam desesperados com a falta de grana.
Tinham se habituado a um padrão de vida mais elevado e já não conseguiam subsistir apenas com o soldo. Tentavam de todas as maneiras convencer seus superiores de que mereciam ser readmitidos no combate à luta armada, em vão.
Foi por isso que, em 1974, a equipe de torturadores da PE da Vila Militar envolveu-se com contrabandistas, para obter a renda adicional que tanto lhe fazia falta. O Exército acabou descobrindo e instaurando um Inquérito Policial-Militar contra soldados, cabos, sargentos e quatro oficiais, inclusive o tenente Ailton Joaquim (um dos 10 piores torturadores do período, segundo o Tortura Nunca Mais) e o capitão Aílton Guimarães Jorge.
Justiça poética
As investigações foram conduzidas com o método que o Exército invariavelmente utilizava. Então, aqueles notórios torturadores acabaram conhecendo na própria pele a tortura. Houve até caso de assédio sexual à esposa de um dos acusados, por parte dos seus próprios colegas de farda...
Como o Élio Gaspari relata em "A Ditadura Escancarada", o caso acabou, entretanto, em pizza: –
Todos os indiciados disseram em juízo que o coronel do 1PM lhes extorquira as confissões. A maioria deles sustentou que, surrados, assinaram os papéis sem lê-los. Num procedimento inédito, os oficiais do Conselho de Justiça decidiram que o processo tramitaria em segredo. Durante o julgamento a promotoria jogou a toalha, e, em maio de 1979, os 21 acusados foram absolvidos. O caso voltou ao STM, cinco ministros recusaram-se a relatá-lo, e, por unanimidade, confirmou-se a absolvição. A sentença baseou-se num só argumento: ‘Tudo o que se apurou nestes autos, o foi, exclusivamente, através de confissões, declarações e depoimentos extrajudiciais, retratados e desmentidos posteriormente em juízo, sob a alegação de violências e ameaças praticadas durante o IPM”.
Ora, todos os IPMs instaurados contra os resistentes poderiam ser anulados pelos mesmíssimos motivos. Dois pesos, duas medidas.
A carreira militar do Capitão Guimarães, ficou, entretanto, comprometida. Nos quartéis, ele seria sempre visto como ovelha negra e tratado com má vontade. Então, pediu baixa e foi capitanear o jogo-do-bicho, conforme narra o Gaspari:
– Coube ao bicheiro Tio Patinhas consertar a vida de Ailton Guimarães Jorge. (...) O processo do contrabando ainda tramitava (...) quando ele se transferiu formalmente para a contravenção, levando a patente por apelido e diversos colegas como colaboradores. Começou como gerente do banqueiro Guto, sob cujo controle estavam quatro municípios fluminenses. Um dia três visitantes misteriosos tiraram Guto de casa e sumiram com ele. (...) Tio Patinhas passou-lhe a banca. Em três anos o Capitão Guimarães foi de tenente a general, sentando-se no conselho dos sete grandes do bicho, redigindo as atas das reuniões, delimitando as zonas dos pequenos banqueiros. Seu território estendeu-se de Niterói ao Espírito Santo. Seguindo a etiqueta de legitimação social de seus pares, apadrinhou a escola de samba Unidos de Vila Isabel e virou a maior autoridade do Carnaval, presidindo a liga das escolas do Rio de Janeiro. Rico e famoso, adquiriu uma aparência de árvore de Natal pelas cores de suas roupas e pelo ouro de seus cordões. Tornou-se um dos mais conhecidos comandantes da contravenção carioca. Do seu tempo da PE ficou-lhe o guarda-costas, um imenso ex-cabo que, como ele, começara no crime organizado da repressão política.
Esse cabo, Polvarelli, pesava 140 quilos e lutava judô. No final de 1969, ao tentar prender meu companheiro Eremias Delizoicov, que tinha apenas 18 anos, foi por ele atingido com um disparo no braço. Ele e os outros torturadores/meliantes retalharam então o Eremias com 35 tiros, tornando impossível até sua identificação (só souberam quem era pelas digitais).
Depois, em junho de 1970, unicamente por ter sabido que eu era amigo do Eremias desde a infância, ele fez questão de vingar-se em mim pelo final prematuro de sua carreira de judoca: estourou meu tímpano com um fortíssimo tapa de mão aberta. Nunca mais tive audição normal, apesar das três cirurgias por que passei.Eram essas as pessoas de quem a ditadura servia-se para combater os heróis e mártires da resistência.
Celso Lungaretti

minhas notícias de minas...

Olá amigos! Não tenho postado no blog por esses dias mas eu juro que é por um ótimo motivo. Desta vez não estou estudando nem trabalhando, nada disso, desliguei do mundo digital, moderno, pós-moderno e contemporâneo virtual.

Estou em Minas Gerais passeando pelas cidades históricas do sul do estado. Fui para um casamento em Lavras inicialmente e acabei desviando para Caxambú, São João Del Rei e Tiradentes, por pouco não cheguei até Carrancas, cidade que tem cachoeiras belíssimas.

Aqui agente pode perceber muito bem como o Brasil não se resume a São Paulo, do jeito que quer muita gente: o ritmo é bem diferente, o temperamento das pessoas, a falta de pressa, a simplicidade, natureza, pouca monocultura, cidades pequenas e vivas culturalmente, de pouco emprego mas muito trabalho.

Caxambú era um retiro da corte imperial no século XIX, região rica em fontes medicinais, consideradas as melhores do planeta, a água radioativa e sulfurosa é gaseificada naturalmente, no passado encantou o Imperador Dom Pedro II que instalou um parque belíssimo e uma casa de banhos terapêuticos.

Em São João Del Rei a história do Brasil esta presente em casarios em ruelas intermináveis e igrejas riquíssimas, em cada esquina deparo-me com uma perspectiva mais bonita da cidade.

Ao entrar em Tiradentes temos a sensação de que encontramos uma passagem no tempo, nada lembra o presente, se não fossem os turista a nos fazer entender que aquelas ruas, calçamento e casas são realmente do século passado pensaríamos ter feito uma volta no tempo, ou que se trata de uma cidade cenográfica para um filme histórico.

Todos estes locais fazem parte do roteiro turístico Estrada Real, que percorre os caminhos do ouro e diamantes de Minas para o Rio de Janeiro. Um passeio inesquecível e muito barato. Em breve postarei fotos.

Um grande abraço e até breve.

22 abril, 2007

Sugestão de Leitura

O escritor turco Orhan Pamuk ganhou o prêmio nobel de literatura em 2006.

Sugiro a leitura de um de seus mais recentes livros, Neve.

Impressiona como desconhecemos o mundo oriental. Como reduzimos o islamismo a esteriótipos.

É uma história de amor, do poeta Ka que volta à cidade de Kars para reencontrar seu amor, a bela Ipek.

Uma cidade que fica isolada do resto do mundo em razão de uma nevasca. Onde ocorre um golpe de estado através de uma peça de teatro. Um ator decadente que se torna estadista.

Onde o Estado, em defesa de sua secularidade, obriga jovens mulçumanas a retirar seus mantos, descobrindo seus cabelos. Mantos que elas seriam obrigadas a usar em razão do obscurantismo do fundamentalismo islâmico.

E tais jovens, ao invés de agradecerem por sua "libertação", cometem suícidio.

É também a história de um terrorista sedutor, incapaz de matar.

Enfim, um grande livro. Vale a pena.

O jogador

A polícia federal realizou, em todo o país, operações de grande envergadura, que resultaram na prisão de bicheiros, policiais, delegados, advogados, juízes, desembargadores, entre outros. Todos ligados, direta ou indiretamente, ao negócio do jogo ilegal. Bingos e máquinas caça-níquel.

Correndo atrás das ações da Polícia Federal, a Polícia Civil de São Paulo, apreendeu 10.000 máquinas. Segundo anunciou o delegado Aldo Galiano Júnior, diretor do DECAP, há aproximadamente 300.000 máquinas caça-níqueis espalhadas por bares, padarias, casas lotérias e estabelecimentos afins, que movimentariam aproximadamente 300 milhões de reais por mês em São Paulo/SP.

A conta deve estar errada, pois, ao que consta, cada máquina caça-níquel fatura bem mais do que mil reais/mês. Portanto, é um negócio que movimenta mais de um bilhão de reais.

Um bilhão de reais que vai parar em algum lugar.

As 10.000 máquinas apreendidas correspondem a cerca de 3% do total de máquinas que o próprio diretor do DECAP reconhece existir. Onde está o resto? Houve algum vazamento de informação antes das apreensões? Tal possibilidade deve ser investigada seriamente.

A Polícia Federal tem mencionado que se trata do maior esquema de corrupção do país. Envolve desde policiais de bairro, delegados, juízes, desembargadores e, acredita-se, em breve teremos notícias do envolvimento de políticos.

O lado bom da história é que a Polícia Federal combate a corrupção de forma dura e contundente. Em especial, depois do início do governo Lula.

O dark side da história é o envolvimento profundo, capilar - da polícia e do judiciário com o crime organizado.

Voltarei ao assunto.

20 abril, 2007

Em comemoração ontem, pelo dia da independência da Venezuela, Hugo Chávez, recebeu o juramento de 16.787 novos militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) - a legenda roja-rojita (vermelha-vermelhinha) que reunirá todas as vertentes do chavismo.

Foi lançado como simbolo do partido a estrela vermelha: "Que viva a estrela vermelha do socialismo bolivariano! Contra ela se destroçarão os contra-revolucionários, os imperialistas, as conspirações", disse Chaves.
Paulo Teixeira, deputado federal apoiado por este blog, foi citado como um dos três deputados federais mais influentes na defesa do meio ambiente. Seu nome aparece ao lado dos nomes de Fernando Gabeira (PV-RJ) e Sarney Filho (PV-MA). O levantamento foi divulgado pelo jornal "O Globo" e baseou-se em uma pesquisa feita pela Arko Advice Consultoria sobre as 11 principais bancadas setoriais no Congresso.
Tá divulgado, Renan!!! Abração!!!
A segunda maior força do Partido dos Trabalhadores de Sorocaba oficializará a sua filiação à corrente Articulação de Esquerda (AE) com um debate sobre a tese “A esperança é vermelha – 2007 e os próximos anos: abrir uma nova época na história do Brasil”, no dia 11 de maio, às 19h, na sede do PT local.
Entre as lideranças que se filiarão à Articulação de Esquerda (AE) estão o vereador e líder da bancada petista Arnô Pereira, o ex-vereador e candidato a prefeito Gabriel Bitencourt, a vice-presidente do PT Maristela Monteiro Pereira, a ex-presidente do PT Márcia Azzini Gomes, Sheila Valentim Lopes, da coordenação da macroregião de Sorocaba, José Roberto Perusse, membro do Conselho Fiscal, Nilson Moises, titular do diretório, as lideranças de movimentos sociais Márcio Brown e Renan dos Santos, além de vários filiados ao Partido dos Trabalhadores.
A filiação à AE é considerada como amadurecimento das reflexões e do posicionamento político destes petistas, que desde o último PED (processo de escolha direta das direções do PT), que ocorreu em 2005, trabalhou as candidaturas desta corrente.
O Coletivo da AE de Sorocaba está se preparando para o 3º Congresso do PT em agosto, oportunidade que o grupo acredita como fundamental para o fortalecimento do PT, por promover um amplo debate político, movimentar e reorganizar as forças internas, apontar os rumos políticos do partido e também sinalizar mudanças na composição das direções e comandos partidários.
Entre as lideranças da corrente Articulação de Esquerda (AE) que participarão do debate em Sorocaba estão o secretário de relações internacionais do PT nacional e ex-candidato a presidente do Partido, Valter Pomar e a secretária de formação do PT-SP e ex-candidata a presidente do PT estadual, Angélica Fernandes.

O preço dos intelectuais

Roberto Mangabeira Unger é um daqueles intelectuais respeitadíssimos por uma certa inteligentsia classe média, que se julga ultra-esquerdista, odeia Lula e o PT, e passa os dias conspirando por uma revolução sem trabalhadores, gestada através de mensagens no Orkut.

Formou-se em direito no Rio de Janeiro, prosseguiu os estudos em Harvard e escreve para a Folha de São Paulo.

Já foi ligado ao PDT, depois ao PPS, onde escreveu o programa de governo de Ciro Gomes à Presidência. "Desencantou-se" com Ciro e, recentemente, participou da fundação do PRB - Partido Republicano Brasileiro - que tinha a pretensão e reunir toda a bancada evangélica numa única sigla. Manobra que não funcionou, pois o novo partido era por demais ligado à Igreja Universal, o que afastou outras denominações.

No auge da chamada "crise do mensalão", Mangabeira Unger tinha acessos diários de ética. Fazia discursos e escrevia artigos que arrepiavam comprometedoramente a pequena-burguesia nacional e, em particular, alguns quadros da pequena-burguesia bacaroça.

Defendia o impeachment de Lula e, num artigo publicado na Folha, afirmou "o governo Lula é o mais corrupto de nossa história."

Agora, como representante do PRB, assumirá a nova "Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo", do governo federal.

Mangabeira: vem pro colinho do Lula, vem.

19 abril, 2007

Serra, o Bondoso

O governador louco-para-ser-presidente José Serra, perdoou 90% das multas de ICMS de empresas que sejam "prestadoras de serviço de comunicação".

O que é "prestador de serviço de comunicação"?

Nosso blog não deve ICMS, mas também poderia levar algum por camaradagem.

Ou não é isso que a "grande mídia" faz?

Quando o Lula destina uma pequena ajuda para milhões de miseráveis, é demagogo, populista.

Quando o Serra corta programas sociais, como o "Escola da Família", para anistar meios de comunicação, é um estadista.

Nem bem foi canonizado, e Frei Galvão já tem realizado grandes milagres, atendendo a legião de aflitos em nosso país.

A útima prece atendida foi o fim da dupla Sandy e Junior, graças a Deus e a Frei Galvão estamos livres dos irmãos prodígios de cultura oca.

Foram 17 anos de tortura, a Sandy um exemplo de perfeição, deu na hora certa, nunca brigou com os pais, sempre comeu os legumes acho que nem defecava. A irmã, ou melhor, o Junior Comedor, fazendo pose de garanhão, mas na verdade seu sonho é ser estilista e gravar um filme com o Alexandre Frota " A Bela Prisioneira".

Mas a corrente de oração continua, pois nem bem acabou a dupla e já surgiu mais um vencedor do BBB. E ainda temos Hebe, Ana Maria Braga, Gugu...

18 abril, 2007

Cuidado Frágil!

Os Tucanos sempre tentaram passar a imagem de unidade do partido, onde todos pensavam igual, mesmo sabendo que toda unanimidade é burra.

Mas agora depois de duas derrotas à presidência e uma oposição fraca e desarticulada, a tucanada não consegue disfarçar a fragilidade do partido em todos os níveis.

Que Serra e Alckmin estão de relações cortadas todos sabem, e que o partido está sem voz na esfera nacional, também não é surpresa para ninguém.

O que ficou claro essa semana foi a fragilidade do partido também em nossa cidade, com as declarações do "COISO", em direção ao prefeito Lippi.

Enquanto isso, aguardamos anciosos os próximos capítulos dessa derrocada. Afinal, toda desgraça para tucanada é pouca!!!!

17 abril, 2007

"Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos. Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido. Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar quem sabe... nos e-mails trocados. Podemos nos telefonar conversar algumas bobagens.... Aí os dias vão passar, meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo... Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão? Quem são aquelas pessoas? Diremos... Que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida! A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um ultimo adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos. Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado. E nos perderemos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo : NÃO DEIXES QUE A VIDA PASSE EM BRANCO, E QUE PEQUENAS ADVERSIDADES SEJA A CAUSA DE GRANDES TEMPESTADES...Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"
Fernando Pessoa

16 abril, 2007

Ex-detento volta ao CDP de Aparecidinha por amor

Não deu no Bom Dia nem no Cruzeiro.

A história do cabeleireiro Cléberson do Rosário é a prova de que o amor pode florescer mesmo nos locais mais embrutecidos.

Cléberson, de 24 anos - que já havia cumprido pena por roubo -, foi à delegacia pedir para ser preso de novo. De acordo com os investigadores, ele estaria com saudade do namorado, que continua no CDP de Aparecidinha em Sorocaba.

No último dia 9 (segunda-feira), Rosário foi a uma delegacia e pediu para voltar à prisão, quando soube que não poderia voltar a cadeia sem ter cometido um novo delito, ele saiu para a rua e, em frente a delegacia, agrediu e roubou uma mulher que estava passando, foi preso em flagrante encaminhado ao CDP onde pode reencontrar o namorado.

Já vi sujeitos roubarem pra comer, mas roubar pra ser comido é uma novidade

Fonte: Jornal O Tempo

15 abril, 2007

Feijuca do PT


Nossa, como comi!

Ainda na fase de recuperação da anorexia aguda, Reinaldo e eu arrepiamos!!!

Comemos tanto, que logo começou o suador.

Organizada pela Executiva local, sob a batuta do nosso companheiro Adailton; propiciou bons momentos de alegria e confraternização.

Destaque para a camisa do Santos - personalizada - do Deputado Hamilton Pereira, número 13.

A companheira Iara Bernardi esteve prestigiando o evento.

Paulo Henrique Soranz, presidente do diretório municipal, não resistindo aos apelos do público, cantou música "inédita" nos eventos petistas, de Ataulfo Alves, conhecida como "Meus tempos de criança", de 1957. Seu refrão:

"Que saudade da professorinha

Que me ensinou o beabá

Onde andará Mariazinha

Meu primeiro amor onde andará?"

Em seguida, surpreendendo a todos, emendou um "Conga, la Conga", de Gretchen.
Adailton dos Santos, com sua vestimenta "tudo azul", muito bem humorado, alavancou várias risadas da companheirada.

E pra finalizar, relembro piada do Vereador Arnô Pereira:

Você sabe como é feita feijoada de português?
Resposta: Orelha de burro, rabo de burro, nariz de burro...

14 abril, 2007

A famiglia Amary e a lição de Wittgenstein

Em entrevista a uma das rádios locais, o deputado federal Renato Amary, o Coiso, disse que, diante do rebaixamento do São Bento, "queriam encontrar culpados". Na visão dele "todos" são culpados e "alguns grupos torceram contra o Bentão", comemorando as derrotas do clube. Por fim, ameaçou revelar os nomes dos "anti-sãobentistas" e que tem "testemunhas" de que eles torceram contra o time.

Diante do rebaixamento do Bentão, o Coiso esperava o que? Ganhar uma medalha? É claro que a torcida irá "procurar culpados". E que algumas pessoas tem responsabilidade direta pelo desastre. Entre elas, o presidente do clube, seus diretores e o presidente do conselho deliberativo - Flávio Amary - o Coisinho.

É possível que algumas pessoas torcessem contra o São Bento. Há atleticanos em Sorocaba. Palmeirenses. Agora, não é possível que um empresário, ex-prefeito, deputado federal, acredite sinceramente que a "torcida contra" derrubou o time para a segunda divisão.

O time era ruim porque foi mal montado e mal dirigido. Não havia "torcida a favor" ou milagre que fosse capaz que salvá-lo.

O mais lamentável da entrevista foi dizer que teria "testemunhas" de que "grupos" comemoraram a derrota do Azulão e ameaçar denunciar os "anti-sãobentistas". Se sabe de algo relevante, diga. Tais ameaças "olha que eu falo, olha que eu falo, me segura", não são dignas de um deputado federal.

Como bem afirmou o filósofo Ludwig Wittgenstein, na conclusão de seu Tractatus logico-philosophicus:

"Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar"

13 abril, 2007

Falta de serviço


O Presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia iniciou o processo de mudança do regimento da casa para proibir o uso de chapéus em plenário.

Tudo porque o deputado Edigar Mão Branca, do Partido Verde, da Bahia, que insiste em usar típico chapéu de couro dos sertanejos nordestinos em plenário, apesar dos seguidos apelos de Chinaglia, que considera a postura do deputado um desrespeito a Casa.

E como ninguém é ferro, a comissão de Educação da casa discute a proposta de mais um feriado católico no país. Seria em 11 maio, dia de Frei Galvão.

11 abril, 2007

Falcão e a dialética em Hegel

A crítica nietzscheana da dialética hegeliana feita por Deleuze, uma das chaves para se compreender o pós-estruturalismo francês, e a reflexão sobre a diferença, típica em Hegel e elemento fundamental no pensamento dialético, também compõem o cerne da obra de Marcondes Falcão Maia, o célebre pensador da MPB. Senão veja:
"Está provado por A+B que A+B não prova nada"
Um aforismo dialético em sua essência. Ou:
"O indivíduo nasce, cresce, e adentra o mundo social e político, filosófico e artístico, fica danado, letrado, inteligente e sabido; conhece tudo, explica tudo e discute com bastante elegância os rumos da cartilogência...".Esboça-se aqui a superação (relève) da alienação, mesmo não como certeza calculável. Ou:
"Estamos enjoados do way of life chinfrim que prega a estética da mesmice como paradigma da criação". Em suma, "Lends picantis in anus Autrem sucus est"! "Populorium progresso, diz o ditado japonês, tudo o que eu tenho eu devo a ti, dizia Machado de Assis". Don’t you vai?
Anais do III Congresso brasileiro para a contribuição da crítica crítica - acesse.

Emenda 3

É importante esclarecer que as greves ocorridas tem o objetivo de apoiar a decisão do Presidente Lula na questão do veto.
Muitas pessoas me procuraram, questionando a razão pela qual estavam protestando em relação a postura de nosso Presidente. Ou seja, estavam mal informados.
Cabe a todo militante de esquerda, postura pedagógica. Isto é, esclarecer que a Emenda 3, apoiada pelo empresariado, PSDB e PFL, tem como objetivo claro, flexibilizar a legislação trabalhista.
Desta feita, os empregados terão seus direitos trabalhistas reduzidos!!!
Reitero: as greves articuladas pelos sindicatos, em todo o Brasil, vão no sentido de apoiar a decisão do nosso Presidente!!!
Também relevante afirmar que os parlamentares tucanos e pefelistas estão manobrando para que o veto seja derrubado!!!
É a classe trabalhadora versus a classe dominante!!!
Alguém já ouviu falar num cara que, a um bom tempo atrás, expôs a questão da luta de classes, dita por muitos que está desatualizada, que não existe mais e etc???
Aqui está um dos grandes exemplos de se ter um governo de coalizão com predomínio da esquerda.

10 abril, 2007

Beijo

Beijo é carimbo
é selo na alma,
que prende e liberta
que agita e acalma,
que o corpo desperta,
pra louca viagem.

Sem passaporte!

É corpo em transporte,
é sonho, é miragem...

Sentidos em alerta!!!

Paladar, olfato, tato,
aperitivo do ato,
incêndio de fato...

Entrega total.

Sanidade louca,
remédio na boca...

Dosagem fatal!

Entrega gostosa
fonte milagrosa,
salivas trocando
inesgotável tesão.

É paixão!
Eterno ritual!
É o infinito .

09 abril, 2007

Pela reativação do “Escola da Família”

Começou a circular por Sorocaba um abaixo assinado reivindicando a reativação do “Escola da Família” nas escolas onde foi encerrado devido a cortes realizados pelo Governador José Serra no orçamento do Programa. No início do ano, o Governador cortou pela metade os recursos destinados ao “Escola da Família”, que deixou de funcionar em 2882 escolas de todo o estado, sendo 49 de Sorocaba. (Do Portal do Hamilton)

Clique e imprima o abaixo assinado

08 abril, 2007

O triângulo de Grau

"Vânia era desenhista de moda e pintora, da minha altura, uma gazela, pernas e coxas alongadas, saboneteiras profundas e seios discretos. Rosto marcante, olhos bonitos. Encontrávamo-nos regularmente. Sempre à tarde, que ela desconfiava que o marido desconfiasse. Usava, invariavelmente, camisas de seda ou algodão em padrões que ela mesma desenhava, lindas, marcantes, ousadas. Tinha uma válvula de sucção no lugar do sexo e soltava sonoras flatulências vaginais pós-coito. Era agradável, sadio, sem dramas, o namoro de tardes inteiras, ela nua, suas esguias longas pernas enroscadas em meu corpo. Nenhuma ansiedade. Pedia-me, enquanto nos amávamos, que inventasse estórias sobre ela mesma estar sendo possuída por mais de um homem, concomitantemente, dois ou três, ocupando todas as suas frestas, o que importava em que nos amássemos sem qualquer sentimento de propriedade."

O texto acima foi extraído do livro "Triângulo no Ponto", romance de estréia de Eros Grau, ministro do Supremo Tribunal Federal.

A prosa é ruim e a suposta "ousadia" do tema não salva a obra.

Serve, apenas, para entender porque o STF demora tanto para julgar os recuros e ações que lhe são apresentados. Seus velhos magistrados gastam o tempo escrevendo histórias eróticas de baixa qualidade.

Para conhecer uma narrativa autobigráfica relevante, profundamente erótica e visceral, leia Henry Miller.

Novo método anticoncepcional

Jean-Marie Le Pen, candidato da extrema-direita nas eleições presidenciais da França, num debate no Instituto de Ciências Políticas de Paris, sugeriu um novo método anticoncepcional para as mulheres: a masturbação.

Isso mesmo. A masturbação como solução para evitar o sexo e sua consequência mais desagradável: os filhos.

Mensagem de Páscoa

06 abril, 2007

Nem sempre as coisa acontecem como deveriam...

Pelos prognósticos da mídia conservadora a páscoa daria início a um nova era de paz ao povo brasileiro.

A pátria, dominada pelos bolchevistas do Palácio do Planalto seria libertada do assistencialismo barato e da proletárização do debate político...

Durante o feriado, os controladores de vôo assumiriam a vanguarda do liberal-tucanismo.

O levante, violentamente reprimido pelo déspota barbudo faria ascender o movimento dos bravos militares em defesa da República e da Democracia.

O Estado de Exceção faria a nação retomar o ambiente de paz e felicidade até a eleição de José Serra em 2010...

Mas o que aconteceu?

Os controladores pediram perdão, os militares estão ocupados tomando sorvete e curtindo o final do Big Brother, Lula nunca foi bolchevique e o Diogo Mainardi ta doido afim de se matar - "aiii que ódio, que ódio, que óoodio!"

05 abril, 2007



O feriadão vem ai! Afinal:

O ESTADO É LAICO, MAS A SEXTA-FEIRA É SANTA!!!!!!!
Heloísa Helena, prefeita do Rio de Janeiro?
Pois é, deu no Blog do ET:
“O Deputado Federal Chico Alencar, líder do PSol na Câmara, revelou um plano entre estrambólico e ambicioso de seu partido: transferir o domicílio eleitoral da ex-senadora Heloísa Helena (presidente do PSol) de Maceió para o Rio de Janeiro, com objetivo de lançá-la candidata à prefeitura carioca, em 2008.”
Chico desaprovaria o plano, mas apontou algumas vantagens: Heloísa Helena, nas eleições presidenciais de 2006 obteve 20,4% dos votos válidos no município (contra 6,8% da média nacional).
O Psol anima-se ainda com a sua receptividade entre os funcionários públicos, o Rio, ex-capital da República, possui o segundo maior contingente desses trabalhadores.
Bom, corre um boato de que Fernando Collor pode disputar a prefeitura de Maceió, ele permanecerá Senador por oito anos ainda e, não teria nada a perder, se for verdade ele complica a vida de Heloísa Helena, afinal, não há espaço para dois caçadores de marajás num mesmo município.

Pérolas do Orkut

Hoje estava bisbilhotando uma comunidade do Orkut (Socialismo), quando vi um monte de gente da esquerda repetindo aqueles “lugares comuns” que imprensa norte-americana não se cansa de inventar, tipo: Fidel é milionário, matou Che Guevara, ou então, em Cuba há um quartel em cada esquina, câmeras em todos os locais, e por ai vai.

Muito me chamou atenção uma postagem de "Vini Cássio", sobre as “estórias” que circulam por ai.
Respondendo a uma pessoa que fazia conjecturas sobre Cuba ele respondeu o seguinte:

"Já ouvi falar que Fidel matou Che Guevara.

Já ouvi dizer que o general Tito [Iugoslávia] era uma farsa, e estava na verdade a serviço do reconhecimento do Estado de Israel.

Quando o Dirceu estava no paredão midiático, a VEJA disse que ele era o responsável pelo repasse de valores obtidos por MST, PCB, PT, PSOL e PC do B às FARC, que aliás seriam um braço da Via Campesina.

Não demora muito ouvirei que o Hugo Chaves quer matar Lula, Rafael Correa e Evo Morales para unificar todo este território sulamericano e exercer a sua ditadura de um referendo por ano. Depois, mataria Fidel Castro, expulsaria os EUA de Guantânamo e construiria uma penitenciária para prender os 48 trilhões de cidadãos que seu regime torturou, além de enterrar, também em Cuba, os incontáveis mortos de sua revolução sanguinária - certamente coisa na mesma faixa.
.
Manda seu currículo para o Conselho Editorial da Globo. Se não der, tenta a VEJA, lá será com certeza!!!"

04 abril, 2007

A Bolívia precisa fracassar

A Bolívia não pode dar certo. Um índio não pode ser um bom presidente da república. A economia do país não pode crescer sob a direção de um partido fundado nos movimentos sociais.

Os recursos naturais não podem ser dirigidos por um governo composto por dirigentes indígenas e sindicais.A Assembléia Constituinte tem que fracassar, não pode dar lugar à construção de uma Bolívia multicultural, multinacional e multiétnica, porque isto fere as teorias liberais. O governo de Evo Morales tem que fracassar na construção de uma imensa democracia social, econômica e cultural.

A Bolívia tem que fracassar, para que se comprove o lema fundamental do capitalismo: “Civilização ou barbárie”, em que a civilização foi definitivamente assumida e identificada com a cultura branca, ocidental, cristã, anglo-saxã. O resto – a África, a Ásia, os índios, os negros, os mestiços da América Latina, os negros dos EUA – enfim, todos os não brancos.Hollywood já nos ensinou: os “mocinhos” são os “cow-boys”, que lutam contra os maus – os índios os “peles vermelhas”, traiçoeiros, expressão da barbárie em pleno solo yankee.

Hollywood já criminalizou os japoneses, os chineses, os coreanos, os africanos, os árabes, os mexicanos – e, através destes, todos os latino-americanos.Já aprendemos quem é bom e quem é ruim, quem é feio e quem é bonito, quem (supostamente) ganha e quem perde.De repente, um índio se torna presidente da república. É inaceitável. Bastou John Wayne – o “americano indômito” – descansar, para que os índios ataquem novamente. Ocupem o Palacio Quemado, dirijam ministérios, uma Assembléia Constituinte, falem em nome do povo boliviano, se apropriem das riquezas naturais – da terra, da água, do gás, do petróleo.

Se o governo da Bolívia der certo, haveria que revisar tantas coisas, haveria que rediscutir o que é civilização e o que é barbarie, haveria que questionar a dominação capitalista do mundo, a hegemonia européia e norte-americana. A ditadura do dinheiro, das armas e da palavra estaria ameaçada.Por tudo isso e por muito mais, a Bolívia de Evo Morales não deve e não pode dar certo.

Mas está dando certo.

Aí começam os problemas.

Amigo-inimigo

O Jornal britânico “The Independent” divulgou hoje que em 11 de janeiro, os EUA lançaram um ataque com forças especiais no norte do Iraque – Curdistão, visando seqüestrar dois alto funcionários das forças de segurança do Irã, em visita oficial ao país.

Mohammed Jafari, chefe do Conselho de Segurança Iraniano, e o general Minojahar Frouzanda, chefe do serviço de inteligência da Pasdaran (Guarda Revolucionária iraniana). Os dois haviam se encontrado com o presidente Iraquiano, Talal Talabani, e com governo regional do Curdistão e escaparam do ataque por muito pouco.

Está explicado o motivo de os presidentes Bush e do Tony Blair terem ficado quietinhos quando o Irã capturou os soldados britânicos no Golfo Pérsico, semana passada - rabo preso!
Por outro lado, o evento de 11 de Janeiro mostrou o quanto os EUA desrespeitam o governo iraquiano imposto por eles, a visita era oficial, e ainda, o ataque foi realizado contra um escritório de cooperação Irã-Iraque, não contra uma esconderejo terrorista.

No Curdistão, não há rebeldes sunitas, nem milícias xiitas, mas o governo norte-americano apóia a guerrilha curda contra o seu governo, que por sua vez esta estreitando os vínculos com o Irã.

03 abril, 2007

Convergência Tecnológica - Projeto do Deputado Federal Paulo Teixeira

O projeto trata da produção, programação, provimento e distribuição de conteúdos nos meios de comunicação eletrônicos. O conteúdo de comunicação social eletrônica, que até recentemente era veiculado apenas pelos tradicionais canais de rádio e televisão, em razão da evolução tecnológica pode utilizar novos meios de distribuição, como a fibra óptica, o satélite e o cabo, dentre outros.
Foi dessa evolução tecnológica que surgiu a convergência das mídias (tv, rádio, internet, telefone, etc), pela qual diferentes tipos de conteúdo podem ser oferecidos, em conjunto ou separadamente, por qualquer plataforma tecnológica, com melhor qualidade.
Em resumo, o projeto de lei regulamenta o novo setor da comunicação social eletrônica para garantir a inclusão social por meio da ampliação do acesso da população brasileira a diferentes fontes de informação e à cultura nacional. Facilita à sociedade brasileira usufruir de todos os benefícios do desenvolvimento tecnológico para a circulação da informação e a manutenção da identidade cultural brasileira.
"Como não bastasse se achar melhor que Pelé, Maradona entrou numa de que pode beber mais do que Garrincha. "
Tutty Vasquez

Reflexão para 2008

Sorocaba adotou, nos últimos anos, o estilo "patrãozão" de governar. Contentou-se com a política do "aqui quem manda sou eu". Há muito, não observamos diálogo com a sociedade.
Os bairros com representação parlamentar situacionista são priorizados na solução de demandas. A base governista é composta sem verificação de afinidade ideológica, ou mesmo de projeto. As indicações ao Paço, de cargos comissionados, também não utilizam critérios de qualificação técnica, competência e etc.
Coincidentemente, grande parte dos membros que compoem o Conselho Municipal do Jovem, tornaram-se pequeninos tucaninhos.
Os Centros Esportivos de nossa cidade não recebem a devida atenção. Já são poucos, distribuídos de forma irregular. Não há higiene. Em muitos: nem trave, nem aro, nem gol. Apenas um possui pista de skate. O pior Centro Esportivo é o do Central Parque.
A maior parte dos bairros da Zona Norte, estão entregues ao descaso. O Parque Vitória Régia possui ruas sem asfalto, o Posto de Saúde não supre a demanda. Para prática esportiva, há apenas um campo, quase sem grama.
Como fazer o debate
O PT é o partido alternativo. Que, por obrigação, deve apontar os defeitos e ser propositivo. Inserir os cidadãos na discussão é fundamental. Fazer valer a democracia participativa. Instalar, definitivamente, o orçamento participativo. O meio ambiente deve permear os debates. Sorocaba é uma das cidades mais poluídas do interior, e poucos falam disso. Criar meios de comunicação alternativos, aproximar-se dos setores mais conservadores: fazendo o debate e disputando estas estruturas quando necessário.
E o mais importante:
Trazer aos sorocabanos a reflexão sobre qual o perfil de prefeito que queremos para nossa cidade:
Gerentão X Humanista
Autoritário X Democrático
Fisiológico X Ideológico

01 abril, 2007

Fabiana e a crise da aviação

Geraldo Vandré, autor da música "Para não dizer que não falei das flores", hino da resistência à ditadura militar, segundo reza a lenda, ficou louco e fez uma canção chamada Fabiana. Pensou numa musa-ninfeta? Eu também. Mas trata-se, na verdade, de uma "homenagem" à Força Aérea Brasileira, a FAB.

Qual a relação da Fabiana como "caos aéreo"?

O Brigadeiro Junito Saiuto, comandante da Aeronáutica, se fez acompanhar de dois procuradores da Justiça Militar para dar voz de prisão aos "amotinados". Sabiamente, Lula ordenou que suspendesse a operação destinada a meter na cadeia dezoito controladores.

Com 18 controladores de vôo presos, o tráfego aéreo, literalmente, iria para o espaço. E o brigadeiro Junito iria comandar o espaço aéreo do hospício militar.

Agora, os milicos falam em "quebra da hierarquia".

Como bem observou o jornalista Paulo Henrique Amorin, em seu blog Conversa Afiada, esse negócio de "quebra de disciplina" e "revolta dos sargentos" é coisa de golpista.

O Estadão fala em "crise militar" e seus redatores sofrem poluções noturnas com a "derrubada do Lula".

Podem tirar o cavalinho da chuva. O primeiro Mesquita que tentar sair da redação para fazer marcha com Deus pela família, vai acabar implorando a Deus que alguém da família venha juntar seus pedaços.

Os tempos são outros. Vocês continuam igualmente conservadores e golpistas. Mas nós somos mais numerosos e conhecemos seu "modus operandi". Estaremos preparados. Se e quando.

Portanto, voltem para a fila que o avião sai logo. Talvez demore um pouco. Não reclamem, não fumem e não apalpem as aeromoças. Principalmente a Fabiana...
Das utopias...

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!
Mario Quintana

30 março, 2007

Nos debates para o próximo Congresso do PT, do grupo que defende a tese Mensagem ao Partido, tive a honra de conhecer e reencontrar referências que sempre admirei.
Publico as fotos.


Paul Singer

Ermínia Maricato

Ramon - Secretário Estadual de Juventude

Paulo Skromov - presidente da Assembléia de fundação do partido - e Zilah Abramo

90 dias de Serra e um ano de Kassab

A Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) convoca todas as entidades estaduais e municipais que a compõem a participarem do grande ato a ser realizado nesta sexta-feira (30/3), às 17 horas, na Praça Ramos, no Centro de São Paulo, contra o prefeito Gilberto Kassab e o governador José Serra.

O protesto é para demonstrar o repúdio à representação de ambos os desgovernos na continuidade da política neoliberal no Estado de São Paulo, o que significa sucateamento da educação, privatizações e desrespeito aos direitos básicos da população, além da permanente criminalização dos movimentos sociais.

Também participarão servidores da educação e da saúde. O ato está sendo organizado pela CUT.


A emenda três é mais uma tentativa de flexibilizar as leis trabalhista, prejudicando é claro os trabalhadores com argumento de crescimento.

Essa emenda foi incluida no projeto da " super receita", a proposta é permitir que as empresas transformem seus funcionários em "prestadores de serviço", ou seja, transformando em pessoas jurídicas que deverão emitir nota fiscal.
Também faz parte do projeto tirar o poder de fisalização do Misnistério do Trabalho.
O Presidente Lula já vetou essa emenda, mas cerca de 330 parlamentares tentam derrubar o veto.

Abaixo o e-mail dos deputados da região que apoiam a derrubada do veto à emenda 3:

Antonio Carlos Pannunzio
Renato Amary
Reinaldo Nogueira (Indaiatuba)

29 março, 2007

Há 43 anos o país entrava nas trevas

Celso Lungaretti (*)

Muitos atos de repúdio à ditadura militar de 1964 estão sendo programados, no País inteiro, para marcar a passagem dos 43 anos da quartelada, a se completarem no próximo dia 31. Em São Paulo, a iniciativa é do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo e a manifestação terá lugar na Câmara Municipal paulistana (Viaduto Jacareí, 100), a partir das 19 horas do dia 3 de abril.

Lembrar o que realmente aconteceu nos anos de chumbo é muito relevante neste momento em que, aproveitando o esquecimento dos idosos e a desinformação dos que vieram depois, a direita troglodita tenta reabilitar a imagem da ditadura, com propaganda enganosa na base do "naquele tempo era tudo melhor".

Nas comunidades políticas do Orkut e em sites como o Terrorismo Nunca Mais, Mídia Sem Máscara e Usina de Letras, constata-se que essa gente está bem organizada, tem muitos recursos e vem fazendo intenso proselitismo. Atua como rolo compressor na internet, fez campanha pelo "não" no plebiscito sobre o comércio de armas e promove desagravos militares ao notório torturador Brilhante Ustra (numa tentativa pouco sutil de intimidar a Justiça). É a serpente se engendrando no ovo.

Eu tinha 13 anos quando os milicos deram o golpe. Depois, como militante estudantil a partir dos 16 anos, li e absorvi muita informação sobre esse assunto. E, ao ingressar na Vanguarda Popular Revolucionária, passei a conviver com pessoas que tiveram participação importante nos eventos de 1964. Curioso (já tinha espírito de jornalista), conversei muito com elas sobre o que haviam vivido e presenciado.

Mais tarde, em 1989, atuando na imprensa, fui incumbido pela Agência Estado de preparar uma série de matérias históricas sobre a quartelada, que estava completando 25 anos. Pesquisei, revirei arquivos, li brazilianistas, entrevistei personagens.

De tudo isso extraí algumas conclusões, que exponho como tópicos:

* há controvérsias sobre se a articulação da UDN com setores das Forças Armadas para derrubar o presidente Getúlio em 1954 desembocaria numa ditadura, caso o suicídio e a carta de Vargas não tivessem virado o jogo;

* mas, é incontestável que militares vinham tentando tomar o poder sob pretextos anticomunistas desde fevereiro de 1956, duas semanas após a posse de JK, com a revolta de Jacareacanga. Os oficiais da FAB repetiram a dose em outubro de 1959, com a também fracassada revolta de Aragarças. E, em agosto de 1961, quando da renúncia de Jânio Quadros, as Forças Armadas vetaram a posse do vice-presidente João Goulart, só voltando atrás diante da resistência do governador Leonel Brizola (RS) e do apoio por ele recebido do comandante do III Exército, gerando a ameaça de uma guerra civil;

* apesar das bravatas de Luiz Carlos Prestes e dos "grupos dos 11" brizolistas, não havia em 1964 uma possibilidade real de conquista do poder pela esquerda. Não existiu o tal "contragolpe preventivo", mas, pura e simplesmente, um golpe para usurpar o poder, derrubando um governo eleito, fechando o Congresso, cassando mandatos legítimos e extinguindo entidades da sociedade civil;

* a esquerda só voltou para valer às ruas em 1968, mas as manifestações de massa foram respondidas pelo uso cada vez mais brutal da força, por parte de instâncias da ditadura e dos efetivos paramilitares que atuavam sem freios de nenhuma espécie, promovendo atentados e intimidações. Até que, com a edição do AI-5, em dezembro de 1968, a resistência pacífica se tornou inviável. Foi quando a vanguarda armada, insignificante até então, ascendeu ao primeiro plano, acolhendo os militantes que antes se dedicavam aos movimentos de massa;

* as organizações guerrilheiras conseguiram surpreender a ditadura no 1º semestre de 1969, mas já no 2º semestre as Forças Armadas começaram a levar vantagem no plano militar, introduzindo novos métodos repressivos e maximizando a prática da tortura, a partir de lições recebidas de oficiais estadunidenses;

* em 1970 os militares assumiram a dianteira também no plano político, aproveitando o boom econômico e a euforia da conquista do tricampeonato mundial de futebol, que lhes trouxeram o apoio da classe média;

* nos anos seguintes, com a guerrilha nos estertores, as Forças Armadas partiram para o extermínio sistemático dos militantes, que, mesmo quando capturados com vida, eram depois executados;

* o "milagre brasileiro", fruto da reorganização econômica empreendida pelos ministros Roberto Campos e Octávio Gouveia de Bulhões, bem como de uma enxurrada de investimentos estadunidenses em 1970 (quando aqui entraram tantos dólares quanto nos 10 anos anteriores somados), teve vida curta e em 1974 a maré já virou, ficando muitas contas para as gerações seguintes pagarem;

* as ciências, as artes e o pensamento eram cerceados por meio de censura, perseguições policiais e administrativas, pressões políticas e econômicas, e dos atentados e espancamentos praticados pelos grupos paramilitares consentidos pela ditadura;

* corrupção, havia tanta quanto agora, mas a imprensa era impedida de noticiar o que acontecia, p. ex., nos projetos faraônicos como a Transamazônica, Ferrovia do Aço, Itaipu e Paulipetro (muitos dos quais malograram);

* a arrogância e impunidade com que agiam as forças de segurança causou muitas vítimas inocentes, cujas famílias nem sequer obtinham o reconhecimento da culpa do Estado e respectiva indenização. E integrantes dos efetivos policiais chegavam a acumpliciar-se com traficantes, executando seus rivais a pretexto de justiçar bandidos (Esquadrões da Morte);

* o aparato repressivo criado para combater a guerrilha propiciava a seus integrantes uma situação privilegiadíssima. Não só recebiam dos empresários fascistas vultosas recompensas por cada revolucionário preso ou morto, como se apossavam de tudo que encontravam de valor com os militantes. Acostumaram-se a um padrão de vida muito superior ao que o soldo lhes proporcionaria;

* daí terem resistido encarniçadamente à disposição do presidente Geisel de desmontar essa engrenagem de terrorismo de estado, no momento em que ela se tornou desnecessária. Mataram pessoas inofensivas como Vladimir Herzog, promoveram atentados contra pessoas e instituições (inclusive o do Riocentro, que, se não tivesse falhado, provocaria um morticínio em larga escala) e chegaram a conspirar contra o próprio Geisel, que foi obrigado a destituir sucessivamente o comandante do II Exército e o próprio ministro do Exército.

Em suma: é o último filme do mundo a merecer reprise. Com todos os seus defeitos e mares de lama, a democracia ainda é menos pior. Deve ser preservada, custe o que custar. E, claro, moralizada e aperfeiçoada.

* jornalista, escritor e ex-preso político.